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Quarta-feira, Abril 27, 2005
Uma falha na Avenida de Ilusões
Frederico estava no começo da avenida, parou por um segundo, sondou a consciência, observou. Teria que passar por muitas pessoas até chegar ao final. Não seria fácil, ele sabia, mas sabia também que não poderia permanecer onde está.
Começou a andar. Pessoas passavam, desviavam, ignoravam. E ele tirou a jaqueta e a deixou. Uma senhora que passava ao seu lado rapidamente a pegou e chamou-lhe:
- Ei garoto, sua jaqueta.
- Não é minha ¿ falou sem nem olhar para trás.
- É sim, eu vi você deixar cair.
- Não é, pode ficar com ela se quiser, acho que você precisa mais do que eu.
Continuou andando, agora vendo com mais clareza o que acontecia ao seu redor, os carros que passavam pareciam mais nítidos, as pessoas deixaram de parecer inimigos competindo por seja lá o que for, ele teve pena da senhora que ficou com a jaqueta.
Tirou então a camisa e jogou para trás. Uma bela jovem que andava no mesmo sentido que ele em passo mais acelerado comentou:
- Sua camisa - como se ela a tivesse deixado cair. Ele olhou para a moça e contemplou por um instante seu olhar, ¿está flertando?¿ ele pensou:
- Não a quero.
- Mas porquê? Você não pode andar por ai sem camisa.
- E porque não?
- É uma avenida movimentada, muitas pessoas vão te ver assim, não se preocupa com isso?
- Por que eu deveria me preocupar com o que as pessoas pensam sobre mim?
- Para se relacionar com elas talvez - agora sim ele tinha certeza, a moça flertava com ele.
- Essa é uma boa resposta, mas nesse caminho não me é suficiente.
- Me conte então. Por que tirar a camisa?
- E por que não? - e parou um pouco, desamarrou os sapatos e chutou-os para longe, logo em seguida tirou as meias e jogou na rua. Rapidamente uma pessoa, homem, da idade dele, em farrapos, pegou os sapatos e sumiu.
- Ei, isso foi legal. - disse a mesma moça, que parecia interessada em sua atitudes.
- E por que?
- Você ajudou alguém.
- Não ajudei, apenas me desfiz de algo que não preciso.
- Sabe, você está começando a ficar esquisito.
- Estou? ¿ e olhou para os olhos da moça com uma sobrancelha arqueada. Desviou o olhar, desatou o cinto e tirou as calças. Não olhou para a moça novamente, apenas continuou a andar.
- Não acha que isso está indo longe demais?
- Não - disse ele tão calmo que deve ter parecido indiferença.
- Seu irritante! - e acelerou o passo deixando Frederico para trás.
Agora sim as pessoas prestavam atenção nele, todos que passavam ou tinha olhar de reprovação ou de piedade, apenas uma mulher se distinguia, a que lhe apertou a bunda ao passar por ele e fez um grande ¿hummmmmm¿ seguido de risadinhas, deixando bem claro sua aprovação. Os motoristas já passavam fazendo comentários irônicos, buzinando ou até gritando: ¿seu bixa, tá procurando homem é?¿, ¿Ae bundão¿, ¿Use calças ô aparecido¿.
Ele continuou sem nada dizer, apenas olhava nos olhos de cada pessoa que passava, reprovação ou piedade, e elas sempre desviavam o olhar. Uma senhora que tinha idade para ser sua mãe se aproximou um pouco mais com sua calça na mão, e disse meio sussurrando:
- Garoto, não deixe caçoarem de você, vista logo essa calça!
- Não, não, estou bem assim, obrigado - e sorriu.
- Você que sabe. Estava apenas tentando ajudar.
- Obrigado, mas não preciso de ajuda. É estranho que o mundo seja cheio de pessoas que querem ajudar quem não quer ser ajudado.
A mulher apenas parou e deixou a calça cair.
