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Quarta-feira, Novembro 30, 2005


Manifestação Silênciosa

Os narizes e camisas foram entregues ontem, muitas pessoas já usaram no mesmo dia. O Bloco B ficou cheio de pontinhos vermelhos. A gente ainda nem tinha se movimentado e a coordenação já estava apavorada, ele andava pelo corredor igual barata tonta vendo narizes vermelhos, perguntando o que estava acontecendo (sem resposta) e sem saber o que fazer.
Hoje de manhã finalmente a galera se uniu para a passeata silênciosa e quase cem alunos desfilaram pela escola com seus narizes vermelhos e brilhantes. Algumas pessoas riram de inocência, outras riram de medo, e a pessoa que antes almoçava quase tranquila quase teve um ataque cardíaco quando a fila de narizes vermelhos resolveram passar pela cantina.
Depois de uma voltinha pela faculdade chegamos em frente a sede geral de administração, onde o reitor geral do sistemas de faculdades estava. Sentamos lá na frente e ficamos olhando para eles, um dos diretores que chegou depois achou bonito todos aqueles narizes e tirou uma foto com seu celular. Depois de 15 minutos levantamos e voltamos ao Bloco B.
Pouca gente entendeu, para maioria foi estranho, para outros nem tanto.

Foto1 - Foto2 - Foto3 - Foto4


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:25 PM

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Quarta-feira, Novembro 23, 2005


Carta a um Amigo

Tempos atrás eu disse que te achava a pessoa com menos perspectiva de vida que conheço. Eu olhava para você e não via objetivos. O futuro não existia para você, apenas o presente, tu és o melhor exemplo de pós-modernista que conheço. Suas ações destilavam ora paixão, ora niilismo. Algumas pessoas pensavam que te entendiam, mas mesmo sem lhe entender direito eu sabia que nem você se entendia. Não existia diálogo entre você e si mesmo, percebia uma enorme distância entre suas vontades e suas ações.
Mas com um pouco de vinho e muito tempo de conversa a gente acaba percebendo que no fundo sabemos aquilo que queremos, no entanto ainda não entendemos o por que queremos. Em discussões assim sempre me lembro do que a Oráculo disse a Neo (você adora Matrix), todas as escolhas já foram feitas, você só precisa entende-las. E dai a conversa já tomava outros rumos, e a filosofia emergia na prática de nossas vidas.
Se eu esticar a mão fico sabendo onde você está, como está, se está bem ou não. Mas parece caracteristica nossa esse geito de conviver apenas com quem está fisicamente perto, melhor que conversar mediado por meios tecnológicos marcaríamos um dia, e eu chegaria em sua casa com um garrafão de vinho sob o braço. Aquela reunião não aconteceu, mas as férias estão chegando e finalmente podemos sentar e anarlisarmos nossas vidas novamente. Vitórias? Algumas. Derrotas? Muitas, como sempre. Sorriremos e beberemos mais um gole, talvez pensando em quanto tempo falta pra aquela Tremere chegar.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:56 PM

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Segunda-feira, Novembro 21, 2005


