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Contribuir para a Evolução da Humanidade começando por evoluir a mim próprio
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Quinta-feira, Julho 28, 2005


Olha só o que eu achei no meu e-mail, um post que não foi postado:

Idolatria (ou Crítica ao "Revolução do RNT")

Me lembro de uma parte de Clube da Luta onde Tyler diz que não somos especiais, e que ele não é o dono do Clube da Luta, aquilo não os pertence. Ele fala que o que importa é o produto e não o criador.

Agora usemos essa metáfora com o cristianismo. O que vejo daqui é um punhado de blogs cristãos que adoram JESUS, mas se esquecem de seus ensinamentos. Será que Jesus realmente queria ser amado e idolatrado por toda a eternidade? Ou ele queria que sua filosofia fosse seguida?

Há uma grande diferença entre ser cristão e ser tiete de Jesus Cristo. Vejo pessoas defendendo Cristo com unhas e dentes, mas nem pensam nos ideias cristão quando mandam as pessoas para o inferno, quando odeiam, quando as querem mal.

Será que Jesus queria todo o amor para si? Ou as palavras dele foram "Ame ao próximo como a si mesmo"?

Se o cristianismo deveria funcionar creio que não é para adorar a Cristo, mas sim para fazer do mundo um lugar melhor.

"Antes de achar que és melhor que todo o mundo por ser cristão, pergunte a si mesmo quem você ajudou no dia de hoje".


posted by TRUNKAEL H MAIRS 11:28 AM

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Terça-feira, Julho 19, 2005


Falando sobre a maldade

Antes de tudo vamos descartar Deus, ora, ele pode ser usado tanto para exaltar o bem quanto para justificar o mau, um assassino pode simplesmente dizer que "nenhuma folha cai da árvore se Deus não quiser" e assim derrubaria qualquer argumentação religiosa, afinal, Deus não é o fodão? Não é o onipotente? "Pois foi Ele que pôs a arma em minha mão!"
Pois então vou tirar o Fodão da história, Deus não tem nada a ver com o mau (e nem com o bem), e se tivesse seria o culpado de toda a maldade que há na Terra. Ele não entra na discussão justamente por ser impossível discuti-lo.

À maldade

Muitos são os pensadores que já se debruçaram sobre o enigma da maldade, perguntaram o motivo pelo qual as pessoas param sua viagem para ver o acidente na estrada, pelo qual compram jornais que contam detalhes da tragédia, livros que falam das pessoas mais perversas que existiram. E (aqueles que eu li) chegaram a uma conclusão interessante: temos um desejo erótico pela maldade.

O ser humano antes de tudo é um ser que encara o tempo todo seus instintos. O ID, aquela parte que luta pelas nossas necessidades básicas (vistas como animalescas), nos faz "refém" desse "mal" que é tanto odiado. Mas o mal é aquilo que faríamos o tempo todo não fosse nosso super-ego impondo suas leis.

Não creio que as pessoas matem e estupram por pura perversidade, mas por necessidade. Necessidades essas que foram proibidas uma a uma por um código moral totalmente hipócrita.
Qual o problema em sucumbir a essas necessidades que no fundo são inerentes à natureza humana? Por que não deveríamos simplesmente fazer aquilo que nos dá vontade?

Essa é uma resposta que já foi encontrada por vários cientistas políticos: o ser humano é um ser social, e por isso abdica de sua liberdade natural para obter segurança. O mau, nada mais é que o usufruto dessa liberdade outrora "perdida".
Quem pode me dizer o que é errado fazer? Quem pode me ditar como devo viver? Eu tenho total liberdade de seguir meus mais sombrios instintos. Sou livre para isso.
O ódio ao mal (usufruto da liberdade) é causado justamente pela idéia de que alguém está quebrando um acordo feito por pessoas que há muito já se foram. O ódio ao glamour do mal se refere unicamente à própria incapacidade de exercer essa liberdade que lhe é inerente.
Qual o problema de ser atraído pelo mal? Essa lascívia pelo mal (expressão usada pela autora Susan Sontag no livro "Diante da dor dos outros") é inerente ao ser humano assim como o desejo sexual. Qual é o problema em admitir isso?