Mais a frente, uma senhora mais velha veio correndo com uma sombrinha na mão com vista intenção de lhe dar umas pancadas na cabeça:
- Seu tarado! Vista essas calças, seu sem-vergonha, ou lhe chamo a policia. - mas antes dela se aproximar demais uma moça, pouco mais velha que Frederico, segurou-a pelo braço.
- Calma mamãe, é apenas um louco... ou um idiota ignorante, não merece nossa atenção - e saíram de seu caminho.
Andou mais um tempo ouvindo comentários reincidentes até que parou, um silêncio se impôs naquela parte da avenida, e então tirou a cueca, e continuou a andar.
As pessoas se indignaram, risadas e comentários irônicos se transformaram em gritos de protestos, motoristas buzinavam, gritavam obscenidades por todo o lado, um homem de masculinidade duvidosa se aproximou devagar e com os braços cruzados. Falou só o suficiente alto para ser escutado entre os gritos:
- Eu entendo você. Sei como você se sente perante essa sociedade hipócrita. Sei que isso é um protesto contra... contra... Bom, o fato é que as pessoas já viram sua angustia, agora é hora de sair de cena, vamos lá pra casa conversar, é bom que eles se acalmam logo e você não se mete em problemas.
- Não obrigado.
- Apenas conversar, eu seria incapaz de tentar fazer alguma coisa.
- Eu sei, não é isso, você apenas não entende o que eu estou fazendo.
Ele fez cara de indignado e ficou para trás. Frederico continuava andando, olhando para as pessoas que queriam ajuda-lo, que queriam mata-lo, que riam. E então ouviu a sirene, não apertou o passo, manteve a calma e continuou andando. Os policiais encostaram um pouco a frente, correram para sua direção, e sem que ele reagisse (ou tivesse tempo para isso) eles o jogaram no chão, algemaram e empurraram para dentro do camburão. O carro saiu com sirene ligada e sob aplausos de grande parte da multidão que o cercava.
Na delegacia não lhe perguntaram nada, apenas fizeram piadinhas entre si, mandaram joga-lo em uma cela qualquer e dar-lhe roupas. Foi o que fizeram, com Frederico dentro da cela, sentado ao lado das roupas, o guarda gritou:
- Vista-se logo seu maluco, ou vai ter que ficar por aqui uns dias.
Frederico não fez movimento, apenas olhava para o guarda sem nada dizer. Ele entrou dentro da cela e lhe deu um soco no estômago.
- E agora... Você se veste.
- Me dê pano, agulha e linha, que vou fazer minhas próprias roupas.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
3:25 PM
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Segunda-feira, Abril 25, 2005
Aham
- Coisas interessantes aconteceram nos ultimos 3 dias, a perda, a vitória, a crise e a evolução.
- Creio que eu vou escrever algo legal amanhã.
- Não entendi ainda, mas hoje essa páginas bateu o recorde de visitas (apesar de não ter muitos comentários), alguém ai sabe de algo que eu não sei? O.o
- Acho que a raposa não vai conseguir segurar o cacho de uvas por mais uma semana.
- Alguém tem um conselho para vender? Eu pago bem, devo ter alguns chicletes no bolso.
- Ah, e não se esqueçam de Ler Poesias e Beber Vinho Tinto conosco ^^
posted by TRUNKAEL H MAIRS
10:10 PM
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Quarta-feira, Abril 20, 2005
A pedra nem percebe
Um garoto de 7 anos está sofrendo, e a menina que ele era apaixonado chora a seus pés pedindo para que ele não vá. Ele não diz nada, apenas se arrependeu de não tê-la chamado para brincar no parquinho hoje de manhã. E seu sofrimento cessou de repente. E ela, em prantos, viu seus olhos ficarem foscos.
Ela, 17, cortava os pulsos. Não muito fundo, aquilo não era pra ser um suicídio de verdade, era um pedido de atenção. O pássaro que estava na janela testemunhando o acontecimento, não quis ajuda-la quando ela o olhou buscando apoio. E voou, antes dela chorar por arrependimento pela primeira vez nessa vida.
