Egocentrismo ou Covardia: Eis o que mantém um nerd vivo
Essa moça aqui acaba de reforçar os estereotipos, o que me surpreende de certa forma, pois ela é defensora do relativismo artístico, mas pelo visto não do relativismo pessoal. Bom, o fato é que estamos em um mundo em que etiquetamos as pessoas ao mesmo tempo em que as pessoas se auto-etiquetam. E isso não é algo essencialmente ruim, o Gato já disse que não sabemos o que somos, e por isso nosso primeiro presente é uma etiqueta - nosso nome.
Mas além do nome precisamos de um tipo de um cartão de visitas que é expresso em nossa personalidade, seja no modo de falar, vestir ou ignorar isso tudo. O fato é que não dá pra fugir disso, e assim como obras de arte, vamos admirar as mais originais. Um tanto de skeitistas ou sósias da Avril Lavigne não tem lá muito "valor de mercado" pois não passam de cópias. A busca então é pela originalidade, será que devemos agir como Doug Funny naquele episódio sobre moda, onde ele começa a vestir roupas esquisitas só pra não estar na moda? Mas isso também não acaba virando moda? O anti-esteriotipismo acaba virando em si um estereotipo.
Se eu não fosse anti-conclusionista (êta, o neologismo está em alta aqui ein), diria que na verdade não importa em que estilo vamos nos encaixar, importa é a maneira a qual esse estilo ajuda em nossa busca pela felicidade.
Mas vamos mudar de assunto pois na verdade já cansei de ficar nessas discussões inúteis. Repararam que isso aqui não me leva a lugar nenhum? Que na verdade isso não passa de masturbação mental, que nada muda de verdade, que ninguém realmente ouve o que quero dizer (e o que eu quero dizer realmente não deve ser ouvido). O fato é que estou num daqueles momentos em que dá vontade de mandar a Vida para aqueles lugares vulgares. Pensei que isso era só depressão, mas na verdade é sentimento que já está impregnado em mim, coisa que só me dá férias de vez enquando, normalmente quando estou em amor (pensei que falar 'quando estou amando¿ soaria bem ridículo).
Mas não falo do amor incondicional que alguns pregam por ai, pois nesse não acredito. Falo de gostar de alguém, de querer alguém para si, coisa muito menos romântica e muito mais humana. Assim que meus amores morrem eu acabo caindo nesses Fossos da Morte de Rath, mas é coisa que passa. O interessante é que nesse mundo transbordando de clichês eu ainda consigo pessoas que me fazem sorrir de verdade vendo que há uma parte da vida que eu ainda não perdi. Essa moça aqui nem imagina o tamanho do sorriso que suas mensagens me causaram ontem à noite.
Ah, deixemos essas discussões bestas de lado e deixe-me voltar à vida, procurar outro amor. Pois nesse mundo de ilusões é melhor ter um amor platônico do que ter amor nenhum.
Sabe de uma coisa, esse post abaixo não passou de um choramingo idiota de quem espera ser consolado. Na verdade sempre que nos auto-criticamos ou fingimos modéstia não passa de vaidade, a vontade de ouvir de alguém aquilo que você já sabe. Escrevemos esse tipo de coisa para obter a pena de alguém, para que digam que vai passar. E antes de eu ler os comentários quase que adivinho a palavra de vocês, sabia que a Claire iria dizer pra eu não ficar a sim, sabia que a Helen me daria apoio, sabia (ora, vejam só) que a Lara iria me dizer "tá vendo, num te falei!", sabia que o b.m. diria sem dizer, pois aqui nos comentários ele nunca fala do jeito que fala nos e-mail. Tá vendo? É vaidade. E escrever essas coisas no blog é demonstrar o desespero de estar vivo, é tentar cativar as pessoas pela fraqueza, é se mostrar do modo avesso, isso por que já se sabe o que virá. Mas as vezes vem conselhos bons, as vezes alguém fala algo que deveríamos escutar, como o comentário da Lara, ora, nada mais certo que fechar os olhos e Adormecer novamente, no entanto isso já não se configura possivel, pois já sei quais são as possibilidades, e ainda que eu fique no profundo fosso da amargura eu prefiro estar de olhos abertos, pois fechar os olhos diante do perigo da vida, é para os fracos. E vejam, até esse discurso todo foi a favor de minha vaidade. Derma de Diva!