Já sabemos que é exatamente essa capacidade de se chocar que diferencia os homens dos animais. E justamente por que sabemos precisar restringir nossa liberdade para viver em sociedade é que já não precisamos odiar a maldade. Isso seria ignorar que evoluímos, que agora somos superiores aos animais, que o ID já não controla nossas ações.
O super-ego foi constituído justamente para frear todos os nossos impulsos mais malévolos do ID, mas sua síntese, o ego, já evoluiu o suficiente para não precisar ficar sob seu chicote. Manter a idéia de que devemos odiar o mal é simplesmente forçar um condicionamento. Ora! Já somos suficientemente inteligentes para não precisar desse condicionamento.
Não é por que tenho consciência de que tenho o poder de matar alguém que eu vou sair por ai matando as pessoas. É justamente o contrário: sabendo que tenho total poder para exercer minha liberdade (toda a maldade que me aprouver), é que finalmente posso fazer o bem conscientemente.
Certamente somos cada vez mais humanos quando não desejamos fazer o mal, ou seja, quando não sucumbimos aos nossos desejos mais obscuros. Mas isso não é por que uma força divina espera isso de nós, e sim por que a humanidade precisa disso para evoluir!

O motivo pelo ódio ao mau, é que já não podemos exercer nossa liberdade sem que haja algum tipo de punição, então as pessoas "boas" se sentem lesadas por outros terem a audácia de fazer algo que lhes foi proibido moralmente.
E veja que isso não é só com o mal, isso serve para qualquer tipo de convenção social. Já observaram como as pessoas ditas "excêntricas" são olhadas com desprezo e, principalmente, invejadas? Uma moça sai à rua com uma roupa mais confortável em um dia de calor e as outras mulheres a olham de lado, como se esse fosse o maior pecado jamais cometido, e depois reclamam que o calor as está derretendo; ou uma ainda mais corriqueira, a evangélica que sai pra balada e se diverte, "mas que pretensão!, que atrevimento! Como ela pode se dizer crente se ele vai à boate e se... se... diverte!"

O mau realmente é glamouroso minha gente, pois o mal é a liberdade que invejamos. E vamos comprar livros, revistas e jornais que nos colocam a par de cada detalhe dessa maldade que foi engaiolada.
O mau nos interessa pois é aquilo que nos deixa mais próximos de nossas próprias vontades. Publicações sobre violência são como revistas pornográficas e masturbação, ambas usadas para extravasar um pouco daquilo de que nosso ID está transbordando.
E pergunto novamente: qual é o problema de ser instigado pelo mal?
Pois lhe digo qual o problema: a hipocrisia! As pessoas estão por ai esbravejando contra a maldade mas estão sempre ávidas por saber quantos morreram nesse atentado, como ficou o corpo daquele que pulou do prédio, quantas facadas couberam no corpo daquela criança. Eis a hipocrisia! O verdadeiro mal da humanidade!
Devemos amar a maldade por ela ser inerente ao ser humano? Por que não? Qual é o motivo que nos impede de amar a nossa liberdade perdida?
Não há problema algum com a maldade, o problema está em como a tratamos, eu já mencionei que a nossa capacidade de não sucumbir a nosso ID é que nos torna humanos. Não precisamos mais temer o mal pois ele faz parte da gente, ele é nosso aliado por toda a jornada da vida. Ignorando esse mal, nunca conseguiremos entender o motivo pelo qual não podemos sucumbir a ele.
Não devemos nos condicionar a odiar o mal mas sim trazer nossa parte má (livre) para mais perto e entendê-la. Se essa nossa maldade for considerada nossa inimiga que sigamos o conselho de Maquiavel: vamos mantê-la ainda mais perto de nós que nossos melhores aliados.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 11:48 AM

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Segunda-feira, Julho 18, 2005


Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalon

Pois eu também chorei, e tive orgasmos mentais, e eu ficava adiando ler o livro para que ele não acabasse rápido, e eu ria muito alto quando lia uma frase genial, e eu gritava as vezes, e chorava de novo, e jogava o livro no chão e xingava o autor dos mais vulgares palavrões, e tinha vontade de bater nele até que sua cara virasse apenas sangue e ossos, e eu olhava pro teto e xingava o teto, e eu morria e ressuscitava.
Bom, vocês entenderam.

