Propósito
Fazer algo que presta de vez enquando
Boas Pessoas
Eu

"Sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco"

E-Mail: trunkael yahoo
MSN:trunkael hotmail ICQ:96643492
Orkut

Grupos
Stats

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005


Frase

"Dançamos em círculos e supomos, mas o segredo senta no meio e sabe" (Frost)


posted by TRUNKAEL H MAIRS 10:19 PM

Discorde ( )



Sobre as coisas da vida

- Esse 'textão' ai de baixo foi bastante interessante de escrever. É basicamente uma paráfrase (ou seria paródia?) de uma cena de Clube da Luta, mas com alguns recursos linguisticos bastante interessantes e também alguns segredos. Olhando assim ele parece muito grande, mas são apenas 4 páginas de word. É bem provavel que tenha erros de português ou de concordância, não teve como imprimir e fazer uma leitura aprofundada. Eu gostaria de um pequeno comentário crítico de vocês. Digam, sei lá, a primeira sensação depois de ler pela primeira vez. Não sei.

- E sobre o blog as atualizações serão totalmente exporádicas, de vez enquando liberam o blog aqui na faculdade (como agora) mas bloqueiam logo em seguida. E como ainda não estou fazendo o estágio eu não tenho acesso a um (bom) computador para digitar meus textos. Nada está realmente definido, mas pelo menos uma vez por semana vou tentar atualizar.

- Eu gostaria também, que vocês colocassem no comentarário um assunto que eu possa explorar. É aquele jogo do blogueiro que não tem assunto e que pega idéias alheias. Então dêem uma mãozinha dando uma sugestão de post ^^.

- Ah! E eu to mudando o template que já tava fazendo aniversário ^^.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:39 PM

Discorde ( )



Um sacrifício humano

A noite não estava necessariamente fria, mas Stherfesson sentia calafrios, nunca estivera tão tarde dentro do metrô. Manteve a cabeça baixa o tempo todo, evitava movimentos bruscos, fingia irritação.
"Tem horas?" Stherfesson sentiu a espinha gelar. Demorou alguns segundos para ter coragem de se virar para o sujeito e dizer que não tinha relógio. Ele tinha relógio, mas estava tampado pela manga da jaqueta, poderia dar dinheiro, mas o relógio era especial para ele.
"Não." De certa forma sua voz saiu firme, como uma defesa natural de intimidação.
"Engraçado" E deu uma pausa para tragar o cigarro, o que fez Stherfesson estremecer novamente. O sujeito falava calmo demais, sua voz meio rouca parecia ricochetear pela sua alma. "Engraçado, eu vi você olhar as horas umas 50 vezes nos últimos 10 minutos. Você parecia estar nervoso" e deu mais um trago, esperando resposta.
"Desculpe, é que..." gaguejou um pouco, demonstrando claramente que o sujeito estava certo. "Você sabe como é, hoje em dia não se pode confiar nas pessoas não é?" Foi uma jogada desesperada, tentava ganhar a confiança do sujeito, mostrar que não era dele que Stherfesson tinha medo. Aparentemente deu certo.
