Quinta-feira, Outubro 28, 2004
Tarja Preta
BM está relembrando os velhos tempos, e eu fiz parte desses velhos tempos. Escrevia pouco na TP e discutíamos muito sobre filosofia. Um texto meu (que não sei onde está) é o único que eu ainda acho bom, o título tinha Matrix (BM me mande esse texto, eu quero refaze-lo ^^). Naquela época eu pensava que mudaria o mundo com uma página na internet, a "Teorias e Conspirações", descobri que eu precisava mudar a mim mesmo primeiro. Isso foi a três anos atrás, e hoje começo a ter conciência da minha vasta ignorância. Dizem que um dia a gente aprende...
posted by TRUNKAEL H MAIRS
11:40 AM
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Perplexidade
Andei pelo passeio da minha rua. Fui até um pequeno bar, e pedi um refrigerante. "Sim, Coca-Cola. Canudos por favor". "Qual cor você quer?". "Qualquer uma, tanto faz". "Tem certeza?". E o dono do bar me olhou com uma cara tão desconfiada que eu disse. "Me dê um verde e um branco". E então ele escolheu os canudinhos e me deu, com rosto bem mais aliviado.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
11:33 AM
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Lâmpadas quebradas
Ele estava na rua até tarde. Não era de se espantar, ele sempre ficava atá tarde na rua. Mas hoje ele não tinha escolha, tinha uma "missão". Missão. Ele gostava de chamar suas pequenas aventuras de Missões. Andou então pela rua. Quando passava por debaixo de um poste, jogava-lhe uma pedra. Queria uma rua escura. Sua rua. Hoje.
Quando uma pessoa vinha ao longe ele se escondia. Fazia brincadeiras no escuro enquanto a pessoa passava. Como se estivesse prestes a assaltar ou estuprar alguém. Era uma mulher dessa vez. E chorava. Por alguns segundos ele se sensibilizou. "O que teria acontecido?". Sua mente simulou várias situações que lhe poderia levar ao choro, das mais drásticas como um estupro, ou simplesmente brigas de um namoro.
Pensou em se aproximar. Consola-la. Ficou com medo, preferiu continuar nas sombras e esperar ela passar. Esqueceria, logo depois, a existência da moça chorante. Ele não podia brincar com alguém que chora. Era o que lhe dava medo nas pessoas. A capacidade de chorar.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
11:32 AM
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Livros
Tinha muito tempo que não escrevia sobre livros, eu nem ia escrever dessa vez, mas é que se eu não escrever eu esqueço que li. Dessa vez serei breve.
Palomar - Ítalo Calvino
O Sr Palomar é um cara silencioso, que gosta de contemplar as coisas, e a cada coisa que contempla - praia, zoológico, céu, lua - ele tira uma conclusão filosófica sobre o que a natureza pode ensinar aos homens.
Eu diria que Ítalo Calvino destilou sua filosofia nesse livro, e Palomar é seu alter-ego. As coisas que ele quer nos mostrar acabam revelando algo sublime.
"Assim como o gorila tem seu pneu que lhe serve de suporte tangível para um frenético discurso sem palavras, também tenho essa imagem do símio branco. Todos rolamos nas mãos um velho pneu vazio por meio do qual queremos atingir o sentido último que as palavras não alcançam."
Por que ler os Clássicos - Ítalo Calvino
Um texto com o mesmo título começa o livro nos incentivando à leitura dos clássicos. Argumentos é o que não faltam e rapidamente Calvino consegue convencer o leitor que "ler os clássicos é melhor do que não lê-los."
Essa obra póstuma de Calvino é basicamente a coletânea das suas críticas literárias de vários clássicos, tais como: Odisséia, A Divina Comédia, A metamorfose, e vários outros que nunca tinha ouvido falar, a maioria franceses e italianos. É um livro bem interessante, vale a pena ler, mesmo que seja para saber quais livro ler depois.