PS: Atualizei O Inquisitor!!!


posted by TRUNKAEL H MAIRS 10:35 AM

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Sexta-feira, Julho 15, 2005


Neuromancer, Ghosth in The Shell, e coisas do tipo

Acabei de ler o "Neuromancer" (me dado de presente por meu irmão Bob, valeu Bob! ^^) e gostei bastante. Gibson realmente é um visionário, e não acertou apenas na evolução exponêncial da tecnologia, mas a relação que o ser humano terá com ela. Mas o grande trunfo é filosófico: qual é a capacidade de consciência de uma Inteligência Artificial? No que se transformou o Wintermute? Ele é tudo, e agora, o que ele vai fazer afinal?

Lendo Neuromancer começo a ter uma visão muito mais abrangente de outras obras do gênero (todas, invariavelmente, filhas desse). Aquilo que o Wintermute se transforma, a própria Matrix, é parecido com o que a V.I.K.I de "Eu, Robô" era. A discussão sobre a consciência de uma I.A. aparece em Ghost in The Shel, quando o Mestre das Marionetes quer se propagar assim como os humanos, quer ter um filho. E não posso me esquecer de Cowboy Bebop, em seu episódio 23, onde London, um personagem imaginado por um garoto em estado vegetativo conectado à internet, cria uma seita onde as pessoas deixam sua prisão da carne para viver dentro da internet, algo idêntico à praia onde Neuromancer era o Deus.

Wintermute e Neuromancer eram as duas I.A. mais avançadas da Matrix, e Wintemute conspirou para que ele saisse de seu cubo controlado e se espalhar expotaneamente. Mute era a lógica, não tinha como entender o sentimento humano pois não tinha controle sobre essas variáveis, Neuromancer era a personalidade, ele transformava a consciência dos mortos em dados para si, a união dos dois é Deus, aquilo que é onisciênte, onipotente e onipresente dentro da Matrix.

Gibson, se concentra mais em como será o futuro em si, coloca uma história em que a tecnologia que ganha e questiona se não é isso o mais certo a fazer, afinal, o ser humano é o único que acaba com si próprio de maneira consciente. A idéia da dona da T & A, era que uma máquina tomasse decisões mais acertadas em sua empresa, pois o ser humano é passivel de erros. É visivel que Hall, Red Queen, Viki e outras tantas Inteligências Artificiais que apareceram no futuro se baseiam nessa idéia.

Mas Masamune Shirow foi mais fundo em Ghost in The Shell, a questão era puramente existencial, de que forma uma Inteligência Artificial poderia ter consciencia de sua própria existência e assim evoluir? O Mestre das Marionetes queria simplesmente ser humano.

E isso tudo me leva a devanear por outras áreas, vejamos que um I.A. com todas as informações possiveis e com capacidade de processamento infinita queira se tornar humana. Para ser humana ela deve ter defeitos, duvidas, etc, então ela teria que criar uma consciência com base de processamento superficial, como um acesso somente à memoria RAM de um computador, apagando arquivos casualmente quando novos se instalam. É como se o subconsciênte tivesse que criar uma consciência para se entender. Ou seja, as I.A. são como aquela Consciência Primitiva que falei.

Hall, de 2001 parecia ser a evolução dessas mencionadas, pois ao contrário da Viki, Red Queen, Wintermut, etc, Hall tinha os sentimentos de egocêntrimos, egoismo e até ódio. Não que é o personagem mais bem feito, na verdade acho-o o mais utópico, mas ele parecia ser o fim em si (só lhe faltava um corpo como em GITS ^^).

O que eu quero dizer com tudo isso é que essas obras de ficção não são apenas visões de um futuro próximo, mas uma análise do funcionamento da mente humana, afinal, a cada novo processador que é lançado, mais perto as maquinas chegam de nossa capacidade, possivelmente foi assim, do mesmo jeito que as máquinas podem chegar até Hall, que o ser humano evoluiu em sua seleção natural, algo que foi proposto em Eu, Robô pelo Dr Miles.

