Sexta-feira, Dezembro 31, 2004


Jogando na fogueira

Pelo que parece o Inquisitor voltou a funcionar. Mais politicamente-incorreto do que antes, e com um toque de humor negro. Vão lá, e tenham um ódio gratuito de nosso sacerdote ^^.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:33 AM

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Segunda-feira, Dezembro 27, 2004


Sobre o Natal que já passou e o Ano Novo que está chegando

Desejo um feliz natal (ainda qu atrasado) a todos que visitam esse blog. Que o seu Deus pessoal o abençoe para entrar firme nesse próximo grande ano.

Nada melhor que a benção, afinal, ela tem todo o poder que você der a ela.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:32 AM

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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004


Projeto IS - Capítulo I

Ele já tinha ouvido falar de uma teoria sobre a água benta. Era água comum, mas ainda sim água sagrada. Não mudava nada em sua estrutura molecular, a água é a mesma para si própria, no entanto não é a mesma para aqueles que tem consciência de que é benta. Também se lembrava vagamente sobre cada deus ter o poder que o ser humano der a ele, e depois lembrou que aplicou somente a deuses o que, no entanto, poderia ser aplicado a qualquer coisa. Não mudava para si próprio, mas sim para os outros. Por isso ele não se exaltou quando foi chamado.
Agora que ele entrava naquela casa abandonada algumas respostas vinham instintivamente à cabeça. Aquilo que lhe disseram sobre acreditar finalmente fazia sentido. Ele, em si, não acreditava de verdade, mas já conseguia contar boas histórias, e fazendo as pessoas acreditarem nele ele começava a ter mais poder do que pensava ser possível. E para provar, estava dentro da Casa.

Quando era pequeno ele já tinha visto a Casa, apenas uma vez, pois mora do outro lado da cidade, e naqueles tempos ele não ia muito longe do bairro, viu a Casa apenas quando foi pescar com o tio num lago próximo. A Casa não lhe causava tanto calafrio como hoje. Parece que as crianças gostam mais de medos imaginários do que medos reais. Se o tio o dissesse que tinha uma bruxa morando lá dentro talvez ele nunca teria a coragem de entrar hoje. Essas coisas duram muito mais tempo do que imaginamos.

Mas ele já estava dentro e já ouvia os murmúrios. Nesse segundo ele pensou sobre quantas vezes quis entrar para um grupo conspiratório. Quase riu alto quando percebeu, mais uma vez, que era real. Já avistava a luz tremulante das velas, e o cheiro... bem, o cheiro não era muito agradável, no entanto não era especialmente nocivo (e não se assemelhava nem um pouco com maconha), deve ser um cheiro impregnado na casa há décadas, fungos, fezes de ratos, milhares de cadáveres de insetos, depois de alguns minutos se acostumou.
Devo salientar que naquele corredor nenhum rato passou por debaixo da perna dele, nenhuma aranha caiu na cabeça dele e nenhum morcego saiu do teto para assusta-lo, essas eram as três possibilidades de susto que ele (e outras tantas pessoas) esperam inconscientemente quando entram em uma casa desse tipo. Não aconteceu, e ele se perguntou se eles limpam a casa às vezes, descartou a idéia logo em seguida e chegou à sala. Lá estavam eles.