Fazia muito tempo, muito tempo mesmo que não me batia esse maldito sentimento de derrota. Talvez ele tenha se despertado com esse texto do jogo do Lecter, mas foi com um maldito filme de comédia que ele se intensificou. O show foi até interessante, descobri que realmente é preferível beber cerveja à doses. No entanto isso não muda muita coisa. Sábado depois de ter assistido aquele filme deu vontade de chorar (e não era romance, acreditem), o mal humor me tomou conta de uma forma tão completa que eu pensei que minha alma se aprodreceria de amargura. Não foi por acontecimento recente, foi algo que sempre esteve comigo e que eu, desde o começo desse ano, tinha conseguido esquecer. É uma grande merda quando sabemos de nossas fraquezas e descobrimos ser incapazes de ignora-las por muito tempo. O fato é que toda essa amargura é real, as cada vez mais raras crises de empolgação não passam de distração, as malditas discussões que esquentaram isso aqui nos ultimos posts não passam disso - distração. E isso me faz pensar na maldita frase que também já foi título de post por aqui, posso continuar fingindo o tempo todo, posso dar cambalhotas e rir de Deus, posso me emocionar com imagem perfeitamente bela, "mas no final, nada foi resolvido". E provavelmente nunca será.
Nunca, na minha vida, peguei num revólver carregado. Tenho pavor de armas. Fui criado numa região, naquela época, de uma violência diferente da que existe hoje. Era o tempo das velhas lutas políticas de Minas Gerais. Matava-se muito.
Diziam que, no Vale do Rio Doce, se atirava num homem só pra ouvir o barulho do tombo. O trem chegava a Caratinga e - diziam - todo mundo vinha sentado embaixo das cadeiras do trem. Pra não levar bala! Fui criado por um pai e um avô que viveram ali, envolvidos nas lutas políticas.
Meu avô, então, era amigo de coronéis e de jagunços. Odiava armas. Meu pai nunca teve um revólver em casa. Dizia: "Você não precisa de um revólver. Precisa de um dedo para apertar o gatilho."
Ele achava que não tinha coragem de matar um gato, mas acreditava, filosoficamente, que o homem não se conhece: "Não conheço a extensão da minha raiva, nunca fui posto contra a parede. Não quero ter um revólver na mão se isto, um dia, acontecer." Meu pai viveu oitenta e dois anos e meu avô noventa e três.
Eu já passei dos setenta. Sem armas em casa! Meu tio Miguel Martins, irmão de minha avó, foi o homem mais doce e mais cordial que jamais conheci. Andava armado com um tresoitão que não tinha mais tamanho; tinha ainda uma quarenta e cinco na gaveta e uma vinte e dois debaixo do travesseiro.
Nunca teve que atirar em ninguém, morreu na cama, mas, filosoficamente - como Miguel de Cervantes - achava que um homem não podia viver sem uma espada na mão ou um punhal na bota. Sou total e completamente favorável à campanha do desarmamento. Claro.
Acho que precisamos de campanhas nacionais de esclarecimento e ações objetivas como a da troca das armas por dinheiro. Cheguei a fazer um logotipo e um slogan para esta campanha. Era assim: o símbolo da proibição, um círculo vermelho com uma faixa transversal vermelha sobre o objeto, em preto, que se devia proibir.
A faixa transversal cobria uma arma desenhada em negro. Só que em vez do círculo, eu tinha desenhado um coração. E o slogan era: "Amar o Brasil é desarmar o Brasil." Foi uma encomenda do Viva Rio - ou eu ofereci sem eles me pedirem, não me lembro -, mas, me parece, que não chegaram a usar.
Creio, aliás, que é o Viva Rio que detonou a campanha que desaguou no plebiscito que aí está. Vários amigos meus estão com o maior problema para decidirem como vão votar.
Há tantas dúvidas envolvendo a questão que, mesmo alguém mais lúcido e interessado por questões desta importância, fica achando difícil tomar uma decisão consciente. Pensei muito, muito mesmo sobre o caso. E tomei uma decisão solitária, fruto de muita reflexão e de muito cuidado.