Entender como ocorre um lapso de auto-consciência em um I.A. seria como se finalmente pudéssemos entender o motivo pelo qual estamos aqui.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 12:44 PM

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Quarta-feira, Julho 13, 2005


Aquela corrente de música que ta passando por ai. Foi o Mero John que me passou (e a Amanda passou para um Rafael, mas não sei se sou eu).

Quantos gigabytes usados com música

Lá em Itabira deve ter uns 7 gigas, mas já cheguei a ter uns 20 (vivo perdendo minhas músicas). Aqui onde trabalho tem mais de 30 gigas mas eu não tive paciência de ouvir nem um quinto delas, ouço algumas bandas que conheço de vez enquando apenas.

Último CD que comprei

Normalmente eu não compro cds (nem os piratas), mas um que eu compraria é o cd novo do Pato Fu "Toda cura para todo mal", ainda bem que eu o ganhei de aniversário ^^

Música tocando no momento

"Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!" desse cd do Pato Fu citado acima, na verdade estou ouvindo só esse cd desde ganhei.

Cinco músicas que tenho escutado bastante

As que eu mais gosto desse cd novo é essa citada acima, "simplicidade", "agridoce" e "no aeroporto", antes disso tenho escutado uma seleção de músicas do Raul Seixas, dentre as quais eu posso ressaltar "O Homem" e "Por quem os sinos tocam". Mas a Lara jura que daqui uns tempos eu vou mais falar de musica sem citar Los Hermanos, Radiohead e Pearl Jam.

Que cinco discos você levaria para uma ilha deserta, junto com um cd-player, um recarregador de pilhas por energia solar e várias pilhas recarregáveis?

Eu levaria esse cd novo do Patu Fu (que agora está passando umas das melhores músicas: "Agridoce"). Os outros 4 eu nunca os escutei inteiros (normalmente uma música ou outra) mas são tipos de música que gosto bastante: The Book Of Secret da Loreena Mckennitt (foi difícil escolher um cd dela, eu não sabia que ele tinha tantos); Carmine Meo da Emma Shapplin, por que ela está muito bonita na capa; The Metal Opera do Avantasia, por que adoro "Farewell" e Wishmaster do Nightwish, por que o nome do cd é interessante ^^

Pessoas pra quem vou passar isso

Não sei, acho que todo mundo que passou aqui já recebeu isso, então vou gastar atoa mandando pro meus irmãos Tiago e Renata que nunca passam por aqui e o terceiro deixo pra alguém que comentar dizendo "passa pra mim" ^_^


posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:41 AM

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Domingo, Julho 10, 2005


Beira da estrada

As vezes eu procuro o meu nick no Google e acho algumas coisas interessantes como isso aqui por exemplo. Esse foi um texto que escrevi a dois anos atrás e o acho bastante ruim, deu até vontade de reescreve-lo, ou comentar alguma coisa lá no forum ^^.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:30 PM

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Sexta-feira, Julho 08, 2005


Deus e outras invenções aproximadoras (5/5)

Temos ainda o livre arbítrio, podemos escolher a sabedoria que é pesada ou a ignorância leve e tentadora; podemos optar por relacionamentos rasos que nós dá prazer e podemos também optar por não amar. Mas ficar parado não é evolução, nada foi criado sem dor e sem luta, fugir não adianta, pois pulando de um lado ao outro você nunca vai se aproximar o suficiente de uma pessoa para conhecê-la e se conhecer.

Algumas "entidades" facilitam essa aproximação. Não acho nenhuma utilidade nas religiões por si próprias, elas não fazem nada em prol da evolução, simplesmente defendem idéias (ultra)passadas. Felizmente as pessoas mudam a direção dos ventos, caso contrário estaríamos inertes na estrada da evolução.

Mas gosto de alguns religiosos (os que pensam por si próprios), pois eles não são os instrumentos, mas sim os operadores desse instrumento, os mais esclarecidos até usam a religião de forma correta, que é aproximar as pessoas. Louvar a Deus é um tipo de desculpa que a tal consciência primitiva criou para que as pessoas se socializem. Como eu poderia ser contra uma coisa que faz tanto bem a tantas pessoas, os velhos, por exemplo, perderiam a razão de viver se descobrissem que o céu e inferno só existem dentro de suas cabeças. Eles precisam de uma "desculpa" para se encontrarem e dividirem entre si o peso da existência. O grande problema é quando levam a sério demais os dogmas religiosos, mas esse é um preço que a maioria está disposta a pagar.