Das verdades que compramos na esquina

Tenho que dar chance à minha sorte... Ela passa o rimel cuidadosamente como se fosse algo muito importante, ou muito doloroso. O tempo todo se encarava no espelho para dar confiança. Tenho apenas que criar oportunidades, todo mundo diz isso. Enquanto repetia sua reza otimista viu os olhos da moça do espelho se encherem d¿água. Criar oportunidades... Ser forte. Droga... Droga! Ela rapidamente pega a toalha de papel para evitar que as lagrimas borrem a maquiagem, deixa o papel absorver as lágrimas com muito cuidado e volta a encarar a moça refletida. Ficar bonita, estar bem comigo mesma... criar oportu...
Raissa! Estamos entrando.... Ainda se arrumando fofa? Não se preocupe que vamos ajuda-la, venha venha. Olhe pra mim. O que é isso Rá? Você estava chorando?
Não é nada, não se preocupem. Mas as garotas sabem que quando se pede para não preocuparem é que é o momento em que se devem preocupar. Os olhos de Raissa ficam úmidos novamente mas dessa vez ela não parece perceber. As garotas observam a amiga tentar se maquiar mesmo com as lágrimas rolando pelo rosto.
Calma gata... hoje é seu dia, você vai ver. Me dá isso aqui, vou ajudá-la.
Mas Raissa não reprime o choro. Deita sobre a mesa da penteadeira derrubando alguns frascos, esquecendo das maquiagens abertas e chora em soluços.
As garotas não sabem o que fazer, elas sempre foram fortes, sempre se apoiaram uma na outra, não sabiam o que fazer se uma caísse de verdade.
Raissa... Raissa. Raissa! Olhe pra mim. Raissa! Isso! Agora me escute. Você vai tomar outro banho, vai chorar o quanto quiser lá dentro e quando finalmente parar de chorar você se enxuga, coloca uma roupa bem bonita, maquiamos você e vamos pra festa. Entendeu? Raissa... Você me entendeu?
Entendi.
Então levante-se dai e vá tomar banho, nós esperamos você.
As garotas ajudam Raissa a se levantar e ela entra no banheiro. Começa a recitar suas frases de auto-ajuda sem perceber que não o fazia em pensamento.
Eu realmente não entendo qual é o problema desse mundo novo. As pessoas tem praticamente tudo que querem num piscar de olhos. Antigamente, para se conseguir um beijo por exemplo, se você era homem tinha que pagar, se era mulher tinha que se casar. Hoje as moças transam com o primeiro que lhe oferecer uma bebida e nem um nem outro saem felizes dessa troca. Mesmo os namoros são artificiais, sem nenhuma cumplicidade, é só o conforto do sexo ao alcance das mãos.
Ah, não entendo o que falta nesse mundo. Existe um vazio enorme dentro de cada uma dessas garotas. Se eu fosse religioso diria que lhes falta Deus dentro de si, mas isso é pura bobagem. Faça um teste, coloque uma delas numa igreja e verá que ela vicia em Deus, que na hora que chora por Ele é muito bom, mas fora do templo o vazio continua corroendo sua alma.
Acho que é esse o problema, o vício nas distrações acabam nos fazendo querer sempre mais. Não é assim que acontece com os esportes radicais? Você experimenta e quando vê já está pulando de avião sem paraquedas? Ah, não sei, acho que não entendo muito de esportes radicais, não vejo escapatória se alguém pular de um avião sem paraquedas.
Se você tem praticamente tudo que você quer ao alcance das mãos. O que mais poderia querer?

Chorou por apenas 15 minutos enquanto se ensaboava meio que automaticamente. Aquela sua reza otimista parece tê-la acalmado. Depois de finalmente engolir o choro começou a sorrir. Se uma das garotas tivesse visto essa cena teria ficado contente pela amiga ter superado. Mas o narrador aqui não ficou contente. Tinha algo estranho nesse sorriso. Algo que não sei dizer o que é, mas me incomodava.
Ela saiu como se nada tivesse acontecido. Se secou, penteou os cabelos com cuidado e parecia que ainda não tinha notado a presença de suas amigas. Quando Laís disse que a ajudaria a maquiar tomou grande susto.
Olá garotas. Chegaram cedo.
Nossa! Você leva a sério mesmo isso de tentar de novo.
Do que você está falando?
Ah! Deixa pra lá. Venha Carla, vamos maquiar a mais linda de nós três!
As garotas se divertiam arrumando umas as outras, mas já passava das onze da noite, a festa já começou a mais de uma hora. Estavam atrasadas e ainda tinham que beijar muito essa noite.
Elas se foram, e agora estou sozinho, elas já são doutoras quando o assunto é festa. Creio que não vão fraquejar novamente. Daqui só posso imaginar o que elas estão fazendo. Devem chegar lindas na festa, vão chamar atenção de vários rapazes por onde passarem. Não vão encarar nenhum deles, vão rondar por toda a festa, cada uma escolhendo o seu. Depois de observar todas as possibilidades deixam a porta aberta para seu escolhido. Bebem pouco mas fingem que estão bêbedas, se divertem com o garoto, enquanto analisam cada característica da presa. Moças mais experientes poderiam fazer isso apenas ao cruzar o olhar, mas elas ainda precisam conversar e beijar. Quando percebem que é o cara errado, que não tem nada a ver com ela e se arrependerem por ficar com sujeito tão idiota já será tarde demais. Não poderão escolher outra presa e por isso vão brincar com o rapaz até o final da festa. Voltarão pra casa juntas contando como o cara beija bem e que seus maxilares ainda estão doendo, sorrirão em cumplicidade uma para outra como se isso fosse um código passado de geração por geração. Era o sinal da derrota e só à noite, antes de dormir, poderei espreitá-las novamente. É antes de dormir que as pessoas se arrependem. É quando não tem ninguém olhando que se arrependem...