"E se alguém objetar que não vale a pena tanto esforço, citarei Cioran (não um clássico, pelo menos por enquanto, mas um pensador contemporâneo que só agora começa a ser traduzido na Itália): "Enquanto era preparada a cicuta, Sócrates estava aprendendo uma ária com a flauta. "Para que lhe servirá?", perguntaram-lhe. "Para aprender esta ária antes de morrer"."
Sinfonia Universal - Frei Betto
Vida inteligente no cristianismo mais uma vez. Nesse livro, Frei Betto faz uma "resenha" das obras de Teilhard de Chardin, um religioso e filósofo que queria colocar a religião junto com a ciência (ou vice-versa). Para isso, Chardin elaborou uma cosmovisão, que colocava Deus como o Big Bang (exemplo), pegando muitas questões cientificas para explicar questões teológicas. É um livrinho bem interessante, e mostra que nem todo padre é cego ^^.
PS: Fiquei sabendo a minutos atrás que ele escreve para a revista "Caros Amigos", muito boa ela.
Felicidade Clandestina e Laços de Família - Clarice Lispector
Foi meu primeiro contato com Clarice e estou espantado. Realmente seus escritos são ótimos. Carregados de um sentimento e angustia quase palpáveis. Ela consegue transformar algumas idéias simples em contos, que de tão reais, parecem fantásticos. Do primeiro livro o conto que mais gostei foi o "Legião estrangeira", com um maravilhoso (e extenso) fluxo de consciência, e do segundo, o "Amor" que, cheio de metáforas, nos leva a uma viagem vertiginosa no sentimento de uma mulher "normal".
Super-Homem de Massa - Humberto Eco
Nesse pequeno debate, Humberto Eco mostra que a idéia do "Super Homem" de Niesztche, já havia sido usada nos folhetins e novelas populares, tais como "O Conde de Monte Cristo", Rocambole, Tarzan e até James Bond.
Depois de fazer uma introdução sobre a importância desses "Hérois das massas" ele faz uma análise crítica em cada obra, mostrando cada habilidade de um Super-Homem.
Angus - Orlando Paes Filho
Orlando Paes Filho levou 25 anos para escrever os 7 volumes de Angus, o primeiro guerreiro. Hoje Angus é um livro famoso, principalmente nos meios RPGísticos, e suas imagens dão um estilo especial para o livro, que é tratado como um romance histórico para jovens.
Ele realmente fez uma extensa pesquisa sobre os fatos, pensamento e estilo da época, mas (em minha humilde opinião) ele estragou o que seria uma grande história de guerras, inserindo um emaranhado de blás, blás, blás do cristianismo ("oh! Angus foi salvo por Jesus", "oh! A espada de Angus é um cravo de Cristo", "oh! Agora Angus é um guerreiro de Deus"). Sim, um capítulo inteiro, e diversas pequenas lições cristãs (muito chatas e infantis) que são colocadas a cada ações de nosso "Grande Herói Cristão".
Orlando Paes deve ser cristão, e não o culpo de inserir a ideologia salvadora de sua religião para humanizar o herói bárbaro, mas ele poderia ter feito isso de forma mais subjetiva. Os ensinamentos cristãos aparecem de forma tão escancarada que por vezes eu pensei que estava lendo a bíblia.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
11:29 AM
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Sábado, Outubro 23, 2004
Olá,
Ainda estou sem blogs durante a semana, e isso me impede de escrever como antes, esses ultimos posts foram feitos pela precisão de causar sentimento, o ultimo tem uma técnica de narrativa diferente, mas nenhum deles é tão interessante.
Ainda que eu tenha escrito coisas melhores, esses ultimos posts (das ultimas 3 semanas) são feitos com consciência. Ou seja, estou usando a linguagem como se eu soubesse como o leitor vai agir, como se eu pudesse tocar-lhe o destino.
Gostaria da impressão de vocês sobre eles.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
6:11 PM
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Estamos mortos sem saber
Estranhamente ele foi à igreja hoje. Digo estranhamente por ele era essencialmente agnóstico, e apesar de se interessar por essa ilusão coletiva, ele não costumava ir à igreja. Colocou uma roupa mais "séria" como se estive se fantasiando para ir à uma festa onde as pessoas fingem ser o que não são. Ele fingiria ser religioso hoje. Era a "Assembléia de Deus" já estava à frente dela, e lia o nome em tom irônico:
Assembléia de Deus... Será que Deus aparecerá por aqui hoje?