E existem boas soluções para o efeito colateral da religião, um exemplo bem próximo de mim são os grupos de ginástica da terceira idade, que não só revigoram o espírito como também o corpo. Com isso as pessoas estão socializadas e não precisam se passar por ingênuas indo às igreja e rezando como se sentissem a morte lhe coçando as costas com a ponta da foice.

Mas isso tudo são idéias bastante complexas que não vou entrar em detalhes, resumindo, a religião (como sistema) é um mal necessário, mas que pode (e aconselho) ser evitado.

Falei muito da religião, mas essa história toda me lembra muito mais o estudo do Ciberespaço na Teoria da Comunicação. O Pierre Levy dá uma voltinha lá na época das cavernas e lembra-nos que o homem apareceu na África e se espalhou por toda a Terra. E essa consciência primitiva de que falei criou possibilidades para o ser humano se unir novamente, e eis a Internet, o instrumento mais abrangente da comunicação, o meio pelo qual podemos conhecer um pouco de cada pedaço do mundo. A humanidade está novamente unida.

Mas essa união não é nosso foco, pois não importa o quanto a Internet evolua, ela sempre restringirá a evolução de um relacionamento até certo ponto (o toque é extremamente importante). E não falo apenas de namoros, mas também (e, talvez, principalmente) da amizade. E paradoxalmente a maior qualidade da Internet é o que é visto como defeito: a impessoalidade. Quando você está falando com pessoas do outro lado do mundo você não se preocupa em falar a verdade sempre, isso faz com que você possa ser mais próximo dessa pessoa do que com sua mãe.

Bom. Resumindo. Se você está aqui, existindo ou não um Deus, existindo ou não uma missão, você tem mais o que fazer ao invés de simplesmente se defender. Como já mencionei anteriormente (amparado nas palavras de b.m.) todo Deus, blog, poesia ou vinho tinto, qualquer coisa aqui nesse mundo, só tem utilidade se pode nos fazer aproximar mais de outras pessoas. Se um Deus não consegue fazer isso, então não precisamos Dele.

É na Terceira Flor que cresce a sabedoria.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:15 PM

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Quinta-feira, Julho 07, 2005


Pausa para fazer o pedido

A muito muito tempo atrás eu não gostava de aniversários, achava tolice parabenizar por estar vivo, ora, é apenas um dia a mais, não um dia especial. Mas naquela época um não ficava racionalizando isso, não gostava simplesmente por que não sabia bem o que dizer quando me davam os parabéns. Esse é um dia em que a gente fica exposto, sem defesas por que tudo que as pessoas precisam para se aproximar de vocês é uma desculpa, e dai você é invadido. Mas isso há muito muito tempo atrás.

Continuo fazendo aniversário no mesmo dia (sério!) e continuo recebendo os mesmos parabéns muitas vezes superficiais, mas hoje gosto bastante disso tudo. Antes eu era defensivo demais (meu campo AT tinha uns 2 metros ^^), e ficar vulnerável por um dia inteiro não era uma das melhores coisas que existiam, mas hoje isso é legal, pois é um dia onde as pessoas sabem que vocês está vulnerável o suficiente para dar um abraço que normalmente não dão por não ter um motivo (acho inclusive que no fundo as pessoas sempre querem abraçar umas as outras, mas os espinhos impedem que isso seja mais comum).

Se o aniversário serve para alguma coisa, é como possibilidade de aproximar um poquinho mais as pessoas (assim como Deus a internet e essas coisinhas todas inventadas pelo ser humano). Uma falha no sistema, um espaço de tempo em que seu campo AT fica quase nulo, um dia onde você está uno com o todo (seja lá oq isso queira dizer ^^).


posted by TRUNKAEL H MAIRS 10:02 AM

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Quarta-feira, Julho 06, 2005


Sobre a fuga e outras covardias (4/5)

Há tempos atrás eu já expliquei aqui várias maneiras de fugir, seja fisicamente ou mentalmente (eu já fugi de ambas as formas), adoro o tema da fuga, mas descobri que estava errado.