"É, você está certo, pode me dizer às horas então?" Agora o sujeito tinha um sorriso nos lábios. Um corajoso, pensou.
Quando ele ia tirar as mãos do bolso resolveu tentar mais um golpe de sorte. Olhou para frente, onde tinha o relógio da estação e lhe respondeu olhando o grande relógio de ponteiro. "São onze e vinte e sete."
O sujeito não pareceu encabulado, apenas se aproximou de Stherfesson e lhe deu uma baforada na cara. "Bastante esperto você" e tragou novamente "creio que desconfia que eu seja um tipo qualquer de assaltante. Vou lhe dizer uma coisa" e olhou para os dois lados "se eu quisesse já tinha te matado e roubado até suas roupas" e fez com a mão como se atirasse na cabeça dele "veja, não há ninguém por aqui" tragou mais uma vez, jogou a guimba no chão e pisou num gesto bem teatral.
"Eu te dou o dinheiro" falou quase sem voz.
"O que?" tinha mais tom de exclamação do que de interrogação "vai me dar seu dinheiro?" deu uma risadinha irônica "dessa vez não vai se utilizar de sua irônia e me mandar trabalhar? Não cara, não quero seu dinheiro." Pegou o cigarro que estava atrás da orelha e o acendeu com um isqueiro metálico que não parecia barato. "Qual seu nome garoto?"
Stherfesson silenciou, a primeira coisa que lhe passou à cabeça foi que o sujeito parecia mais novo que ele, então não havia motivo para chamá-lo de garoto. Mentiu indeciso: "João..." engoliu seco "e o seu?" e mais um sorriso brotou no rosto do sujeito. "Me chame de JC, é assim que sou conhecido por aqui. Pois bem João - está sentindo frio? Você está tremendo cara - vejo que está com medo" Stherfesson abaixou a cabeça, apesar de sentir frio um pouco de suor escorria pela sua testa "Posso lhe dizer que o único medo que a ser humano realmente tem é de morrer. Observe que implícito no medo de ser assaltado está o medo de ser morto pelo assaltante. Instinto humano de sobrevivência que fala mais alto." Deu mais um trago e começou a dar alguns passos como se quisesse alcançar as palavras. "O ser humano tem uma cadeia de necessidades, a base dessa cadeia são as necessidades físicas. Depois vem outras por ai, sei que entre elas tem a segurança." Mais uma pausa para um trago "A insegurança é uma ilusão sabia? Uma ilusão, coisa que colocaram em sua cabeça a muito tempo atrás, algo como... como Deus por exemplo, um grande bicho-papão em baixo de sua cama para sempre."
Stherffeson começou a escutar o barulho do trem, uma rajada de alivio invadiu sua alma. Virou o rosto para o túnel, como se quisesse mostrar o ruído. JC estava a dois passos dele, deixou o cigarro descansar entre seus dedos e fez que já tinha percebido. Stherfesson desencostou da parede, e num rápido movimento JC ficou a meio passo dele com um canivete (daqueles que se abrem ao meio, de maneira quase complexa) encostado em sua barriga. "Quietinho ae João, que eu ainda não acabei. Encosta ai e fica frio." E deu um sorriso sarcástico, como se sentisse a alma dele murchar.