Eram todos mais velhos do que pensava, exceto um garoto de olhar assustador. O Garoto o encarava sem piscar, olhava nos olhos dele sem constrangimento. Virou a cara para o lado, observando cada um dos membros do que eles chamavam de Projeto IS. Ele nem imaginava o que significava essa sigla, e também não se atreveria a perguntar, não agora.
Olhou todos num tipo de saudação silenciosa e sentou no chão fechando o círculo. Evitava os olhos do garoto, e ficou sem saber para onde olhar enquanto permaneciam em silêncio. O que parecia o líder o salvou chamando a atenção de todos ao limpar a garganta e proferir:
"Hoje é um bom dia, é solstício de inverno, e dia de iniciação... Um novo membro está prestes a fazer parte de nosso grupo."
Todos olharam para o recém chegado e balançaram lentamente a cabeça em sinal afirmativo. O líder ainda segurou o silêncio por mais tempo do que ele achava necessário e continuou:
"Aqui você vai ganhar três coisas, mas vai perder outras três antes. A primeira coisa que você perde é a identidade. A segunda é a personalidade. A terceira é o self... E não se engane pensando que as três são a mesma coisa. Descobrirá que são bem diferentes."
Começou um pequeno cochicho e o líder calou-se esperando silêncio. Os membros pareciam bem exaltados agora. Pareciam fazer conjecturas sobre a força de vontade do novo iniciado.
"E as três coisas que vai ganhar você deve procurar nos próximos três anos. A primeira é uma Nova Identidade, a segunda uma Nova Personalidade e a terceira é uma conclusão sobre seu 'Novo Eu'..."
Mais uma vez houve cochichos entre os membros (agora ele sabia com certeza que eram seis, além do garoto e do líder), comentaram sobre as múltiplas faces do self. Coisas fora do seu contexto, uma discussão tão antiga que só quem estava nela desde o começo poderia entende-la.
"Devo lhe dizer que não é uma busca fácil. Você vai perder muitas coisas mais, e se não está preparado para deixar coisas e pessoas para trás é melhor nem começar a jornada. Pois nela você não ganhará nada mais que a si mesmo."

...continua...


posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:11 AM

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Sábado, Dezembro 18, 2004


Pausa

Desculpem a falta de posts, é que o começo de férias é meio improdutivo, algo como tentar organizar um tipo de (argh) rotina. Basicamente tenho assistido filmes, muitos filmes. Comentarei apenas os mais interessantes com posts iguais ao de baixo. Acabei de assistir um desses bons: "Peixe Grande", o que posso dizer de imediato é que é um filme maravilhoso, superando em muito as expectavivas. E deixo minha moção de repúdio ao Drácula 3000, o filme mais asqueroso do milênio. Os demais comentarei em seu devido tempo.

E como estou sem inspiração, vou imitar o John e BM, escrevendo posts sob encomenda. Coloquem um assunto no comentário que eu escrevo sobre.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:23 PM

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Filme - Anjos da Noite (Underworld)

Por muito tempo fiquei na expectativa de um filme de vampiros que seguissem as regras do RPG da WhiteWolf. Finalmente, após filmes ridículos como Blade e o (asqueroso) Drácula 3000, um superou as expectativas.
Apesar do título (que tem a ver anjos com vampiros?) o filme é muito bom, as cenas são parecidas com Matrix (tem bastante clichês e situações previsíveis também), não tem nenhum ator famoso, tanto os vampiros como os lobsomens são fortes, não há estacas e a protagonista, Selene, é linda e fria.

Funciona como um jogo de xadrez de mil anos, enquanto vampiros ricos e altamente tecnológicos caçam lobsomens sem nem lembrar mais o motivo, os licantropos se escondem no submundo esperando o tempo certo de atacar. Ambos tem interesses nessa guerra, e na subseqüente paz.
Existem 3 anciões: Amélia, Viktor e Marcus, os mais antigos e mais fortes vampiros. Eles revezam o "governo", cada um "vive" por cem anos enquanto os outros dois permanecem em torpor.
Os lupinos estão atrás de um humano descendente direto de Alexander Convinus (seria nosso Caim, o primeiro imotal, pai do primeiro vampiro e do primeiro lobsomen) para tentar uma junção das raças que seja "mais forte que as duas".
Kraven, líder da assembléia (nossa camarilla) da primeira casa, ganhou fama por ter matado Lucius, chefe dos lobsomens, que Selene descobre estar vivo e fazer parte de um acordo com primeiro.Enquanto Lucius ganharia sua abominação, vingança e trégua, Kraven ganharia o poder de todo o conselho.
Descobrindo essa conspiração, Selene desperta Viktor seu senhor (que mais tarde descobriremos ter matado toda a família dela), adiantando em um século sua cerimônia do despertar, para se aconselhar, o que só era permitido aos anciões, e tomando a desconfiança de seu mentor está sozinha na jornada contra a conspiração de Kraven.
De final teremos 2 anciãos "mortos", e um terceiro sendo acordado pelo sangue de um Lycan.