No entanto só fiz isso (fugi) por que eu pensava que não tinha escolhas. Aquele mundo me limitava, e sabendo que o meu "eu" não se refere somente a mim, mas também à visão das pessoas, ou seja, seria um caminho muito árduo para mudar a visão alheia sobre qualquer movimento que eu fizesse. Naquela época eu já tinha assistido Evangelion muitas vezes, e me identificava bastante com o Shinji. Pena que demorei tempo demais para perceber que sua maior evolução era quando enfrentava as situações ao invés de fugir delas.

O fato é que eu não tinha maturidade suficiente para lidar com o mundo do jeito que era, nem forças para muda-lo a meu bel prazer, por isso entrei em um tipo de pânico inerte, esperando placidamente uma oportunidade para mudar tudo. Não é necessário um fuga física (como a que eu fiz) para mudar sua maneira de ver o mundo, em verdade a fuga só empurra pra frente uma situação que deve ser enfrentada. Para mim a mudança de cidade foi boa, pois eu pude errar de novo e perceber que: "o que importa não é o que fizeram comigo, mas sim o que eu vou fazer com o que fizeram comigo". Acelerou a mudança, mas não era nescessária.

A fuga tem uma qualidade realmente magnífica que é a limpeza do passado, se você muda para um lugar onde ninguém te conhece você terá possibilidade de controlar a maneira com que as pessoas interpretam suas ações (ao menos no começo). Você ganha uma ficha nova para refazer seu personagem. No entanto ela não é necessária. No fim do semestre passado eu pensei em mudar de cidade novamente, pois já não controlava mais as expectativas das pessoas. Depois de muito pensar (e muitos diálogos, livros, teorias) decidi enfrentar.

Mas o que é enfrentar afinal? Eu nem sabia o que deveria enfrentar, até que me voltei novamente a Evangelion (é a resposta para tudo na vida, acredite). Shinji foge o tempo todo mas nunca encontra paz. Ele simplesmente não consegue se relacionar com as pessoas mais do que superficialmente. Toda fuga tem a ver com as pessoas. Com relacionamentos. Nunca temos controle total sobre alguém, e o motivo pelo qual as pessoas fogem é não poder ler e controlar o pensamento de todos.

Talvez eu tenha entendido que dessa vez eu deveria ficar quando me deparei aconselhando uma amiga a parar de se preocupar com os que outros estão fazem em relação a ela, e sim ao que ela deveria fazer em relação ao outros. Não há como ter uma relação onde um manipula o outro, ambos tem que se aproximar mesmo que os espinhos machuquem, não é necessário nenhuma fuga quando você não se importa em deixar seu "eu" para trás.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 8:06 AM

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Terça-feira, Julho 05, 2005


O Dilema do Ouriço (3/5)

Eu já ressaltei que o motivo da existência humana é se relacionar com os seres humanos, não que um ermitão ou monge esteja vivendo de forma errada, pois eles procuram uma aproximação com si mesmo. Mas falo especificamente das relações interpessoais, ora, se não precisássemos evoluir conscientemente não precisaria ter tido uma separação de Deus.
Mas apesar de termos todos a mesma essência, as relações são sempre espinhosas quando começam a ficar interessantes (não falo aqui sobre ciúmes bestas ou pequenos defeitos e manias, mas sim as verdades). Sabemos que o ser humano é imperfeito, mas ainda não está claro o quanto é contraditório. Há uma distância tremenda entre o falar e o fazer, o saber e o querer, o falar e o saber, o saber e o querer.

Qualquer relação que passe a ser totalmente sincera (e isso não é só falar a verdade quando se é perguntado, mas falar a verdade sempre que tem-se algo a dizer) torna-se muito desgastante, e normalmente é insuportável para qualquer um que dá alguma atenção a seu ego. A sinceridade absoluta é a carga máxima que alguém pode receber, quem não está preparado para essa sinceridade pode ficar louco, tentar suicídio, ou esconder tudo através do superego, ou seja, se defenderá de todas as maneiras que puder.

A nossa jornada é em prol da maturidade de viver em comunhão com outros (aquilo que aquele tal de Jesus falou: "ama a teu próximo como a ti mesmo"). Devemos ter força para suportar os espinhos, e astúcia para que os seus não machuquem tanto (para fazer isso é necessário fortalecer os outros).