([talvez] continua)


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:41 PM

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005


"Toda Cura para todo mal"

Eu pensei que eu poderia ser um médico. Não um médico convencional, claro que não (confesso que não gostaria muito das aulas de anatomia, mexer com cadáveres não está em meus hobbies preferidos). Pensei em ser médico da alma. Não venha me dizer que para isso já existem o psicólogo ou psiquiseiládasquantas, pois eles ainda receitam remédios, e eu receitaria obras de arte... assim sabe, igual eu receito filmes.
Se alguém vem com problema serio de angustia eu mando assistir Magnólia, se outro me vêm com baixa auto-estima eu o mando procurar as sombrancelhas de Monalisa. Para problemas muito grandes eu tenho que tratar com vários filmes, ou então com uma grande série tipo "Néon Geneses Evangelion" ou "Cowboy Bebop", para problemas pequenos basta uma frase de Luis Fernando Veríssimo, imagina alguém me vindo com uma melancolia daquelas que atacam quando parece que as coisas estão dando certo e eu solto um "Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.", é tiro e queda. E além do mais eu poderia receitar "Um dia você aprende" do Sheaksperae como se fosse aspirina, pois afinal, esse texto se encontra em qualquer lugar.
E o bom é que assim vou resolvendo meus próprios problemas da alma, pois outros dia fui tomar um remédio que receitei pra uma moça e já melhorei bastante.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:33 PM

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Segunda-feira, Novembro 14, 2005


Fragmentos de um discurso

(...) Também não posso deixar de lembrar de uma moça que sempre amei, alguém que me deu conforto quando precisei...
Ah, essa sou eu!
... e que também foi a pior coisa que já aconteceu em minha vida!
(silêncio constrangedor)
Aqui nesse lugar o que vivemos juntos realmente não foi aquilo que eu esperava. Mas a cada dia eu percebo que nunca consigo aquilo que eu espero. Mas ao contrário da maioria eu não vou desistir agora, eu não vou me alegrar com o que deixam para mim. Eu tenho um objetivo e não me contentarei com parte dele. Ao contrário de vocês eu não vou me acomodar nessa vidinha medíocre com mascara de feliz. Pois se é para aceitar essa morte prefiro a definitiva.
(olhares apreensivos, lágrimas nos olhos do orador)
Mas o que eu gostaria que todos vocês se lembrassem quando por um acaso minha existência se revelar em suas recordações, é que fui muito pouco feliz por aqui, vocês são pessoas maravilhosas, mas dividem com o resto do mundo o pecado original, aquilo que fez Eva e Adão fugirem de Deus quando comeram a maçã, a maldição imposta sobre todos os homens, o grande verme que come a carne podre que é a humanidade - a hipocrisia! Pois desse pecados todos vocês estão imersos.
Desculpem-me se criei, nessa que seria a mais feliz das festas, um clima tão pesado, deixe-me voltar ao discurso original.
E também não posso deixar de lembrar de uma moça que sempre (...)


posted by TRUNKAEL H MAIRS 8:19 AM

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Segunda-feira, Novembro 07, 2005


