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Um passo para trás. Depois da grande virada passei por Communication (The Cardigans), depois de uma jogada diplomática virei um Luck Man (The Verve) para ser novamente desiludido e agora simplesmente estou Live and Learn (The Cardigans).

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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005


Deus num tubo de ensaio

Muitos filosófos decretaram a morte de Deus, principalmente no século 20. No entanto foi só no século 77 que finalmente mataram Deus. Não por que confirmaram sua inexistência, capturaram Ele e o mataram. Deixe-me contar como foi.

Sabemos hoje que para uma coisa ser cientificamente comprovada ela deve ser testada e capaz de ser recontituida em laboratório. Esse era o grande problema em comprovar a existência divina. Mas 7º milênio tudo era diferente, a ciência tinha avançado tanto (e se tornado tão chata) que eles não mais tinha o que fazer, por isso resolveram mecher nos antigos mitos da humanidade.
Os cientista se empenharam em ler toda a mitologia grega, nórdica, cristã, celta, e de todas as religiões que vieram depois da morte destas. Descobriram que o problema de antes era que o homem, para ter certeza da inexistência de Deus, tinha que procura-lo em cada canto do universo. Como no sexto milênio o tubo de minhoca era tão comum quanto o avião foi um dia, não foi dificil procurar Deus debaixo de cada tapete do universo.

Não acharam o "fodão" e decretaram sua inexistência para ver se chamavam sua atenção. Nada. Desde então a humanidade flutuva num universo sem Deus. E olha que não havia tanta diferença quanto um dia disseram que seria.
Então, esses cientistas que já não tinham o que fazer resolveram criar um Deus no laboratório. Alugaram uma das luas de Jupiter, reconstituiram ela para que ficasse parecida com a Terra de alguns milênios atrás (árvores, água, animais, etc). Descongelaram alguns embriões e criaram mães-robôs para cuidar deles em seu crescimento. Eram cerca de 140 humanos cuidado por 70 robôs em parte diferentes do planetóide.

Lembro-me que nessa fase do experimento pensei que se tivessem feito isso no século 21, teria se transformado em um reality show de sucesso, como o "Show de Truman".
Então insitintivamente foram se juntando em tribos, e dentro de uns 15 anos, já poderíamos ver 7 povos diferentes. Tentando sobreviver sem nenhuma tecnologia.
Quando os humanos já tinham idade suficiente para se cuidar sozinhos as "mães" iam desaparecendo e em sua cama deixava uma estátua que era esteriótipo de um Deus grego. Em cada uma das 7 tribos aparecia um Deus diferente: Zeus, Chronnos, Hades, Athena, Dionísio, Afrodite e Poseidon.

Claro que o aparecimento de estátuas sempre que uma mãe "morria" deu ao povo um tipo de crença, e aos poucos foram acreditando que um dias também seriam "levados" para além daquele mundo.
Uns falaram de céu, outros de paraíso, alguns mencionaram grandes jardins outro falaram num tempo de festas eternas. E com o desenvolvimento dessa micro-sociedade, as religiões achavam solo fértio para crescer e se fortalever.
Quando eles puderam domesticar os animais finalmente descobriram que haviam outras tribos, e como cada uma tinha seu Deus e sua "verdade absoluta" guerrearam até a extinção da raça humana naquele planetóide. E comemorando o sucesso da experiência e a existência e morte de Deus, os cientistas brindaram seu vinho gritando "Jihad!"


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:54 PM

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Terça-feira, Dezembro 27, 2005