O que define um relacionamento é a capacidade de aproximação, e a aproximação gera dor, cada verdade é um espinho enfiando na pele alheia, não é uma alfinetada, mas algo que vai ficar ali dentro entrando cada vez mais fundo, abrindo caminho para outros, se ambos agüentarem a dor vão ficar cada vez mais próximos e mais fortes. Literalmente unidos pelo sangue. O problema é que as pessoas tem medo da dor, e no dilema do ouriço não há outra opção quanto mais se aproximam mais se machucam.

Mas devemos lembrar que doem apenas em nosso ego, se ignorássemos mais o nosso self (salvem os budistas!) os espinhos não seriam dor, mas sim parte de nosso crescimento espiritual.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:43 PM

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Segunda-feira, Julho 04, 2005


Análise sobre o Campo AT (2/5)

E então Deus percebeu que não podia aprender mais nada, só sabia física, química e talvez um pouco de matemática, teria que se estender para aprender mais e mais. A consciência foi dividida, e o ser humano (na época, possivelmente homo sapiens ainda) finalmente teve consciência da própria existência. Nós, que não tínhamos nenhuma individualidade passamos a tê-la. Mais do que carne, osso e consciência, o homem tinha agora uma alma. Algo que separava ele do mundo e das outras pessoas.

Em Evangelion essa barreira da alma é chamada de Campo AT (absolute terror), e isso é exatamente aquilo que protege nossa individualidade. Cada pessoa tem seu espaço individual a qual defende a qualquer custo. (Esse espaço tem mais ou menos 50 centímetros de circunferência, mas seu tamanho difere de pessoa para pessoa.) Percebemos facilmente o poder desse nosso espaço pessoal quando nos aproximamos de outra pessoa, pela vontade de sentar sempre em um banco vazio no ônibus, pelo não tocar em quem estamos apaixonados, pela dificuldade de falar (Deus! como é difícil expressar sentimentos, expressar vontades). Tudo por que não gostamos de ser invadidos por outr'alma. Tudo para ficarmos inertes nesse lar quente, aconchegante, solitário que é nosso ego.

É possível perceber que, mesmo que muitas pessoas ainda defendam seu espaço individual com unhas e dentes, a maioria estão se abrindo mais, isso é uma das características da pós modernidade. Ao invés de evitar a dor das decepções, o ser humano quer se arriscar novamente a se dividir com outros.

Creio que a mudança do valor desse espaço tem a ver com a evolução da humanidade como um todo. Ora, se queremos nos relacionar cada vez mais devemos nos aproximar mais, tocar, acariciar, mudar os destinos. Esse campo de força está enfraquecendo para que as outras pessoas tenham um acesso mais livre à nossa alma. A individualidade só era necessária para separar as consciências, o problema é que foi utilizada para separar os homens (isso principalmente na Idade das Trevas, com os cristão vestindo os homens de pudores). Felizmente estamos pouco a pouco voltando a nos relacionar de maneira saudável para a evolução da humanidade.

(Portanto, quando for abraçar, abrace de verdade.)


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:04 PM

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Sexta-feira, Julho 01, 2005


Sobre isso ai

Olá,

Uma vez o b.m me disse que eu estava distante demais do blog, que eu jogava posts conclusivos e só. Resolvi que me aproximaria mais de vocês, mas isso numa época que eu já não tenho muito tempo para escrever (eu não tenho computador na república u.u'), mas preparei um conjunto de textos que não só vão me aproximar mais desse blog, como falam exatamente disso, da aproximação.

Nesses próximos textos vocês vão me conhecer mais do que minha mãe me conhece (na verdade não, pois aposto que ela também vai ler isso aqui ^^). É a base para começar a entender um pouco de minha filosofia.