Não sei muito sobre os lobsomens de "Mundo das Trevas" (que no filme são chamados de Lycans), por isso me prendi mais nos vampiros, tentando adivinhar de qual clã era cada personagem, fiquei em dúvida se nossa protagonista era Bruja ou Gangrel pelo seu instinto guerreiro e sua impetuosidade em arrombar portas com um chute, mas pelo que parece é uma Tremere, e não porque é meu clã favorito, é que o senhor dela, Viktor, o mais velho e mais forte dos anciãos vivos, parece usar o nível 3 da linha do sangue na luta final contra Michael (a abominação).
Kraven com certeza é um Ventrue, nas palavras de Selena: "um burocrata". O exército de vampiros parece ser formado principalmente de Brujas. Érika é possivelmente uma Toreador, assim como Amélia (a anciã). Marcus o 3º ancião, descendente direto de Alexander Corvinus não aparece desperto no filme, assim não há como fazer conjecturas sobre sua linhagem.

O fato é que esse é um dos poucos filmes de vampiro que mostra todo o glamour que a eternidade pode proporcionar, traço marcante no RPG "Vampiro A Mascara". É como se fosse uma grande aventura narrada pelo diretor, de maneira racional e desafiadora. Por essas qualidades na história e excelente produção esse filme se torna o segundo melhor filme de vampiros (na minha opinião), onde o primeiro é o inigualável "Entrevista com o Vampiro".


posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:18 PM

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Segunda-feira, Dezembro 13, 2004


Sobre aquilo que eu não sei explicar

Tudo bem, tudo bem, realmente dói pra caramba quando se cai de bicicleta, muito sangue correu. E muito ainda há de correr, e alguém uma vez disse que só quando o sangue jorra é que sabemos que estamos vivos. Mas a queda não vem muito ao caso, pois "o que é a dor física perante a dor espiritual?" E vamos usar essa frase de um autor desconhecido para continuar. O que seria a dor física: algo que passa. Ao contrário da espiritual que é crônica. E agora vamos dar exemplos: o que seria tomar um fora, diante do arrependimento de não ter tentado? É mais ou menos isso que quero dizer, esqueçam as meninas e as bicicletas, são metáforas, todo o texto é.
Eu tenho vontade de pular de pára-quedas e você? Será o ter tão importante a ponto de esquecermos o ser? Faça o que queres e cuide para não ter o que não quer, é simples. Serás capaz de colocar os dois na balança e comparar?
Uma pessoa simplificou: "trata de coragem". É isso, coragem, isso e mais coisas, algo como prova, algo como prêmio. Se dar o direito de fazer coisas que durante os seus 20 anos te disseram que era errado. Quebrar regras, sim, é um pouco disso também.
A vida se acaba é um segundo de cada vez.

Mas suba aqui, no topo desse pequeno morrinho, agora tire os óculos e veja você mesmo, é, é alto sim, agora olhe pra baixo e veja as pessoas, sim, aquilo são muletas, tire as suas e olhe novamente. Se sente livre? Mas tem medo, pois é, eu também tenho. As minhas estão ali ó, to aprendendo a andar ser elas pelo menos 10 minutos por dia. Medo de cair? Claro que tenho. Mas o narrador disse uma vez que só quando vemos a proximidade da morte que sabemos o valor da vida. Você já esteve perto da morte antes? Precisa ver como as pessoas que já estiveram muda. Tente ser enterrado vivo, também funciona.

Sei lá. Leiam isso. E isso. Também isso.
Pois é, esses ai conseguiram explicar aquilo que não consegui.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:12 AM

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Sábado, Dezembro 04, 2004


Sobre meninas e bicicletas

Na noite passada fiquei pensando sobre um dos piores sentimentos que podem incidir em uma pessoa prepotente: a decepção de uma derrota por indiferença. É aquele sentimento que nos assalta quando percebemos que éramos capazes, mas, talvez pelo egocentrismo e demasiada confiança em nossas habilidades, deixamos a sorte decidir nosso destino. Assim como ao andar de bicicleta em alta velocidade soltar as mãos e sentir o sabor da liberdade em forma de vento.