Se sentou na mesma cadeira de sempre, seu café e torradas chegaram automaticamente. Olhou seu reflexo na xícara embaçado pelo vapor. Percebeu o quanto sua aparência demonstrava sua angustia, sem deixar tremer sua imagem tomou tudo de um só gole.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
3:23 PM
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História (de um) infantil
A raposa observava de longe. Tendo ou não, ela via muitas armadilhas, e como de longe estava, não poderia nem prever a altura. Por muito tempo ficou rodeando sem nunca ter coragem de se aproximar, inventava desculpas aqui e ali, para nunca se arriscar. Certo dia percebeu a fragilidade do galho que segurava o ramo. Ficou aflita e correu para salva-la. Passou pelas inexistentes armadilhas e na árvore subiu. Agora ela segura o ramo e a mantém a salvo, no entanto já não pode saborea-la.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
3:23 PM
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Ditas e não ditas
- Acho que é por causa da consciência de nossa tristeza que nos damos tão bem.
- Não tente almejar meu conhecimento ó deusa, pois você tem o poder de criar mundo, e eu só tenho possibilidade de interpreta-los.
- Acho que isso representa que você sacrificaria tudo para viver um grande amor.
- Vamos ficar gripados nesse sereno (não importa, desde que eu esteja perto de você)
posted by TRUNKAEL H MAIRS
3:23 PM
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Segunda-feira, Abril 11, 2005
A fragilidade da vida humana
Todo mundo já sabia. Algumas pessoas sentiram mais que as outras, não por proximidade, mas por medo. Mesmo os mais frios lamentaram. Alguém que estava no auge da vida não poderia deixa-la tão facilmente. Era medo o que as pessoas estavam sentindo, viram a morte de perto, espreitando cada ser vivo desse planeta.
E ela entrou e pediu um abraço, abracei e não disse nada, não sabia como dizer, queria falar que isso nunca aconteceria com mais ninguém, que isso foi um erro da natureza, que jovens não morrem. No entanto eu não podia dizer, pois estaria mentindo. Apenas abracei, sem saber se eu estava lamentando a morte dele ou a minha própria vida.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
1:00 PM
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Sobre os dois textos abaixo
Infectado pelas aulas de ciências políticas fiz um texto que, baseado nos antigos pensadores, dá ao ser humano, dentro da sociedade, o direito dos três crimes citados. Baseei-me em premissas lógicas, mas eles são passíveis de antíteses (que, por favor, sejam lógicas e não morais). E esse serve de introdução para o segundo, que conclui uma grande discussão que eu e b.m. tivemos sobre a bondade humana.
Espero que vocês me critiquem bastante e que consigam refutar meus argumentos.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
10:11 AM
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Eu, Hobbes, Russeau, Kant e a Bondade
A maldade como simples direito natural
De acordo com Hobbes, o ser humano em estado natural tem total liberdade de ação e total direito sobre todas as coisas do mundo, inclusive sobre o corpo de todas as outras pessoas.
Para que tenham segurança, se unem em sociedade e abdica-se dessa liberdade, dando seu poder natural a um soberano.
Russeau, definiu esse soberano como a vontade geral, que deve prevalecer sobre as vontades particulares. E esse contrato social garante nossa segurança contra inimigos externos e internos.
No nosso caso, vivemos em um sistema político democrático, e sob 2 contratos sociais, o das leis do estado e o das leis morais. O primeiro é seguido por obrigação, e o segundo por conveniência.
No entanto nenhum dos dois é forte o suficiente para que estejamos totalmente seguros, já que muitas vezes o homem volta ao estado natural, querendo reivindicar os antigos direitos, quando rouba, estupra e mata.
Mas como o homem não quer ser punido, ele só age quando tem possibilidade de não ser castigado por nenhuma das duas leis vigentes.
Baseando-se nessa premissa e contrastando com o código moral, poderíamos dizer que o ser humano é mal por natureza. Sendo a maldade, nada mais que a reivindicação de direitos naturais.