Vou votar NÃO! Sem a menor sobra de dúvida, sem tremer a mão, sem achar que esteja cometendo qualquer tipo de incongruência, vou votar NÃO. Acho que as campanhas de esclarecimento para o público estão cheias de equívocos. Ideologizaram a questão.
O que ficou parecendo é que os que votam SIM - pela proibição - são as pessoas do Bem e os que votam NÃO são as do Mal.
Na televisão é isto o que está acontecendo. Do lado da liberação de se manter o direito de compra de armas, legalmente, registrá- las e informar as autoridades da sua existência (idealmente: as leis são feitas para um Estado presuntivamente sério), estão algumas das figuras mais deletérias deste país, como o velho Rob Jefferson, o ex-governador do Banestado, Fleury, e outras figurinhas carimbadas, o que faz supor que aí está o MAL.
Do outro lado, estão as pessoas mais lindas e mais puras deste país, heróicos atores da Globo, alguns verdadeiramente sérios como, por exemplo, a Maitê, o Marquinhos Palmeira, a Ingrid Guimarães, entre outros.
O que acontece é que o que está passando para o público não é a questão da comercialização. Muita gente pensa que se está falando em desarmamento. É claro que qualquer pessoa de bom senso, qualquer um de nós que luta por um mundo justo, é a favor do desarmamento.
Somos todos a favor de que não haja nenhuma arma dentro dos nossos lares que ponha em risco sua segurança. Mas, não é isto que parece estar sendo posto em questão. O que o povo tem que saber é que vai votar por uma proibição e não pelo desarmamento.
Quem votar SIM vai votar contra o direito de se comercializar um bem de consumo, um objeto legalmente legal, um artefato que faz parte da vida de qualquer povo civilizado. Infelizmente!
Trata-se do direito de se comercializar um objeto que, por exemplo, eu odeio, que jamais teria em minha casa, um objeto que não sei o que fazer com ele, mas que está, legalmente, posto no comércio.
O que ninguém está lembrando é que devem existir mais de 18 milhões de tios Miguel no Brasil (10% da população), no mínimo. Deve haver milhões de pais de família corretos e decentes que acreditam, piamente, que têm que ter uma arma em casa.
E deve haver, também, muita gente ruim, com família organizada, que acha que deve ter um Smith Wesson para enfrentar os bandidos armados de R-15. Meu Deus, tem freguês de mais para este produto, será que as pessoas não percebem? E tem mais: pode-se confiar em grande parte das pessoas que têm este desejo?
Não temos tempo, agora, de convencê- los de que possuir uma arma é uma coisa má, uma coisa desumana e que não temos arsenal para enfrentar o crime organizado. Grande parte, porém, dos que querem ter arma é constituída, estou certo, de gente decente.
Como é que vamos proibi-los de ter, legalmente, o que desejam? São milhões de brasileiros - milhões! - nesta condição. Pelas leis hoje em vigor, eles - os decentes - podem comprar uma arma e informar às autoridades que a possuem.
A partir da vitória da proibição, mais da metade deste contingente de brasileiros e seus herdeiros - os que têm ou os que acham que precisam ter uma arma - vão comprá-las onde? Vão registrá-las onde?
Vão informar às autoridades que têm esta arma onde? O povo norte-americano, por seus legisladores, achava que proibir o consumo de álcool seria um grande bem às famílias norte-americanas. Nunca houve tantos alcoólatras nos Estados Unidos como durante a proibição do comércio de bebidas alcoólicas.
Associações como o AA foram criadas durante a Lei Seca. Nunca se matou tanto nos Estados Unidos. Foi a Lei Seca que criou o crime organizado.
É claro que ter uma arma não é uma carência neurótica da sociedade como é a do consumo desenfreado do álcool, mas o contingente de "viciados" em arma é, meus amigos, bastante grande.
Imaginar que não se vai criar uma nova rede de contravenção no nosso país com a proibição desta comercialização é de uma inocência sem par. Imaginar que não se vai aumentar o poder das organizações que já contrabandeiam drogas, oferecendo a elas um novo produto para sua ganância é de uma irresponsabilidade sem par.
Nunca, em minha vida, tive tanta consciência de que estou no lado certo - apesar da má companhia - como no voto que vou dar neste plebiscito. Eu voto NÃO!"