Bem vindo ao lar da melancolia

Acho que ultimamente tenho previsto o futuro. Me vi andando de bicicleta na minha cidade natal, sorridente a sentir o vento me acariciando os cabelos. Acho que era um momento bem feliz pois não tinha nada dentro de mim. Devo ter morrido naquele dia. E como profecias vêm como visões embaçadas e incoerentes, tento coloca-las em ordem cronológica. Eu na escuridão, chorando e ouvindo "And then you kissed me" repetidamente. Isso veio antes. Alguém me achou no banheiro escuro, não se atraveu a desligar a música, perguntou se eu tinha bebido, usado drogas ou coisas do tipo. Não, não. Só estou chorando de dor. Machucou? E mesmo quase morto consegui dar aquele sorriso irônico que é um eufemismo para "deixa de ser idiota!". Depois disso que me levaram para casa, eu não tinha emagrecido como era de se esperar, mas meus olhos eram fundos como se outro de mim tomasse meu corpo e saisse enquanto eu deveria dormir. Mas aquilo era só o final de tudo, antes disso foram muitas tentativas de esquecer. Mas não há como esquecer, e como são duas coisas ao mesmo tempo você só se distrai de uma remoendo a outra. E então voltei pra lá e lá morri. Não fisicamente, foi mais como uma loucura, mas minha família não permitiu que me enternassem, eu viveria livre de responsabilidades, e quando começasse a incomodar as pessoas com minha loucura eu me mataria. Acho que até planejei minha morte, seria algum tipo de overdose, algum alucinógeno, por que assim morreria feliz.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 11:54 AM

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Segunda-feira, Dezembro 26, 2005


"É Natal, a gente combinou de ser feliz"

Para quem me conhece deve ser até engraçado eu, com grande sorriso, desejar feliz natal para todos. Mas não é por que eu não sou cristão que não compartilho o espírito natalino. Final de ano é uma época boa para desejar felicidades, não estou festejando o nascimento de Jesus, mas o brilho nos olhos das pessoas.
Sempre me lembro de Earl Partridge dizendo que "aqueles clichês são todos verdade" e quando assisto um filme de natal não posso evitar o sorriso de quem espera um happy end. É clichê mas é bonito oras!

O Natal é bom por que aproxima as pessoas, você tem a possibilidade de abraçar pessoas que não abraçaria em situações normais, ver quem a tempo não ve e até desejar felicidades a quem você é secretamente apaixonado.
É celebrado a hipocrisia capitalista, mas também é tempo de esquecer desavenças e dar férias ao arrependimento.
Natal também é tempo que a gente pode beber com a familia e comer coisas gostosas.

Nesse dia tão paradoxal nada mais comum que hereges e profanos se embriagando no sangue de cristo, no final descobrimos que nem é aniversário dele mesmo!
Ah... eu gosto bastante do natal viu, isso é melhor que ter sido salvo do pecado original. ^_^'

Feliz Natal pessoas! Se não tem motivo para celebrarem o nascimento de Jesus, então sorriam e celebrem o próprio sorriso. =D


posted by TRUNKAEL H MAIRS 6:38 PM

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Terça-feira, Dezembro 20, 2005


Diálogos daqueles que há tempos não posto

- Há quanto tempo não é mesmo?
- É, talvez precisássemos desse tempo.
- Sim. Talvez. Mas veja, olha para isso, isso e isso, foi eu que fiz.
- Gostei, mas e sua vida de verdade como está?
- Você é bom em ir direto ao assunto. Saiba que essa minha ferida realmente jamais fechará, descobri que nem o amor foi suficiente para sarar esse estigma. Talvez um dia eu possa contemplar a minha verdadeira felicidade, mas creio que não aqui.
- O seu problema é esse negócio de amor, deixa isso para lá rapaz. O mundo é grande demais para você confinar sua felicidade a um sentimento tão destrutivo.
- Muitas vezes disse que eu não tinha vícios, agora você acabou de apontar que meu vício é maior e mais destrutivo que de qualquer outra pessoa. Mas peço que não se preocupe com isso, sou um daqueles que não gosta de estabilidade, prefiro ficar a sofrer do que não ter por quem sofrer.
- Você não passa de um maldito masoquista que acha que sua martirização ainda renderá algum fruto. Eu já te falei que isso é patético? Já? Mas digo novamente: Isso é patético.
- Mas me diga, que tenho que fazer então?
- Pra falar a verdade você não tem que fazer nada que eu digo. Apenas subjulgo sua maneira de viver, não sou nenhum messias para lhe dizer por qual vida deverá trocar a sua. Na verdade é até melhor que continue com essa, afinal você já se acostumou.
- Tudo bem, tudo bem... Mas e sua vida como é que vai?


posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:13 PM

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Quinta-feira, Dezembro 15, 2005