A inexistência da bondade verdadeira dentro da bondade moral
A bondade, na maioria das vezes é relativa. Pensa-se que pessoas boas são aquelas que fazem algo pelo outro. Mas dificilmente alguém dá alguma coisa que realmente necessita, dar roupas usadas ou restos de comida nunca deve ser caracterizado como bondade, dar aquilo que não se precisa deveria ser algo natural, um simples clausula do contrato social. A bondade começaria no momento em que você perde alguma coisa que precisa em prol de outro.
No entanto eu digo que por trás de cada ação que tenciona ajudar alguém, acaba escondendo uma vontade própria. Ou seja, alguém que dá moedas a um mendigo na rua, normalmente quer apenas se livras de sua presença incomoda; uma pessoa que ajuda crianças de rua, na verdade procura perdoar a si mesmo por alguma falta; alguém que doa dinheiro a sua diocese pensa (inconscientemente ou não) que está comprando um terreno no céu.
É bem difícil achar alguém que ajuda por pura bondade, pois cada ação que pode gerar conforto a outro ser humano que ajudado, acaba causando conforto de espírito ao que o ajudou.
Ou seja, a bondade pura não existe nesses casos, pois ajudar alguém é um meio de ajudar a si mesmo.
A bondade pura
De acordo com Kant, o ser humano deve buscar, em sua convivência social, o sumo-bem. Ações que devem melhorar a vida de todos, sem nunca prejudicar ninguém.
No entanto sabemos que a verdade pode ser muito relativa, e por isso, esse sumo-bem é inatingível desde sempre, pois nunca chega a ser a vontade geral, mas sempre uma vontade restrita.
A liberdade é o bem maior, no entanto é inviável a convivência social no estado mais puro da liberdade, que é o estado de natureza. A liberdade é a ausência de oposição a fazermos algo que temos a possibilidade de fazer, o único obstáculo a essa liberdade é outra pessoa, que tem tanto direito a tudo como nós.
A bondade nunca poderia se resumir a vontade de ajudar o próximo, como já vimos, mas sim de não servir de obstáculo para alguém que pretende usufruir de um de seus direitos naturais.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
9:59 AM
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Possibilidade de legitimar valores que vão contra a moral vigente, baseando-se em autores antigos e no relativismo
Marx e o Roubo
O homem vive em sociedade para ter segurança e proteger sua propriedade. De certo que o homem tem direito a defender a si mesmo e ao seu patrimônio, que fruto do seu trabalho.
No entanto, em nossa sociedade, nem todo patrimônio é fruto do próprio trabalho, na verdade, quase sempre, é fruto de trabalho alheio. O direito nesse caso portanto é nulo, e se aplica a todos os grandes empresários que não produzem a própria riqueza.
Se não há direito legítimo ao patrimônio que foi erguido por outros, então não é errado tomar para si, algo que você ou sua classe produziu sobre opressão de outros.
Maquiavél e a Manipulação
A sociedade recrimina o egoísmo, no entanto é hipócrita, pois todo ser humano tem direito de tentar realizar seus objetivos, e a maioria não se importa em passar por cima das outras pessoas para atingi-los. Todo o mundo gira em torno de interesses particulares.
Não há nenhuma lei contra a capacidade de convencer, portanto a lei moral não é razão para que não devamos utilizar as outras pessoas, por meio da manipulação, para atingir nossos objetivos.
Portanto podemos abusar da ignorância alheia, sem ferir as leis do estado, e garantir assim a nossa satisfação.
Russeau, Marx e a Eugenia
Quando um povo se une para garantir a segurança de si e de seus bens em um corpo político, a vontade particular fica em segundo plano diante da vontade geral.
Numa sociedade em que a produção é essencial (comunismo por exemplo) a vontade geral é que todos produzam igualmente. Que sejam então excluídos aqueles que não querem ou não tem capacidade de produzir na idade que deve começar a produzir, pois esses são um atravanco para a sociedade e para a evolução humana.