A Dança dos Signos

Uma frase que se tornou clichê (mas nem por isso perdeu sua veracidade) é que tudo tem seu preço. Tudo e todos tem seu preço, e não estou falando de valores monetários, mas sim de valor simbólico. Para você conseguir o que quer, ou você tem que assumir algum risco, ou tem que sacrificar alguma coisa. Assim é com tudo na vida.
Mas para entender a mecânica dos valores temos que lembrar do poder dos significados. Tudo gira em torno de signos em uma cadeia semiótica infinita. Você nunca consegue saber quem é esse que vos escreve, no máximo você tem uma projeção do que eu seja baseado nas informações que eu deixo você ter acesso. Eu sou apenas um signo, uma possibilidade.
A tudo mais você também cria signos, sejam seus pais, que você pode odiar ou amar dependendo do signo que você criou sobre eles (ou que eles deixaram transparecer a você), seja a moça bonita do colégio, que até o momento em que você não a conhece parece a perfeição encarnada.
Para as coisas materiais temos um nome interessante, chamamos de fetiches tudo aquilo que passa a ter um significado que transcende a coisa em si, exemplos de fetiches temos por todos os lados, e o mais gritante de hoje em dia é o celular que você carrega no bolso.
Nada tem o seu valor real, na verdade é impossivel chegar ao objeto em si, só temos acesso a seu signo, e nosso interpretante pode exceder ou subvalorizar esse signo.
O mais interessante nesse lance de super ou subvalorizar é quando se aplica a pessoas. Como sou um desses românticos que em outras épocas já estaria morrendo de tuberculose, acabo dando a certas pessoas maior valor do que elas próprias dão a si mesmas. É coisa bem normal essa de supervalorizar alguém, todos os amores platônicos são assim.
Mas devemos ou não dar a pessoas e coisas mais valor do que lhes é possivel?
Antes de entrar nessa questão temos que lembrar que estamos submersos em um contexto que nos direciona a várias decisões sem que possamos perceber. Se um carro vale mais que o dono que o dirige não é por que uma pessoa quis assim, foi uma 'evolução' lenta e gradual causada principalmente pela publicidade.
Mas e as pessoas?
As pessoas...
Fiquei pensando no motivo pelo qual alguém que tem conciência dessas dança dos significados ainda cai na armadilha de superestimar algumas pessoas.
Mas não é essa a caracteristica mais marcante dos romanticos?
Dar àquela que ocupa seu pedestal o status de Deus!
Tento achar argumentos que comparem pessoas a celulares mas não consigo. Sei de gente que namora com o carro do namorado, não com ele; sei de pessoas que preferem jogar Wolrd Of Warcraft à conversar com os amigos; sei de pessoas que trocariam a mãe por um celular, mas não entendo essas pessoas.
Já falei diversas vezes por aqui que tudo que importa nessa vida são as pessoas, que o resto vai ficar pra trás. Já disse mil vezes que tudo de bom que você pode ganhar nessa vida vai lhe ser entregue por outra pessoa. O resto são efêmeridades.
Mas estou escrevendo isso aqui pra explicar alguma coisa, ou melhor, escrevo como forma de me desculpar, uma vez b.m. disse que toda a filosofia foi uma forma de desculpa - Kant se desculpando pela sua descrença, Hume se desculpando pela sua existência, Nietzsche pedindo perdão pelas suas blasfemias. Aqui então eu peço uma desculpa. Que o mundo entenda que eu sou uma pessoa que supervaloriza as outras, que eu subjulgo as coisas e elevo a beleza estética ao status divino.
Tudo nesse blog é uma desculpa, uma distração que cobre minha maior derrota. Então deixe-me me iludir com esses signos, pois para quem não tem nada desse mundo, resta as efêmeras distrações.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:54 PM

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Terça-feira, Novembro 01, 2005


Lucy in the Sky with Diamonds

Uma vez eu disse que para descobrirmos como se deve viver a vida teríamos que nos apoiar na arte. Vamos ver filmes, ler livros, contemplar quadros. Todas as respostas para nossos problemas estão na arte.
Antigamente eu receitava Clube da Luta como uma droga alucinógena, algo tão forte que poderia mudar qualquer ser humano que precise de um pouco de convicção. Arte é coisa que realmente tem o poder de mudança, no entanto eu esquecia de uma coisinha muito importante.
Existe uma coisa chamada relação, e não estou falando de relação amorosa, mas da relação que tudo tem com todo o resto. A mudança não atinge a pessoa em si, atinge a relação que a pessoa tem com alguma outra coisa (ou outra pessoa). Assistir Clube da Luta por assistir não trás nenhuma mudança, mas para quem quer mudar, até um filme infantil basta. Você por si próprio não muda nada, talvez a sua percepção de si mesmo mude alguma coisa, mas sozinho em uma montanha e meditando o mundo não absorve sua mudança ainda que sua relação com o mundo tenha modificado.
Qualquer tipo de arte pode alterar o estado de consciência de uma pessoa assim como as drogas, mas a mudança só é percebida com a interação com outras pessoas. Hoje vou ver Lucy, e tentar perceber se mudou alguma coisa.
Hasta.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:54 PM

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