Um "irmão" me viu chegar e se ofereceu para achar um lugar para mim, pensei em sentar atrás, mas ele apontou em um banco no meio da igreja, de modo que a maioria das pessoas me viu entrar. Acomodei-me e fiquei observando as pessoas à minha volta, as que ainda olhavam para mim viraram o rosto, menos uma garota que estava próxima ao "altar". Ela continuou me fitando por alguns segundos e abaixou os olhos.
Fiquei reparando nela por muito tempo, era bonita ela, e depois de dar mais um "vasculhada" nos rostos crentes, percebi que era a mais bonita de lá. Durante todo o culto contemplei-a, às vezes ela retribuía o olhar.
O culto já estava acabando e pensei em sair antes, queria ver sua reação. Me levantei como se fosse ao banheiro mas olhei para ele antes de sair. Esperei lá fora, olhando para o céu, e ele se aproximou sem dizer nada. Olhei em seus olhos, e ele perguntou se eu não gostaria de beber alguma coisa. Hesitei por um instante, mas logo sucumbi a seu olhar quase-irônico, comecei a andar e ele veio, me levando. Os dois em silêncio, apenas o segui até uma casa não muito longe da igreja. Olhei para os lados, senti receio de que alguém de lá me visse entrando. "vamos subir?" perguntou. Olhei em seus olhos em pedido, que ele não me decepcionasse. E sem demora o segui.
A casa dele era em cima de um supermercado, não tinha vizinhos, era grande e tinha poucos móveis. Ele levou-a diretamente para cozinha, e lá tomaram uma dose de vodca. Sem romantismo, sem muita conversa. Levou-a para o quarto e transaram experimentando várias posições. Ela ria quando ele, meio sem jeito, acabava se desequilibrando de alguma forma. Ele, que de começo estava confiante, agora temia não conseguir proporcionar prazer. Acabaram e fumaram um cigarro de maconha. Ela ria o tempo todo, ele estava meio nervoso, mas o cigarro o acalmara, e logo começou a rir com ela. Falaram coisas sem sentido, e depois ela vestiu a roupa, deu-lhe um longo beijo "só a primeira que é de graça ok?". Ele sorriu. Não a acompanhou até a porta. Deitou na cama e sonhou.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
6:03 PM
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Caminhando
O mundo começou a se mover lentamente, e os segundos se transformaram em horas. Conseguia ouvir o barulho do universo conspirando para esse acontecimento. Havia firmado o olhar. Me via. Não é esses casos de amor à primeira vista, definitivamente não. É algo maior.
O nosso olhar cruzou, no começo (alguns milésimos de segundo) causou desconforto, mas logo depois esse desconforto se dissipou por causa de um movimento dos músculos da face. Era um começo de sorriso, a partir daí o olhar se tornou prazeroso.
Firmou o olhar e começou a esticar os lábios. Se existe um paraíso, eu estava prestes a entrar nele. Entreabriu-os começando a mostrar os dentes. Não vou dizer que brilharam e ofuscavam meus olhos, a beleza não estava em seus dentes (perfeitos) mas sim no movimento de seu lábio no começo do sorriso.
Os lábios já brilhavam e seu sorriso falava em prazer. Sabe, o prazer de sorrir, atoa quando simplesmente se está de bem com a vida. Quando simplesmente da vontade. E esses são os mais bonitos, pois não vem com a mascara da superficialidade.
E nesse instante ela sorria, e seus olhos sorriam olhando meus olhos, ela toda era aquele sorriso. Só nesse instante eu percebi que também sorria, talvez involuntariamente, sorria. E então o ciclo se completara, tudo era prazer.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
6:03 PM
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Sexo
Cores, era apenas essa sua certeza: cores. Após doses seguidas de vodca e conhaque era realmente tudo que se podia distinguir. Não. Ela estava lá, e era tão nítida quanto sua embriagues.