Por isso eu lembro das meninas medrosas que não soltavam as mãos quando andavam de bicicletas. Enquanto caçoávamos de seus medos, elas pensavam no quanto seria bom se batêssemos em uma pedra e rachássemos a cabeça no chão. Sabemos que no fundo elas também gostariam de se render à liberdade de fazer algo perigoso, mas se agarram à segurança de permanecerem intactas.

Temos então dois lados de uma situação que não tem resposta definitiva (tudo depende do contexto), mas vamos colocar dois sujeitos em discussão apenas por diversão. De um lado o Sujeito Moderno, e do outro o Sujeito Pós-moderno. Como o primeiro é mais antigo ele começa a discussão:

"Claro que elas estão certas ora, porque se arriscar a um efêmero sentimento de liberdade enquanto podem manter a segurança e estabilidade?"

O nosso Sujeito Pós-moderno pensa em falar sobre o que vale essa tal segurança se a vida é tão frágil a ponto de a perdermos das mais diversas formas possíveis. Pensa sobre textos que falam do medo de morrer como "Quase" de Luiz Fernando Veríssimo ("porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.") ou o de Jorge Luiz Borges traduzido pela música "Epitáfio" dos Titãs. Mas Pós-moderno é o prepotente, ele acha que seu irmão mais velho não consegue entender tanta intertextualidade, então replica em termos simples e científicos:

"Posso citar os alquimistas que não deixaram de fazer ciência mesmo com a ameaça da inquisição. E nos tipos de mitos que ainda acreditaríamos se os 3 filósofos de Mileto não tivessem questionado a natureza das coisas. Na certa ainda pensaríamos que Deuses com personalidade humana governam o andamento da história do mundo. Mas vejamos na biologia: que seríamos hoje se as células fossem comportadinhas como suas meninas em uma bicicleta? Não passaríamos de um ser unicelular, pois toda a evolução biológica começa com a "rebeldia" das células. E citaria o próprio universo que se negou a ficar parado como uma bola de energia para se expandir por toda parte, e que ainda se nega a ser compreendido."

Ele pensou em citar o gato quântico, para perguntar se estava vivo ou morto naquela caixa mas pensou prepotentemente como só um Sujeito Pós-moderno pode pensar, que o Moderno não entende de física quântica. Apenas deu entonação no final da frase e esperou resposta. O Sujeito Moderno rapidamente retorquiu com os exemplos claros de uma escola de modelo brasileiro.

"Você não está de todo errado, mas uma coisa não contradiz a outra, não estamos falando de ciências aqui. Veja nas escolas, nenhum aluno é avaliado pela sua criatividade ou improviso, mas sim pela visibilidade de seu esforço (expresso em notas), ninguém é avaliado pelo que realmente sabe mas sim pela sua capacidade de responder as perguntar de uma prova. E ainda posso citar o mercado de trabalho que não quer conhecer a psiquê de seus candidatos e sim os números que eles apresentam. Ou você acha que eles tem tempo para estudar sua mente extremamente criativa para te contratar? Tsc, tsc, enquanto os tais criativos (egocêntricos, hedonistas e prepotentes) abusam da sorte passando com notas baixas, hoje são as meninas que outrora você chamou de medrosas é que ocupam o mercado de trabalho."

"Hum..." pensou o Pós-moderno, apesar de não ter gostado do sarcasmo sobre sua mente criativa: "então ele sabe argumentar, mas":

"Você esqueceu de uma coisa em seu discurso: embora as meninas sejam absorvidas facilmente pelo mercado, são os meus criativos que se destacam, apenas os diferentes se destacam, se todos sucumbissem à sua teoria de estabilidade logo teríamos uma massa de seres humanos vivendo conforme as leis prescritas de um tempo que já virou história."