Pena que eu não tenho tempo (e nem a paciência de vocês) para poder explicar tudo do jeito que deveria, mas estejam convidados a comentar para tirar dúvidas, duvidar, brigar e me dar socos na orelha, estou aqui pra isso.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 10:09 PM

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Falando sobre meu Deus (1/5)

Dizem por ai que eu sou ateu o que não é verdade, eu simplesmente não acredito no Deus cristão. Sou agnóstico por que acho que é impossível provar a existência ou inexistência de Deus (e falo em Deus com grande abrangência, como uma força que rege o universo, Deus cristão, judeu e similares são sumariamente desacreditados). No entanto eu sustento uma teoria que busca por Deus. Isso não me torna um crente, pois para isso eu teria que acreditar em algo sem nenhum fundamento. No entanto também não me torna um cientista, pois os objetos que eu analiso são tão inatingíveis quanto o Deus de vocês. Em verdade não passo de um filosofo observando as variáveis. Mas não sou egocêntrico o suficiente para dizer que inventei tudo, na verdade a maior parte de minha teoria vem de um anime que eu considero como a melhor criação do homem: Neon Genesis Evangelion (o nome já é bem sugestivo né ^^).

Imagine que após o "universo [que] arrotou-se a si mesmo à existência" (frase de John Santos, ótima John!), depois que as moléculas minerais sofreram mutações, quando existia um tipo de mar com toda a matéria existente. Imagine que esse mar, ou esse planeta, tinha uma consciência de existência. Não uma consciência humana, mas um 'eu existo, tenho que evoluir'. Essa consciência única (que seria bem próxima da teoria de que a Terra em si é um ser vivo e somos suas bactérias) é Deus. Ou seja, a subconsciência primitiva, a vontade e capacidade de evoluir: Deus.

Veja que esse Deus não se parece em nada com o Deus Cristão, pode até se parecer um pouquinho com o "Deus" budista. Ele não é onipotente, mas onipotencializável. Ou seja, Ele não pode fazer o que der na teia a qualquer momento que quiser. Ele tem o potencial de fazer qualquer coisa que possa ser imaginada. Nessa época ele era tipo que onisciente e onipresente, mas não era (e ainda não é) onipotente.

Então, clamando por evolução assim como uma leoa ou uma beija-flor anseia por dar continuidade à espécie, Deus dividiu sua onisciência em vários pontos de consciência, pois assim, com a possibilidade de cada ponto desse não ter total clarividência, um precisaria do outro para se completarem e assim colocar em ordem a onisciência divina.
Complicado? Não não. Vou explicar:
Deus sabia de tudo, mas o tudo que ele sabia era muito pouco comparado ao pouco que sabemos hoje. Isso por que o conhecimento não existe desde sempre, ele é criado. O Universo tem potencial de ter em si todo o conhecimento, mas esse tem que ser criado por alguma coisa. Por isso a onisciência foi dividida em pontos conscientes, pois a relação entre esses pontos (pessoas, para quem ainda não entendeu) era a melhor maneira de criar mais conhecimento para o universo e para Deus. Por isso o ser humano existe.

No entanto Deus some quando se divide, Ele, nesse momento, só existe em nossa memória (lá, bem no fundo, confundido com divindades incoerentes). Não é Ele que quer o ser humano novamente, é o ser humano que quer voltar a ser Deus. E para isso teríamos que, não só criar conhecimento, mas uma fórmula de tudo, onde pudéssemos ter um mapa total de tudo que pode ser criado dentro desse universo (vide "A Inconsciência Onisciente"). Ou seja, algo tão improvável que parece impossível.

O problema é que o tempo está contra nós, e a única maneira de sobreviver ao tempo é passando nosso conhecimento para frente, assim as gerações futuras vão conseguir chegar cada vez mais perto de Deus.
Nossa única missão nesse mundo é aprender e passar esse aprendizado para frente. Para isso devemos nos relacionar com os outros pontos de consciência. E isso não quer dizer que devemos discutir à exaustão. Relacionar para entender um pouco mais o outro, amar e ser amado, se aproximar o máximo possível do que cada um tem de melhor, é isso que fazemos aqui.

Bom, esse é o resumo do meu Deus. Para terminar vou colocar uma frase do b.m, que explica bem: "tudo, tudo o que se faz nessa terra de meu Zeus, só serve pra te levar perto das outras pessoas".

O seu Deus, assim como o meu Deus, só servem enquanto eles tiverem possibilidade de fazer as pessoas se aproximarem, se acontece o contrario são completamente desnecessários.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 10:09 PM

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