Ele sabia que sua mão segurava a dela, mas já não sentia. Sua noite perfeita seria estragada pelo simples álcool, ele sabia que a única coisa que estava apto a fazer sobre uma cama é dormir.
Os olhos dela eram lindos, brilhantes, desaprovadores, e por isso deveria ir embora. Para cama, ela pedia. Foi. Via seus lábios mexerem mas não escutava. Abraçou-a, mas já não a sentia. Como esperado sucumbiu às cores.
Depois de sonhos impossíveis de serem decifrados acordou. Ela não estava lá. Conseguia lembrar da embriagues e das cores, mas não se lembrava do rosto dela.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
6:03 PM
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Sábado, Outubro 16, 2004
Saudações
Ainda estou impossibilitado de atualizar o blog mais frequentemente, a escola ainda não liberou os acessos (e não sei se um dia vá liberar), por isso não posso nem visitar outros blogs, estou meio "alienado" a esse universo, mas sempre que possível (aos fins de semana) eu coloco uns textos ok.
Cordialmente,
Trunkael
PS: Atualizei os links, mas não achei o link da Tháis em nenhum lugar, espero que a mesma se pronuncie.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
9:56 PM
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Sobre a inutilidade da minha existência
Hoje as pessoas podem ser paradoxalmente previsíveis e surpreendentes ao mesmo tempo, e com consciência desse cenário há de se ter um momento para refletir sobre a própria existência.
Em muito tempo pensava-se que o homem era medido por aquilo que tinha, foi uma evolução descobrirem que essa é uma inverdade. Hoje as pessoas são medidas pelo que sabem, conhecimento e sabedoria sobre o mundo.
Mas o mundo gira rapidamente, e o ideal do ser se tornou algo individualista e sem propósito, já que a informação hoje está para todos. Aos poucos se percebe que aquilo que vinha antes do ter, e antes do ser, é o que há de mais necessário na vida de uma pessoa: o relacionamento humano.
Parece até enredo de provérbio chinês, mas é um tipo de verdade que aflora em todos os lugares. Compartilhar o que se tem ou o que se sabe, se torna mais importante do que o ter ou saber, pois o laço que firma uma relação é a única coisa que pode diferenciar você do mundo.
O eremitismo é uma utopia ultrapassada. Somente as pessoas podem fazer outras pessoas chegarem mais perto de seu ideal de felicidade. A leveza e prazer da relação humana se revela em um sorriso recíproco entre pessoas desconhecidas.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
9:45 PM
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Nós "V.I.K.I."s*
Nessa sexta feira participei de uma palestra sobre ética na comunicação, muito boa diga-se de passagem, e me espantei com os comentários dos estudantes (em sua maioria de direito e filosofia) que insistiam em dizer que as massas eram ingênuas e completamente desprotegidas da manipulação televisiva, e leis deveriam ser feitas para promover "cultura" em horário nobre.
Em primeira instância eles parecem estar certos, ora, deveríamos injetar cultura na veia das classe baixas já que temos poder para isso. "No entanto", continuavam "não de é interesse para empresas como a Globo, que sua audiência se torne inteligente".
É um discurso típico de pessoas que começam a trilhar pelos caminhos da intelectualidade. Quando chegam a um patamar um pouco superior de compreensão, se tornam alienadas pela ilusão de que agora tem consciência do o mal que os meios de comunicação de massa fazem à população.
Uma das desculpas é que nenhum canal da TV aberta tem intuito de disseminar cultura. Mas sabemos que não é verdade. A TV Cultura de São Paulo está ai para provar, tem o melhor telejornal da atualidade, tem uma programação de qualidade, e no entanto seu ibope não chega a 1 ponto percentual.
A Globo, tão criticada por suas novelas inúteis e carregadas de merchandising, quando aposta em uma produção mais inteligente acaba perdendo audiência e assim investimentos exteriores.