Moderno achou desnecessário esse comentário de mau gosto sobre a sua idade mas não se deixou abater:

"Enquanto minhas meninas estão lindas e perfeitas você está cheio de cicatrizes"

Mas Pós-moderno já tinha o sorriso da vitória no rosto, apenas deixou uma frase famosa no meio anarquista/subversivo:

"'Eu nunca quis morrer sem cicatrizes'"

E sem entender muito bem, o Sujeito Moderno continuaria a discussão levando-a a um patamar que não nos interessa, por isso deixaremo-os de lado por um instante, para continuar a falar do sentimento ruim, das bicicletas, das meninas e seu medo de cair em uma investida para a liberdade.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:45 PM

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Magia

Ela, pequena, olhava perplexa para as mãos vazias do garoto. Seus olhos brilhantes surpresos pediam: "Faz de novo?", ela não queria dizer, só pensar pois pedir, suplicar para que ele repetisse era um ato infantil por demais e essa criancice já não combinava com seus bem vividos 8 anos. Mas não conseguiu evitar: "Faz de novo?" Pediu. Leonardo, no alto de sua prepotente glória que só gente pequena consegue ostentar depois de uma vitória recusou: "Não", uma recusa áspera e breve como um tapa na cara, e antes que os olhos de Laís se enchessem d"água completou docemente com um sorriso: "Apenas uma apresentação por pessoa, tá lindinha..." e apertou as bochechas dela como se fosse a coisa mais certa a se fazer com uma criança que estava prestes a chorar. Era quase adulto em seus 10 anos, sabia que deveria tratar as crianças com cuidado.

Talvez pela pequena diferença de idade, talvez pela precoce maturidade que contaminam as meninas de 8 anos, Laís se sentiu duplamente humilhada. Respeitava-o, é certo, ele era um mago, nem os adultos sabiam fazer moedas sumirem das mãos e aparecerem por trás das orelhas de seu espectador. Respeitava mais odiava-o, o ódio mais forte que uma criança pode sentir em toda sua criancice adulta. Controlou-se para não pisar com força no pé dele e sair correndo, não, ela teria que pensar rápido em uma resposta ferina que machucasse o ego inflado do garoto antes que ele virasse as costas, tinha que liquidar a situação da forma mais adulta que sua pequenez permitisse, e num tiro no escuro, uma jogada de pura sorte deixou escapar: "Aposto que não sabe fazer com duas moedas ao mesmo tempo". E engoliu seco esperando a resposta. Ele continuou olhando para ela, mas seu sorriso sumia do rosto, ficou apavorado, não poderia perder tão facilmente o respeito recém adquirido. Pensou em repetir o truque, pois esse era o pedido da pequena garota, mas era tarde demais, ela o desafiara, e ele não queria testar a inteligência daquela pequena moça, em sua mente vinha a imagem de Laís, em toda sua pequenez, rindo dele e espalhando para todos. Ele não sabia, realmente não sabia, e estava desesperado por isso, não podia fazer com duas, não podia nem sequer fazer com mais de um espectador, pois o outro veria a moeda. Abriu a boca para falar mas sentiu ainda mais medo quando a pequena mulher de 8 anos esboçou um sorriso.

Tinha conseguido, apostou todas as suas fichas nessa resposta e agora ela via o medo estampado no rosto dele. Era o começo de um sorriso triunfante. Tinha dado certo. E ria, tanto da sorte quanto do desolado semblante de Leonardo. Esperta que é não demorou, não poderia dar tempo para que ele pensasse em uma resposta, mesmo sabendo que os meninos tem raciocínio muito lento não demorou, deu uma piscadela para ele, daquelas piscadelas com todo o rosto que só as menininhas de 8 anos conseguem dar e recitou: "Não se preocupe ..." deu uma pausa para saborear o momento de vitória "... eu não vou contar para ninguém, tá?" piscou mais uma vez e virou as costas, para não dar nenhuma chance ao mago, voltando saltitante para casa.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:43 PM

Discorde ()


Propósito
Fazer algo que presta de vez enquando
Outros subversores de mentes
Eu
Sou um sujeito de 20 anos que mora em uma cidade do interior, logo, não podem me pegar.

As únicas informações que posso passar por hora é que eu estou cursando o segundo periodo de Jornalismo, mas me interesso também pelas áreas de Filosofia, Psicologia, Religião, Matemática, Física Quântica, Sociologia, Antropologia e a maioria das ciências.

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