Antes, eu tinha certeza de que ia votar no NÃO e ninguém ia me convencer do contrário. Mas o tempo foi passando, entrei nas comunidades do SIM e do NAO no orkut, ouvi propagandas no rádio e na TV e os argumentos do SIM me convenceram. Vou votar SIM.
Sabe por que?
Vou dar 20 motivos:
1. Descobri que é a arma legal que alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo. Ano passado me roubaram quatro mísseis stinger.
2. Descobri que todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.
3. Descobri que quem mora em fazendas, isolado de todos, no meio do mato, não precisa de armas. No meio da natureza rola uma 'vibe' muito forte, as energias positivas das árvores e das flores protegem eles.
4. Descobri que os 570 milhões de reais investidos para realizar o referendo foram muito bem empregados. Afinal, porque que a gente vai gastar com segurança, quando se pode gastar num referendo? E dizendo SIM eles, nossos governantes, vão ver o quanto a gente adorou ter esse privilégio de exercer nosso direito como cidadão de decidir os rumos do nosso Brasil!
5. Descobri que se o NAO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinte à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir numa loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.
6. Descobri que delegados e policiais civis militares e federais -- que são em quase totalidade favoráveis ao NAO -- não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.
7. Descobri que todos os assaltantes de casa têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.
8. Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigos. Eles adoram fazer isso.
9. Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que todas as teorias deles vão funcionar direitinho aqui.
10. Descobri que o governo quer que a gente vote SIM. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc. vem melhorando cada vez mais, dia a dia.
11. Descobri que todos os cidadãos de bem assim que acabarem suas munições vão manter suas armas eternamente sem munição, até se deteriorarem, ninguém vai buscar bala no mercado negro (até porque a violência vai diminuir um bocado), e assim não corre o risco do mercado negro se fortalecer.
12. Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.
13. Descobri que essa história dos crimes por armas de fogo ter aumentado 500% na Inglaterra nos 6 anos após o desarmamento por lá foi uma coisa super normal, afinal, a população tá se expandindo, né? É natural que haja um aumento.
14. Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.
15. Descobri que no Texas -- onde há quase uma arma por habitante -- reduziu para quase a metade o índice de crimes violentos nos últimos dez anos. Mas isso é porque nesses dez anos, o pessoal parou de comer carne vermelha e começou a ouvir mais Bob Marley.
16. Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicída em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios psíquicos como a depressão.
17. Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.
18. Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou uma guria legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.
19. Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas. Êêêêêêêêêêê!!!
20. Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela!Obaaaaaaa!
"Everyday I wake up alone because I'm not like all the other boys." (As You Are - Travis)
O rapaz estava voltando para casa. A festa em si tinha sido boa, mas para ele festa nenhuma era boa de verdade, pois ele nunca (nunca) conseguia o que queria. E então, voltando para casa viu duas moças andando ao revés da madrugada. Parou. Moravam muito longe, hesitou, mas resolveu dar carona para as moças.
A que sentou na frente, a mais bonita das duas, conversava sem parar tentando chamar a atenção do rapaz. Quando foi deixada na porta de casa pediu seu telefone. Muito pensativo, o rapaz suprimiu o devaneio que lhe atacou sobre as infinitas possibilidades causadas por uma simples ação. Só não pensou já em contar essa história para os filhos porque não é de casamentos.
Deu o celular e cobrou o contato. Beijaram-se no rosto e se foram, cada um para seu lado.
Mas nosso rapaz, apesar de muito sonhador, era um pessimista nato, e bombardeou cada pensamento que chamava a moça com sua potência máxima de desdém.
Mas a moça ligou. O rapaz morava em outra cidade por isso não podiam marcar nenhum encontro por enquanto. O contato apenas por telefone antes do primeiro encontro dos dois, durou quase seis meses. Quem pudesse ver isso de fora pensaria que tinha algo a ver com amor. Mas não, o rapaz a evitava. Era modelo (linda) e estava a fim, mas tinha algo nela, algo que nem eu nem ele sabemos explicar. Mas foi inevitável. Saíram juntos, ficaram, conversaram. Só conversa superficial. Nosso rapaz não gosta de superficialidade. Ela fingia certos interesses. No final da festa ficava apenas olhando as outras pessoas, como se ele já não precisasse ser conquistado. Apenas o erguia para a multidão. Bom, talvez isso já seja presunção demais.