Definitivamente, não é a televisão que controla a população, justamente o contrário. Se os meios de massa tentam atingir 100% da população, isso implica em 80% de uma população pobre, que não tem outra forma de entretenimento. Se o povo quisesse cultura, assistiam TV Cultura, mas a preferência é por programas que exijam o mínimo possível de seus intelecto. Um trabalhador que chega em casa cansado não está preocupado com tensores estéticos, mas sim com o que passará na novela das oito.
Aos olhos críticos de nós, pseudo-intelectuais, a televisão age como um alienador, quando na verdade é o telespectador que tem todo o poder nas mãos. Com um controle remoto podemos mudar de canal ou desligar a televisão. Toda cidade há uma biblioteca pública, qualquer um pode pegar um livro, não é por falta de incentivo que as pessoas não lêem, é por pura preguiça.
Nesse Domingo (17/10) haverá uma campanha contra a baixaria na TV (www.eticanatv.org.br) e isso mostra que a audiência não é tão alienada quanto gostaríamos que fosse. Eles é que escolhem o que querem ver, e a baixaria já deixou de ser fonte de audiência há muito tempo.
Se podemos fazer alguma coisa quanto a isso (além de deixar a televisão desligada de 15 às 16h de amanhã) é deixar de tratar o povo como coitadinho que precisa ser protegido dos malvados meios de comunicação. Quem não quer ser "manipulado" sabe que tem todo poder para desligar a televisão, ou filtrar as informações. Deveríamos nós preocupar sim, em criar formas atraentes de repassar uma cultura que a maioria da população brasileira ignora. E isso já está sendo feito a muito tempo, sendo a Globo a pioneira.
*VIKI é o sistema de inteligência artificial, personagem do filme "Eu, Robô", que por meio de uma lógica extremamente inteligente chegou à conclusão que o ser humano deveria ser protegido dele mesmo, já que nós caminhamos para auto-extinção.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
9:45 PM
Discorde
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Sábado, Outubro 09, 2004
Loquax
Desculpem a falta de posts, é que minha escola bloqueou os blogs novamente, mas vejam ai embaixo tem muitos posts, todos de experimentação lingüística, todos hiper e intertextuais. Um mais subjetivo que o outro. Critiquem. Decifrem.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:15 AM
Discorde
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A agulha
O sujeito estava na estação, não por ele mesmo, possivelmente não por Deus, mas pelo motivo que ele próprio vai contar:
"Eu estava na estação e pouco importa o motivo. O fato é que eu estava lá, e as pessoas esperam o trem chegar, assim como eu. Nada de muito interessante até que agitaram-se. O trem se aproximava lentamente, e enquanto eu fazia um devaneio sobre a impossibilidade de entrar no trem, já que para isso tem-se que atravessar a faixa amarela, a qual uma placa nos proibia de transgredir: "proibido atravessar a faixa amarela", mas não importa o devaneio, o que importa é depois dele, quando a vi e ela era linda. Que mais posso dizer? Ela era linda e pronto, acabou a história. Admirei a beleza dela, e aquele minuto em que a vi eu poderia dizer que toquei a perfeição. E a perfeição me ofuscou, e ofuscou todo o resto. De repente eu cai em um sonho onde ela perfeita colhia rosas perfeitas de um jardim perfeito.
Tudo bem rápido, e o trem parou, olhei para o trem e para as pessoas que se empurravam para entrar, não vi a perfeição novamente mas vi a placa, e não me atrevi a cruzar a faixa amarela."