O trem chegou. Parou. Abriu as portas. Fechou as portas. E se foi.

Stherfesson sentiu seu coração bater tão forte que achou que ia estourar dentro do peito. Ele nunca tinha vivenciado uma situação parecida. Ele nunca tinha sequer brigado na infância, protegia sua covardia com o clichê de paz e amor. E agora tinha uma faca (ou seja lá como se chama isso) encostada na barriga, ele podia sentir a ponta ranhando sua pele. Segurou para não mijar nas calças, respirou fundo e suplicou: "Pode... Pode Levar tudo" estava ofegante, a emoção impedia de falar uma frase maior, parou para respirar. E tirava lentamente a carteira do bolso. "Pode levar" E a deixou cair. Ele quase vomitou por causa desse erro. Não se abaixou para pegar, murmurou: "Desculpe" e as lágrimas rolavam sua face.
"Não quero sua carteira" se divertiu um pouco com a visão de um homem prestes a ter um colapso nervoso e guardou o canivete. "Pegue sua carteira."
Permaneceu estático. "É o relógio não é?" e se amaldiçoou mil vezes em pensamento por ter feito a brincadeira do relógio enquanto o tirava. "Tome... eu... é que ele é especial para mim."
Ele deu um tapa na mão de Stherfesson e o relógio foi lançado a uns 10 metros. "Qualquer coisa tem o valor que você der" tragou uma ultima vez e jogou a guimba entre as pernas de Stherfesson. Pisou-as. "Tem cigarro ai?"
"Nã... Não. Não fumo."
Ele apenas fez um tipo de careta. "A bíblia por exemplo. Para mim não passa de um tanto de folhas inúteis." A falta de cigarro o deixava um pouco nervoso, e isso deixava Stherfesson ainda mais nervoso, pela primeira vez ele queria ser viciado em nicotina.
JC pegou o canivete no bolso e começou a brincar com ele. Abria com um movimento rápido e perfeito, o fechava com a mesma perfeição. Stherfesson não se arriscou a perguntar quanto tempo ele teria treinado para conseguir fazer aquilo. "Folhas inúteis. Acreditas na bíblia sagrada João?" Ele ficou calado, não sabia qual resposta era a correta. "Deixe pra lá, não era só isso que eu falava. Era sobre a segurança, se lembra? A segurança e o medo da morte." E deu uma pausa para apreciar a aflição dele. "Uma vez um cara disse que nossos pais inserem em nós todos os medos que eles tem. Um pouco adiante a sociedade vai inserir ainda mais medos. A mídia vai cuidar para que imagens de morte fiquem sempre frescas em nossa mente. 'Não há como escapar de um inimigo que vive dentro de você' João." Gesticulava e dava passos de um lado para o outro enquanto falava "O medo é mais onipresente que Deus nesse mundo, e é por isso que muitos se apegam a Ele: O grande criador da hipocrisia humana."
Que diabos esse cara está fazendo - se perguntava. Estava um pouco mais calmo agora, apesar de assustar em todas as vezes que ele abria o canivete.
"Mas nesse exato momento eu tomo para mim o poder de Deus." E se aproximou encostando a faca na garganta dele. "Veja! Tenho o poder de te matar, e nem preciso fazer muita força. Ele tem o poder de criar, e agora eu tenho o poder de destruir."
O coração de Stherfesson pulou mais uma vez. Mas dessa vez pensou em fazer alguma coisa. Quando JC afastasse o canivete ele o empurraria e correria. Era uma idéia meio estúpida, mas em situações assim sempre há a possibilidade de fazer uma coisa estúpida.
"Um corte no seu pescoço e você morreria engasgando em seu próprio sangue." Uma gota de sangue se formou na ponta do canivete, e ele decidiu provar do sangue. Mas antes de aproximar a faca da boca o olho de Stherfesson brilhou. Esse em um movimento desengonçado tentou empurrar JC, que mais do que rápido segurou-lhe o braço esquerdo e o virou dando uma chave de braço. Apertou-lhe o pescoço e aproximou a lamina do olho dele.
"É podemos fazer do jeito mais difícil se você prefere assim. Vou quebrar seus joelhos e assim você vai ficar quieto ai no chão. Apenas escutando."
Primeiro foi só um grunhido, seguido de um tipo de "não, por favor não" bem desesperado. Ele começou a ter certeza da morte.
"Agora vou te soltar e você vai encostar nessa parede do jeitinho que você estava antes ok? Se não eu corto sua garganta está bem?" Quando chegava no final da frase JC aumentava o tom de voz.
"Sim, sim." Suas palavras vinham juntamente com os novos soluços.

O largou lentamente pressionando a faca em suas costas, e ele devagar se encostou de novo na parede, agora com as calças molhadas. JC não pode deixar de sorrir.