O fato é que essa festa também não foi boa de verdade apesar de ele ter tido o que queria. Começaria a namorar? Sumiria das vistas da moça?
Deixou rolar. Ela o ligava sempre, marcaram outro encontro.
Eram ambos tão frios! O rapaz tentou se aproximar, mas a distância entre os dois era grande demais, e não falo da distância física, pois no momento desse comentário eles estavam abraçados e se beijando.
Ela era linda, demonstrava interesse e era modelo. Mas o rapaz resolveu voltar para suas antigas festas ruins, resolveu deixar-se levar por um destino que finalmente lhe apresentaria um sentimento genuíno junto com a verdadeira felicidade (ainda que momentânea).
Estamos nos aproximando de um momento muito importante da história brasileira. Dia 23 desse mês será decidido se a comercialização de armas de fogo e munição será proibida no Brasil. Como qualquer outra disputa, o país foi dividido entre os que se posicionam contra a proibição e os que estão a favor.
O principal argumento da frente parlamentar que é a favor da proibição é a defesa da vida. Sorrisos famosos entonam um hino de "queremos paz" e pessoas comuns falam do drama de perder um ente querido morto por arma de fogo.
De acordo com as pesquisas da TV SIM, o número de mortes por arma de fogo se dividem em 95% por motivos banais e apenas 5% por criminalidade. E esse tem se tornado seu maior argumento na ludibriação de um povo cansado de violência.
Realmente é possível que a maioria das mortes por arma de fogo sejam causadas em sua maioria por amigos, parentes ou vizinhos. Um traficante que mata o irmão se encaixa nessa estatística, assim como Ricardo Francisco dos Santos que torturou e matou a família Yonekura para roubar. Ora, ele era uma amigo da família.
Se houvesse uma maneira de destrinchar essa pesquisa, que se comporta como único argumento válido da frente a favor da proibição, descobriríamos que 90% dos casos de morte com arma de fogo obedecem a mesma lógica.
A TV SIM, ainda apela para dramatizações e falácias. Eles criaram um discurso que ilude as pessoas a pensar que com a proibição do comércio legal de armas de fogo no Brasil, todas as armas de fogo vão sumir como um passe de mágica. (Basta ver as comunidades do Orkut que são a favor do Desarmamento(?)).
Com essa proibição ninguém será desarmado, e o comércio ilegal de armas de fogo vai aumentar ainda mais. Hoje é mais fácil comprar uma arma no mercado negro do que no mercado legal, se a proibição for aprovada a venda de armas estará intimamente ligado à venda de drogas, dando para os bandidos uma enorme vantagem sobre o cidadão comum.
A única coisa que vai mudar após a proibição do comércio legal de armas é que quem quiser ter uma arma de fogo vai ter que compra-la de forma ilegal, o que não será muito difícil visto que a maioria dos cidadãos que possuem uma arma, não possuem porte de arma.
De acordo com os comerciantes de armamento essa proibição não adiantará em muita coisa uma vez que desde o estatuto do desarmamento ter sido aprovado a venda de armas caiu cerca de 80% e fechou mais de mil e duzentas lojas de comercio legal de arma de fogo em todo o Brasil.
Hoje é muito difícil comprar uma arma de forma legal, e mesmo os cidadãos de bem preferem comprar armas de forma ilegal. Com a proibição total da venda de armas não vai mudar muita coisa, no entanto aqueles que gostariam de ter uma arma legal em casa já não terão esse direito. Devemos pensar o tempo todo nessa palavra - direito. Ainda que os argumentos da frente "Diga Sim à Vida" fossem legítimos eles se mostrariam fracos diante da idéia de que estaremos indo às urnas para legitimar a retirada de mais um direito do cidadão.
Estou relendo "Mago: A Ascenção", o melhor (em minha opnião) RPG da White Wolf. Essa minha nova empreitada no mundo dos Escultores da Realidade tem um propósito maior que o jogo em si. Dessa vez estou estudando "Mago" como uma metáfora para o mundo real.
Esse RPG fala da liberdade que um Desperto tem de moldar a realidade à sua vontade. Um Mago pode fazer coisas realmente fantásticas como controlar a energia, dilatar o tempo, dar vida à matéria inerte, visitar outros mundos e outras dimensões, enfim, tudo que a imaginação permitir.