É legítimo nesse caso, começar com um processo de eugenia, sendo essa a vontade geral, garantindo assim a evolução humana e, por consequência, de toda a sociedade.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
9:59 AM
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Sábado, Abril 09, 2005
A verdade sobre a morte de Jairo
Estamos aqui em frente a casa de Jairo, que morreu hoje aproximadamente às 13 horas. A causa da morte ainda é desconhecida, mas a perícia já está examinando o local. Ele foi encontrado pela mãe, às 18 horas da tarde, dentro do banheiro, estava com os olhos abertos, boca aberta e corpo cheio de hematomas, seu rosto demonstrava real sofrimento. Vamos ver o que a mãe de Jairo tem a dizer.
A câmera segue o repórter que se aproxima de uma senhora em prantos.
E então Dona Laura, a que você atribui a morte de seu filho?
Foi ela! Essa maldita. Ela que matou meu filho, essa negra safada. Eu voltei à casa para pegar minha bolsa e vi ela saindo do banheiro, nem liguei na hora. Foi ela que assassinou meu filho. Viu! Esse é o problema dessa gente. Fala que nunca tem chance na vida mas quando a gente dá uma chance eles assassinam nosso filho. Que ela apodreça na cadeia, lugar onde todo mundo da família dela deveria ficar.
O repórter se afasta um pouco da Dona Laura
Vamos perguntar a Fabiano, o irmão de Jairo, o que ele pensa da situação.
Fabiano, você acha que as acusações de sua mãe procedem? Acha que foi a empregada que matou seu irmão?
Bem que poderia ser viu, e ela estaria certa. No entanto eu não creio que ela tivesse coragem para tanto. Jairo está pagando por aquilo que ele fez. Esse maldito usava drogas, ... batia ... em mim e ... e na minha irmã. Quando eu vejo esse tipo de coisa acontecer dá até vontade de acreditar que Deus é justo.
O repórter se afastou rapidamente.
Pelo que parece Fabiano cultivava um ódio muito grande pelo irmão. Será que o que ele está dizendo é verdade? Não sei, mas talvez Laura possa nos ajudar.
Laura, o que você acha dessa situação? Sua mãe aos prantos culpando a empregada e seu irmão dando graças a Deus sem nenhum remorso.
O câmera focalizou o rosto de Laura, que estava todo vermelho e olhos cheios de lágrimas.
Finalmente esse desgraçado morreu, ele... ele... mereceu. Assim ele nunca mais vai tocar em mim ou no meu irmão. Minha mãe é uma cega, não sabe o filho que tinha dentro de casa. A Silvinha não tem culpa nenhuma.
Ei, espere, espere.
O repórter corre para o lado direito da câmera, que o segue desajeitadamente.
Só um minuto, posso falar com ela antes de vocês levarem?
Ok ok mas só um minuto.
E então Silvia, o que você tem a dizer em sua defesa?
A doutô, eu acho que eu fui a culpada sim sabe. É que eu fiz uma comida bem gostosa hoje, e ele repetiu várias vezes. Depois do almoço, quando seus irmãos e sua mãe já saíram, ele sempre me obriga a ir no banheiro com ele e fazer uns favor. Eu não gostava, mas sabia que podia ser despedida. E então hoje, ele começou a fazer uns movimentos estranhos e virar os olhos, eu fiquei com medo e sai correndo do banheiro. Eu acho que tenho culpa por que ele estava em cima de mim na hora.
Pronto pronto, cuidado com a cabeça ai moça.