"Viu! É disso que eu estou falando. Se não fosse as pessoas te dizendo o que você deve ou não fazer desde pequeno você não estaria molhando as calças em pleno metrô. Você..." ele coçou a nuca como se tentasse resolver um grande problema "Você não se envergonha? Não se envergonha disso?" e apontou as calças molhadas dele "Você é um maldito adulto... cara... Vamos recomeçar... O medo, veja, isso é medo" e aponta novamente as calças "Sabe por que sentimos tanto medo de morrer? Por que sonhamos com uma vida melhor. Você precisa de um carro, uma casa uma família. Você precisa de um futuro perfeito onde as pessoas te adoram. E adivinha quem colocou esse maldito objetivo em sua cabeça e disse que esse é o significado de perfeição?"
Stherfesson apenas murmurou, adivinhando a resposta: "Os mesmos que colocaram os medos..."
JC parou com sua gesticulação um pouco, mal podendo acreditar no que ouvira. O maldito garoto mijado o estava escutando.
"É isso... Te fazem acreditar em coisas que não existem, querer aquilo que não pode ter e temer tudo que é diferente. O medo é a forma de controle mais útil que sempre existiu. Por que você acha que criaram o inferno? Pelo mesmo motivo que aqueles que estão fora do sistema capitalista, são chamados de fracassados." Ele deu uma pausa e olhou para Stherfesson, queria ter certeza que estava sendo entendido. Parecia que sim. Abaixou e pegou a carteira que ele tinha deixado cair. Abriu-a e deu uma olhada nela toda como se procurasse algo, não era dinheiro, dava para perceber.
"Você é feliz Sterr... que diabos de nome ...Stherfesson? É feliz Stherfesson?"
Ainda em silêncio.
"Vamos, não é uma pergunta difícil, digamos que a felicidade é a satisfação de todas as suas necessidades, lembra-se da cadeia de necessidades? E então, é feliz?"
Ele abaixou a cabeça olhando para o lado que o relógio caíra.
"Não."
"Certo. Você parece uma pessoa que pensa bastante no futuro. Deve ter feito uma lista de coisas que você vai comprar, ou que vai fazer não é?"
Balançou a cabeça: "É"
"Bom. Observando a cadeia de necessidades de um tal Maslow, físicas, segurança, sociais, estima e auto-realização, lembra disso? Pois bem, o que você precisa hoje. Hoje não... digamos agora, para se sentir feliz."
Ele pensou por alguns instantes. Olhou a calça molhada. Deixou escapar um tímido sorriso: "Um bom banho para começar".
JC virou e coçou a nuca novamente, num gesto que demonstrou uma certa irritação. "É. Fui imediato demais, vamos, paradoxalmente, usar o tempo. O que você precisa para se sentir feliz essa semana? Um emprego novo? Uma namorada? Um mergulho no oceano? Viajar milhares de quilômetros para ver as vacas na Índia?"
Dessa vez ele não hesitou: "Queria bater no meu pai." E socou uma cabeça imaginaria na mão esquerda "Espancar sabe. Bater até que minha própria mão se quebre." Dava para perceber ódio entre as lagrimas nos olhos dele.
JC ficou estático. Tinha libertado algo no garoto. Possivelmente ele nunca tinha falado assim com ninguém.
"Parece que ele não foi um bom pai não é?"
Esfregava o punho direito na mão esquerda: "Não, não foi não"
"Claro que não vou dizer para você ir lá e espanca-lo, mas você pode fazer..."
"Ele está morto." cortou "Não tem como 'ir lá e espanca-lo', morreu já"
"E além de espancar seu pai. Digamos que a morte dele foi o bastante para estancar seu ódio por ele. O que você faria além disso?"
"Ele estava velho. Era doente sabe." Esboçou um sorriso que por alguns segundos pareceu ser maligno "um dia ele estava em casa sozinho e não conseguiu tomar os remédios. Quando cheguei já estava frio."
"Ok. Ok. Mas seu objetivos. Me diga seus objetivos."
"Sei lá. Na minha lista tem umas viagens. Talvez eu precise de um emprego novo, detesto minha chefe."
"Mas o que você queria ser João, o que sempre sonhou em ser?"
"Não sei... Eu só pensava em não ser eu mesmo. Queria ser qualquer outra pessoa."

"Isso! Ser outra pessoa." Parecia estar de saco cheio da complexidade psicológica de Stherfesson "Você não gosta da sua vida e quer mudar tudo. Ótimo! Essa é a resposta. Agora..." E abriu o canivete "Agora eu vou te matar"

O coração de Stherfesson disparou novamente. "Mas... Você disse"
"Não, eu não disse que te pouparia" Aproximou o canivete do pescoço dele. "Eu sei onde você mora, sei onde trabalha. Vou ficar com todos os seus documentos e você vai mudar de cidade, uma bem longe, o mais longe possível. Não vai manter contato com ninguém que você conhece. Se quiser mudar de nome diga de uma vez, pois seu verdadeiro nome é ridículo." Ele faz a ponta do canivete passear pelo abdômen de Stherfesson.
"Uma ultima coisa. Se você voltar para cá. Conversar com alguém por telefone. Ou reatar qualquer tipo de laço que lhe faça lembrar da sua antiga vida eu mato você. Entendeu? Mato você." Encostou o canivete em sua garganta. "Corto sua garganta e você vai afogar no próprio sangue." Tirou e lambeu a gota de sangue na ponta dessa vez.
"Agora vá para sua casa e tome um banho, está precisando"
Stherfesson pegou a carteira da mão de JC e começou a andar lentamente. Quando se aproximou do relógio o chutou para longe. Ele só conseguia pensar no banho que tomaria quando chegasse.
JC permaneceu parado por um tempo. Olhou para Stherfesson andando lentamente. Olhou para o teto. 'Será que fui mole demais dessa vez?' Pensou. 'Ele é o primeiro que não sai correndo. Acho que preciso renovar meus métodos...' olhou para ele novamente 'Na verdade. Quer saber? Eu vou é viajar para Índia e ver as vacas pastarem.' Começou a andar no sentido contrário de Stherfesson. 'E vou arranjar uma namorada antes.' Abriu um grande sorriso e se foi.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:27 PM