No entanto os grandes Arquimagos já não caminham mais sobre a Terra, pois a humanidade foi infectada pelo paradigma da ciência, e agora que está globalizada é difícil achar nichos onde a magia ainda é acreditada. Esse Dogma imposto pela ciência e sustentado pelo consciente coletivo acaba por tornar a magia algo muito difícil de se fazer, se todos acreditam que as leis da física são reais, então o Mago é apenas uma vontade contra todo o resto do mundo.
Quando as comunidades eram separadas e cada uma tinha suas crenças, os Despertos tinham mais liberdade de moldar a Tellurian. São as crenças dos Adormecidos que legitimam a possibilidade de um Desperto distorcer a Realidade.
Qualquer pessoa tem a possibilidade de Despertar a qualquer momento, no entanto é improvável que isso aconteça na infância (e se acontece a criança pode ser desacreditada deixando seu Avatar inerte) ou na maturidade (quando já estamos conformados com o mundo cinza e sem graça), o Despertar acontece normalmente no final da adolescência, momento em que as pessoas passam por suas maiores crises e mudanças de paradigmas.
Uma vez Desperta a pessoa exala uma aura de poder que o diferencia do resto dos mortais, ela passa a ter uma percepção mais aguçada e vê o mundo de uma forma muito mais viva. É como se essa realidade convencionada não passasse de uma pintura cinza em comparação com a imensidão de cores da Tellurian.
Para facilitar o aprendizado da magia as Tradições dividiram sua formas em nove Esferas - Mente, Primórdio, Espírito, Tempo, Vida, Matéria, Entropia, Correspondência e Forças. Alguns Magos acreditam que exista uma décima, uma Esfera unificadora que seria como a Teoria de Tudo da física, ou a Pedra Filosofal dos Alquimistas.
Já que estamos usando Mago como uma metáfora, proponho que essa 10ª Esfera seja a Informação. E os Magos que dominam essa Décima Esfera estão todos nos livros de história - filósofos, cientistas, astrônomos, escritores figuram na linha do tempo como Magos, capazes de criar e moldar a informação, criando assim uma alteração em toda a realidade. (Os Magos ainda discutem se Galileu observou que a Terra girar em torno do Sol, ou se sua observação [ou vontade] criou essa realidade.)
Mas ao contrário da Magika (a magia verdadeira) essa 10ª Esfera não está morrendo esmagada sobre os pés do senso comum, ao contrário, a cada dia que passa ela se fortalece. E como o advento da Internet o número de Despertos controladores dessa 10ª Esfera aumentou exponencialmente dando a todos a possibilidade de moldar a realidade.
O que antes era controlado apenas por centros de poder (Mídia, Escolas, Governo) e administrado apenas por poucos Escultores versados nessa Esfera (Jornalistas, Escritores, Professores, etc) agora está ao alcance de todos. A Internet (uma criação dos Adeptos da Virtualidade) é a responsável pelo Despertar de milhões de pessoas em todo o mundo, e agora todos tem o potencial de distorcer a realidade.
A liberdade proposta por esse Mundo Virtual é assustadora, e nos coloca com os mesmos problemas dos Magos - cada Desperto quer moldar a realidade conforme seu paradigma. Por isso vemos tanta diversidade na rede, e os conflitos ideológicos se assemelham às grandes batalhas dos Magos de Tolkien. Hoje cada um defende seu território virtual a palavras, ferro e fogo.
Os conflitos ideológicos unem as pessoas com paradigmas parecidos em torno de um ideal comum (como defender o direito dos Gays, ou ataca-los, por exemplo) e as Tradições da 10ª Esfera da Magia tentam expandir sua influência ao máximo possível.
Aqui somos todos Magos moldando a realidade, a nossa vontade pode modificar as cores da Tellurian. Podemos fazer mais pessoas acordarem ou outras adormecerem. A Quintessência que gira em torno de nós vai influenciar qualquer um que se aproxime e se a Ressonância for contraria inevitavelmente haverá um choque ideológico. Cabe a nós administrar a informação e, assim como os Magos e sua Magika, e colocar a humanidade no caminho da Ascenção.