O policial fechou o camburão e se foi. A mãe parou de chorar e a irmã começou. Fabiano voltou para casa para ver a perícia trabalhando. O câmera pegou seu lanche e começou a come-lo. O repórter permaneceu estático onde estava.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
10:52 AM
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Sexta-feira, Abril 08, 2005
Cortando-se com gilete
Um garoto estava só
E só ele jogava
Um jogo que só simulava
A vida simulada ele vivia
E dessa vida se enjoara
Resolveu jogar a verdadeira
E para vida ele acordava
Com planos se vangloriava
Conquistaria as pessoas
Assim como quando jogava
Resolveu fazer amigos
Mas foi ignorado
Tentou arranjar uma namorada
Mas ela achou que era piada
Então usaria sua experiência
Essa da simulada vida
Para fazer uma vida simulada
Na vida real
Escreveria uma simulada carta
Para uma real menina
Mas de uma paixão simulada
E ganhou um coração
E muitos amigos ganhara
Sabia muito bem
Como ajeitar sua mascara
Mas experiência na simulada vida
Lhe deu vitoria também simulada
Quando percebeu isso
Que as pessoas também simulavam
Resolveu que seria
Um inimigo das mascaras
Puxou a namorada
E disse as verdades engasgadas
Conversou com os amigos
E a inimizade foi decretada
Se fosse viver de aparências
Que continuasse em seu jogo
Onde pelo menos as mascaras
São obrigatórias, não fachadas
posted by TRUNKAEL H MAIRS
3:42 PM
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Agrada a todos, como um filme de comédia
Sabendo que o ser humano encaixa as pessoas em arquétipos bons ou ruins, já se chega em um novo ambiente, ou conhece-se alguém, com uma mascara propicia a agradar. Sempre queremos impressionar as pessoas, contar as vitórias e não as derrotas, mostrar qualidades e não defeitos.
E então nos transformamos, inicialmente, no que as pessoas esperam. E você pode escolher os arquétipos prontos "Aqui eu serei o sério, faço meu trabalho, não falo muito, finjo que estou sempre concentrado.", "Com a Nany eu serei galante, fingirei que sou um perfeito cavalheiro", "Com o chato do Robson serei o crítico, pronto para criticar tudo aquilo que ele, em sua pseudo-onisciência, pensa saber". Claro que as pessoas não são maquiavélicas o suficiente para fazerem isso de propósito, normalmente é algo que acontece na jurisdição do subconsciente.
E há um arquétipo coringa, aquele em que você pode usar inicialmente com qualquer pessoa e em qualquer ambiente: o comediante. Todo mundo gosta de rir, e se você já chega contando uma piada, ou fazendo qualquer coisa que seja engraçado, já ganha a atenção de todos.
Normalmente em cada ambiente, grupo ou sala, tem um comediante, e na falta desse alguém assume o papel. Sempre tem que existir uma fonte de diversão.
E é essa a dica, quando tiver que conhecer alguém, um encontro, ou causar boa impressão, faça a pessoa rir, e ganhará sua simpatia facilmente. Afinal, estamos num mundo de palhaços.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
1:54 PM
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Segunda-feira, Abril 04, 2005
O Papa morreu. E dai? (Por Antônio Alex Ferreira*)
Ha muitos anos tenho lido artigos, livros, crônicas e mais livros sobre a religiosidade. Cristianismo. Budismo. Islamismo. Judaísmo. Induísmo. E por aí deriva o fundamentalismo na maior pluraridade possível. Do cristianismo ao islamismo. Quem teria razão na luta Irlanda Católica X Inglaterra Protestante? E na Palestina Muçulmana X Israel Judaica?. Há de tudo no mundo da religiosidade. A paixão parece sobrepor-se à razão. Enquanto dependente da crença em um ser superior ou numa ideologia que sustente esse ser, o homem volta ao estado de natureza independente do pacto social a que pertença. Por exemplo: um cidadão muçulmano pode morar em Londres, atuar como advogado em um grande escritório, trabalhar ao lado de cristãos (católicos e protestantes), mas, se for para defender suas origens, abandona tudo. Pega em armas, dirige carros cheios de explosivos, pilota aviões armados com bombas contra prédios símbolos do consumismo, etc. Em outros casos, como o da Igreja Católica, a militância fica restrita á retórica, como veremos abaixo.