Discorde ( )


Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005


"Um dia você acorda e não sabe aonde está"

[Uma criança, em sua infância, adquire todos os medos de seus pais. Ela é programada a ter a personalidade que os adultos em sua volta querem, e é extremamente difícil mudar a imagem de mundo que pintaram em sua mente. A adolescência é a uma chance que se tem de virar totalmente o jogo, tomando as rédeas de sua própria vida e se tornando a pessoa que se quer ser.]

Robert acordava todos os dias e sabia onde estava. Era previsível acordar no mesmo lugar que se foi dormir, mas toda essa, digamos, previsibilidade, certo dia o assustou. Estava no mesmo lugar é claro, mas se deparou com uma pergunta.

Um dia você acorda e não sabe o que você é

[Uma pessoa só tem sua personalidade alterada perante uma crise, o caso mais comum é a crise adolescente, onde o jovem começa a questionar os antigos valores e buscar pelos seus próprios. Infelizmente nem todo mundo passa por essa crise, e acaba se agarrando a um paradigma que nunca foi seu.]

Vasculhou por alguns minutos um pouco de si mesmo. Tentava em vão achar algo único. Tudo que ele pensava, as palavras que usava, os maneirismos, os medos, os preconceitos, tudo viera de outras pessoas.
"Quem é Robert?" se questionava.
Se perguntassem aos conhecidos diriam que Robert era um bom garoto, que fazia as coisas certas, que era humilde e inteligente. Se perguntassem aos amigos diriam que Robert era fiel (provavelmente um eufemismo para "faz tudo que a gente faz"), aprontava tanto quanto todos eles. Se perguntassem aos pais acho que ficariam encabulados demais ao perceber que Robert era aquilo que eles queriam ser.
Claro que entrou em uma crise existencial quando olhou para dentro e não se achou, mas ao menos descobriu a verdade que muitos morrem sem conhecer.
Robert não era filosófico, não era um rebelde sem causa e não recebeu um chamado do tal deus, Robert apenas se questionou.

"Ao acordar em um lugar diferente, você pode ser uma pessoa diferente?"

[Algumas pessoas passam intactas pelas crises, todas as outras têm condição de evoluir.]

Creio que os autores de livros de auto-ajuda, sim, aqueles que são armados de clichês até os dentes tem razão em certas colocações. Os filósofos, abominados por sua facilidade de acharem significados onde provavelmente não existem, também tem lá sua razão. E os religiosos, dizendo que um ser invisível, onipresente, onisciente e onipotente governa cada ação de Robert e é responsável pela sua iluminação existencial tem tanta razão quanto os físicos quânticos e todas as suas incertezas.
São verdades relativas, e se for pensar bem todas as verdades são relativas. "Deus existe?". Depende de quem vai responder.
O fato é que Robert fez uma descoberta, não é que não tinha uma personalidade própria, ele simplesmente nunca pensava nisso. Vivia, via e era visto como as pessoas sempre pensaram que fosse certo viver, era simples e automático. O motivo pelo qual ele fugiu é um pouco mais complexo. Abdicou de tudo que tinha e conhecia para conseguir ter uma vida só sua. Não de seus pais, não de seus amigos, não de Deus. Uma vida dele, apenas dele. Se foi pra África ou pro coração da Amazonia já não me lembro. Às vezes fugir não é se deslocar no espaço. Depois que achou o que procurava se meteu em outra busca: alguém para compartilhar-se.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:55 AM

Discorde ( )



Sobre o Carnaval

Esse foi o mais irresponsável e melhor carnaval de minha vida ^^


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:40 AM

Discorde ( )