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:12 AM
Discorde
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Françoile*
Menina bonita, magra, bonita. Não magrela demais, é que hoje em dia, magra virou elogio. Andava pela praça, de dia, de noite. Não tão de noite, só enquanto tinha gente por lá. Com pessoas conversava, homens, mulheres, nenhum dos dois. Pra deixar claro que é com todo mundo, sem margem para outras interpretações.Queria mudar, isso queria, Teresópolis, Florianópolis, Lindópolis. Qualquer uma delas, para cada pessoa ela falava uma, acho que como não tinha caminho, qualquer um servia, ela deve ter lido "Alice". Entre passos, pássaros, andava, sonhava. Com as viagens, com o irmão que estava viajando. Falava dos poemas, olhos lindos, boca linda. Mas não falava muito dele, ele viajava e só. Se mais um pouco ela chorava, por pouco menos ela sorria. De tudo sobrava a estranheza, pois no final ela sempre corria. baseado em um curta de mesmo nome
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:11 AM
Discorde
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Nem chôro por causa minha
Por causa minha já brigaram, mas não me importei não. É coisa que acontece, meu pai diria, mas ainda nunca choraram por causa minha. Pessoas sem coração já viveram outras vezes aqui nesse mundão. Mas não muitos, creio eu.
Agente nasce, cresce e morre. É as leis de Deus. Às vezes somos felizes em uma dessas etapas. Única certeza é que na primeira agente chora, chora por agente mesmo. Quando morrer talvez, também alguém chore. Pra crescer agente deve ser feliz, acho que é por isso, que ninguém chora por causa minha.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:11 AM
Discorde
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O pensamento anterior
"Eu sou bonito, hoje beijo uma mulher... mas ele é mais, um pouco mais, só. Muito mais na verdade. De que eu estou falando? Que você o acha bonito ora, não há nada de errado nisso. Mas eu sou homem porra! Concentração: Mulheres, mulheres, Michelle... nua... isso, isso... Michelle, seios de Michelle. Uma espinha?! Michelle, seios branquinhos, quase cor de rosa, a boca... se abrindo e me mandando tomar no cu. Cadela-Vadia-Desgraçada! Hoje você não me interessa. Hoje é uma grande noite. Hoje todo mundo estará lá. Todas as mulheres. Somos bonitos afinal. E se não rolar... Se não rolar vamos beber até cair, às vezes beber entre amigos é melhor que ficar com mulheres. Mas hoje não, hoje eu garro. É, garro mesmo. Não volto pra casa sem beijar uma... Nem que seja à força!"
"Caralho! Onde estamos? Que merda... ta girando. Calma! Calminha... O que você vê? A sim, dentro do carro, carro em movimento! BR! Mmmmmmmhauhauahahuahahahua! Caralho! Qual é a graça mesmo? A Vodka, sim claro, Vodka. E a sensação é agradável. Mmmmmm.... Isso... é uma mulher, caramba... me chupando... Mmmmmuahauhahuhu! Parece que... parece que ela ta se levantando, a saia! A saia! Isso! Puta-que-pariu! Que que isso, Caralho! Maior que o meu!
Tá bom, tá bom. Já se lembrou o porque. Agora concentre-se na pedra."
"Dia lindo. Nada de bebida hoje! Nada. Nem se aquele filho-de-uma-puta-arrombada ganhar de novo. Nananinanão. Nem se ele... Foda-se, hoje eu ganho, no jogo e na briga. Aquele filho-de-uma-égua. Dia lindo, esse. Olha o moleque olha, esse raça ruim que eu tenho que amar já que é filho da minha vagabundinha. Linda ela. Linda! Mas o que importa é que aquele filho-de-uma-égua-vai-tomar-no-cú-hoje. E se não? E como não? Com certeza vai, e mesmo se não for, o que não vai acontecer, eu não bebo hoje. Sou um homem mudado, prometi prós homi. Hoje não bebo. Não bebo. A não ser que ocorra um milagre, e o filho-de-uma-puta ganhe de novo, não só ganhe..."
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:11 AM
Discorde
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| Propósito |
| Fazer algo que presta de vez enquando |
| Outros subversores de mentes |
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| Eu |
Sou
um sujeito de 20 anos que mora em uma cidade do interior, logo,
não podem me pegar.
As únicas informações que posso passar por hora é que eu estou cursando o segundo periodo de Jornalismo, mas me interesso também pelas áreas de Filosofia, Psicologia, Religião, Matemática, Física Quântica, Sociologia, Antropologia e a maioria das ciências.
MSN:Trunkael hotmail
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