Vemos desde meados da semana passada um grande show midiático em torno da morte do Papa João Paulo II. Grande pantomina sob a égide da Igreja Católica Romana. Herdeira natural do grande Império de Roma, a Igreja Católica usou de todos os meios possíveis para sustentar seu domínio ao longo da história. Mas não conseguiu. Atribui-se aos ícones católicos atrasos históricos da ciência. Só a título de exemplo, Galileu, quando descobriu que o sol e não a terra era o centro do universo, foi condenado pela igreja à prisão domiciliar. Apesar disso, o fim do geocentrismo representou também o fim do teocentrismo pregado pelos católicos. Quem lê "O nome da rosa", de Humberto Eco, tem idéia aproximada de como os católicos controlavam o conhecimento científico na idade média. Tudo o que se conhecida na época ficava restrito aos mosteiros. Mesmo assim somente alguns privilegiados tinham acesso aos manuscritos. Acreditavam que o conhecimento da ciência afastaria (como de fato aconteceu ) a humanidade das crenças mitológicas do cristianismo.
Mais tarde a ameaça de distribuição da informação foi duramente combatida pelos cânones católicos. Querem saber como? Leiam "O corcunda de Notre Dame", de Victor Hugo. Prestem atenção ao diálogo do cardeal com o governador sobre a existência de uma prensa na cidade de Paris. Não consigo ver relação entre a pregação de Cristo (todos são iguais, amai ao próximo como a si mesmo, perdoai seus inimigos)e a atuação da Igreja Católica a partir do século XIV. O papa João Paulo II não apresentou avanços significativos na relação dos católicos com o mundo. Dizem que apoiou o ecumenismo. No entanto ha quem diga que apenas buscou meios para tentar conter a fuga considerável de católicos para outras seitas cristãs, verificada a partir dos anos 70. Antes disso, na segunda grande guerra, os católicos foram omissos aos atos do Nazismo. Hittler invadiu, genocidou, bombardeou e usurpou dezenas de países, mas deixou intocados os mosteiros católicos na Europa. Será porquê? Quase ninguém lembrava-se do ocorrido, quando vimos o papa João Paulo II numa "mea culpa" na mídia sobe o holocausto. Quanto aos injustiçados "fritos" nas fogueiras da inquisição, não me lembro de qualquer pedido de desculpa. E o papa foi contra a Teologia da Libertação. O movimento de origem marxista dentro da igreja católica na América Latina progrediu apesar da contrariedade do sumo pontífice. Reivindicação por parte dos pobres só pode acontecer sobre aqueles que possuem riqueza. Isso é contra o princípio da propriedade. Então a Igreja é contra. Para os estudiosos a Teologia da Libertação representa a única esperança dos pobres em reivindicar salários justos, terras para o plantio e condições minimalistas de sobrevivência.
Dentro deste tópico é interessante verificar que justamente os países colonizados por países europeus de tradição católica, são justamente aqueles onde predomina o maior índice de injustiças sociais. Os países latino americanos não têm diferenças sociais muito diferentes dos países africanos e asiáticos colonizados por Espanha e Portugal, de predominância católica. Trazendo o resultado da ideologia católica para bem perto da gente, em Minas Gerais existe até hoje um movimento fundamentalista de origem católica denominado "Família Tradição e Propriedade". O título dispensa qualquer tipo de comentário, mas, vale lembrar que sustenta até hoje a aristocracia e resquícios de coronelismo. Traduza-se por isso concentração de renda e desigualdades sociais só vistas nas ex-colônias de países católicos. Por acaso essa seria uma realidade das ex-colônicas britânicas na América? Comprovadamente não.
Na primeira metade do século XX o capitalismo transformou o homem em massa de produção e consumo. Neste período tivemos duas grandes guerras mundiais que funcionaram como divisor de águas na disputa ideológica de mercado e expuseram até que ponto pode chegar a barbárie humana. O mundo desencantou-se diante do holocausto. O capitalismo acentuou-se. Ao mesmo tempo acentuou-se o discurso sofismático da Igreja Católica. Sem poder político, os antecessores de João Paulo II trataram apenas de ficar ao lado dos soberanos a partir da revolução industrial, em que os burgueses deram um basta ao julgo do bispado. E a igreja permaneceu assim até hoje, passando inerte pelos anos 70, que representaram para as nações latino americanas uma década de atropelo aos direitos fundamentais do cidadão. Raras exceções, como Dom Paulo Evarisno Arns (São Paulo), gritaram contra a ditadura militar no Brasil e na América Latina. Somos contemporâneos de João Paulo II.