Contos do Sofá do Freud

Nunca pensei que existiria lugar tão confortável dentro de uma biblioteca, logo que me atrevi a deitar naquela coisinha aconchegante descobri que ali seria meu oásis nesse deserto chamado realidade.
Aqueles que tiveram a oportunidade de deitar no sofá do Freud enquanto lêem um bom livro sabem que é como se aquela salinha estivesse em outra dimensão. São poucas as pessoas que sabem da existência desse sofá, mas os que têm conhecimento desse lugarzinho especial guarda bem o segredo.
Mas além de ser ótimo lugar para leitura, também era bom ponto de encontro. Conversas decisivas começaram e acabaram ali naquela salinha de estudos e posso dizer que a de ontem foi pra mim a mais interessante de todas que eu presenciei.
Primeiro entrou um garoto segurando um grosso livro, logo identifiquei o livro como o "Irmão Karamazov" do Dostoiévski, qualquer pessoa que tenha visto esse livro nessa biblioteca o reconheceria a vários metros de distância.
Tava na cara que o interesse principal desse garoto não era o livro, no entanto assim que ele entrou e se aconchegou no sofá do Freud (não sei por que o chamam de sofá do Freud, afinal, Freud gostava era de divã) se pôs a ler como se realmente estivesse interessado no livro.

Pouco depois, cerca de 10 minutos, chegou uma moça muito bonita e sentou ao lado do rapaz, ele não deve ter lido nem duas páginas e quando desviou o rosto do livro para fitar a garota não parecia interessado em nenhum dos dois. Eu imagino que seu repentino desinteresse no encontro se deu a partir do momento em que viu cansaço no rosto dela, na verdade ela se esforçava por demonstrar cansaço, tanto que sentou como se há anos tivesse ficado em pé.
Ainda sim nosso gentil garoto engoliu sua angustia, largou o livro na mesa, disse algo que me pareceu um comprimento, sentou mais próximo e deu-lhe um selinho.
Foi ai que percebi que não era um simples encontro, a moça, como se o simples fato de estar ali a incomodasse, questionou o por que do encontro. Só sei que foi isso por que posso ler seus lábios daqui, o garoto já não posso nem ver, pelo que parece ele está deitado no colo dela.
Possivelmente nosso Romeu (boa idéia, vou chama-lo de Romeu para não ter que ficar falando rapaz, garoto, etc. Ela será, obviamente, a Julieta) deu uma carinhosa resposta e sorriu, pois ela retribuiu com um esboço de sorriso.
Julieta não esperou muito para fazer a pergunta que a levara ali. Dessa vez ela abaixou a cabeça um pouco e não consegui saber exatamente o que ela falou, mas Romeu pensou bastante antes de responder e sua fala não agradou a moça, possivelmente por que era o que ela previa.
O que se seguiu não me faz tanto sentido, a moça começou a gesticular de maneira nervosa, falando, entre outras coisas, que não daria mais para conciliar esses sentimentos. Que na verdade ela nem sabia o que estava sentindo. Repetiu várias vezes que era incoerente e vez ou outra parava para escutar Romeu. Numa dessas paradas ela deixou as lágrimas rolarem. Chorou de soluços enquanto o rapaz a seu colo discursava, só abria a boca para dizer que ela era assim, ou que não gostava e pronto.

Ah o amor. Tão doloroso na adolescência e tão valioso na maturidade!

Nosso Romeu parecia bom orador, eu nem preciso escutá-lo para acreditar em sua argumentação. Mas a moça não quer entender, não quer tentar, não quer escutar... De que vale mil argumentos se ela não quer nem ouvir?
E então depois de lágrimas um sorriso. Como já vi muitas brigas aqui nessa sala eu diria que agora eles estão se entendendo novamente, Romeu acalmou Julieta e seu espectador aqui espera um beijo apaixonado.
Mas não é o que acontece, seguem mais sorrisos, os assuntos mudam e agora já nem parecem amantes, parecem... amigos.
Ele consegue faze-la rir ainda mais, as lágrimas secam, ela se desculpa e uma decisão importante é tomada.
Depois disso veio mais assuntos, talvez uma visita ao passado (sempre tão lindo justamente por ser passado).
O celular dela toca, percebo que ela vai sair e me escondo melhor. Ela fica na porta por um tempo, parece o fim da conversa, a decisão final. Não, não. Parece uma negociação, ah sim, o ultimo beijo. Ela volta para dentro da sala e beija seu amado, daqui não posso ver se há paixão, mas não foi um beijinho qualquer, ali havia algum sentimento, se era amor, não posso dizer.
Então ela finalmente se vai e Romeu se aconchega mais no sofá.
Olha as horas.
Pensa um pouco no que aconteceu.
Pega suas coisas.
Sai da biblioteca e entra na vida.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 6:15 PM