O papa morreu. E daí? Semana que vem o Concílio, formado por uns 130 e poucos cardeais escolhe o novo chefe supremo da Igreja Católica. Conclui-se que, com o papa ou sem o papa, o Brasil continuará sendo um dos países com a maior desigualdade social do mundo. Mr. Bush continuará ditando as regras internacionais. Atacará a quem atravessar a caminhada norte americana do consumo. A África continuará sendo o continente da desigualdade e da miséria.
Ninguém escuta a mensagem de paz emanada da Santa Sé. Ninguém liga para as sugestões que saem da velha Roma. O ouro do Vaticano não compra nada além da admiração de milhares de seguidores obstinados dos dogmas católicos. Os processos globalizantes tornam o mundo cada vez menor. A tecnologia nos enfia num globo cada vez mais virtual. O discurso da igreja é incompatível com a atualidade, tão distante da realidade quanto as velas virtuais que os provedores ofereceram para serem "acessas" em homenagem ao papa pela sua passagem. O show continua.
Antônio Alex cursa o 3º de jornalismo do Unileste comigo
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:36 PM
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Sexta-feira, Abril 01, 2005
O caso Teri Schiavo
Acho que quando o Papa tentou falar ontem, ele queria dizer que deixar Teri Schiavo morrer foi um desafio à onipotência divina, e que esperassem pelo troco. Mas como ele não conseguiu falar, é apenas uma suposição. ^^
O fato é que "deus" é contra a eutanásia. Na verdade acho que deus é contra qualquer tipo de morte (o que me parece um paradoxo, já que bastante gente que acredita nEle morre de maneiras inimagináveis).
Mas não é apenas o todo poderoso que é contra a morte, grandes filósofos e pensadores sempre questionaram sobre o valor da vida humana, para a maioria deles, a vida é o bem maior e deve ser preservada a qualquer custo. A vida é um direito inalienável.
Esses antigos pensadores sempre colocavam a vida acima de qualquer coisa, e inclusive de nossa própria vontade, ou seja, mesmo a vida sendo nossa, não temos nenhum direito de abdicar dela. O suicídio e a eutanásia são, não só ilegais, mas imorais, inumanos (existe essa palavra?). E o discurso de que a vida é um direito de todos, se transforma. A vida é um dever de todos.
Acredito que a vida seja o bem mais precioso do ser humano, mas acredito também que os tempos mudaram. Na época de Hobbes não existiam aparelhos que mantinham uma pessoa viva mesmo após seu cérebro ter morrido. Ele não fazia idéia que isso poderia ser feito, antigamente as pessoas morriam quando o corpo não agüentava mais viver, hoje elas morrem quando não há mais nada a ser feito para manter o corpo funcionado.
Mas deixemos os antigos de lado (pensadores antigos quanto o pensamento antigo dos religiosos) para questionar o que é a vida. Será que é ter consciência sobre a própria existência ou simplesmente o funcionamento do nosso corpo físico?
Teri Schiavo não morreu essa semana. Ela morreu a 15 anos atrás, quando deixou de ter controle sobre o corpo. Quando sua consciência morreu.
Se o cérebro para de funcionar já não existe alma, não existe espirito, o corpo não é mais que o recipiente de nossa consciência, se a consciência se esvaiu a vida foi junto.
Se existe qualquer tipo de vida após a morte, um espaço para o espírito humano após o descanso, Teri já o conhece a 15 anos. Pena que só agora ela foi totalmente libertada do mundo terreno. Se fosse a 15 anos atrás, seu marido não precisaria passar por 15 anos de sofrimento.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
2:42 PM
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