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Terça-feira, Dezembro 13, 2005


O lixo dançante da humanidade
(um conto comum desses que se encontra por aqui)

_Percebeu algo diferente? - Adolfo segura com mais força a mão de sua namorada e olha para ela como se quisesse mostrar algo novo.
_Como assim algo diferente? - Débora não gostava dele de verdade, e não perceberia mesmo que ele pintasse o cabelo de roxo, mas ela faz de tudo para ser gentil e por isso se mostra interessada - Não me deixe esperando, diga logo, o que está diferente?
_Estou mais forte, não vê? - E ele para, solta a mão dela por uns instantes e mostra os músculos do braço. Só se prestasse bastante atenção que perceberíamos que estava um pouco inchado.
_Nossa! - eis ela tentando ser gentil - você começou a malhar? - e passa as mãos no braço dele, como se isso fosse o que deveria ser feito em situações assim.
_Exatamente, estou bastante empolgado, acho que pelo menos disso não vou desistir, não agora que estou com você. - esse cara me lembra alguém, esse jeito de falar com falsa empolgação, essa ânsia de se mostrar engajado, essa atenção exagerada como se o desespero de perder alguém o tornasse a pessoa mais artificialmente dócil do mundo.
_Claro que não, você vai malhar muito até ser o cara mais gostoso dessa rua. - dessa vez ela deu um sorriso que a ele deve ter parecido sincero, mas a mim foi claramente um sorriso de dolorosa complacência.
Ele pegou a mão dela novamente, mas quando recomeçaram a andar alguém passou entre os dois num tronco que não só desatou as mãos deles com violência, mas também quase jogou Débora no chão.
Desculpem-me por estar contando essa parte com demasiada calma, isso que pareceu aos dois o fim do mundo, a mim se mostrava ser apenas o começo de uma noite bastante interessante.

O cara esbarrou nos dois e quase jogou Débora no chão. Adolfo se virou pra ele rapidamente, como não conseguiu pegar pelo braço apenas gritou um palavrão qualquer - que não cai bem repetir por aqui - e o estranho se virou.
_Está falando comigo? - o cara usava uma jaqueta preta, blusa preta, calça preta, botas pretas e uma toca preta (possivelmente sua cueca e meias também eram pretas), e não parecia um desses sujeitos mal encarados a qual atravessamos a rua quando avistamos vindo em nossa direção.
_E mais alguém por aqui esbarrou na minha namorada? - Adolfo parecia realmente irritado, talvez por realmente estar bravo, talvez por querer estar demonstrando valentia para sua namorada, ainda não me decidi qual das duas versões poderia ser mais verossímil.
_Adolfo. Vamos embora. - Débora se agarrou ao braço do namorado e evitou olhar para o seu agressor. Adolfo desviou o olhar dele para ela e tentando acalma-la respondeu.
_Não se preocupe, eu só queria que ele pedisse descul... - Adolfo não conseguiu terminar a frase, pois agora ele está no chão tentando recuperar o ar. Acho que o soco foi forte demais. Débora se ajoelha para ajudar o namorado e diz coisas meio sem sentido, ou que não me pareceram ter algum sentido por enquanto.
_Se quer defender sua namorada, então a defenda como homem - o nosso senhor desconhecido, que agora vamos chamar de Ted, por que talvez eu saiba que o nome dele é Ted, tira sua jaqueta e verifica se não tem ninguém vindo. - vamos lá senhor-super-homem, levante-se e defenda-se.
_Não Adolfo, não precisa fazer isso.
_Claro... claro que preciso - rapidamente se pôs de pé fingindo ignorar a dor da maneira que podia e assim que ganhou o equilíbrio socou o rosto de seu adversário.
A ele o soco parecia suficiente, no entanto o rosto de Ted apenas se virou para o lado, parecendo nem ter sido afetado. Adolfo tremeu da cabeça aos pés. Um sorriso irônico surgiu no rosto de Ted, que apenas passou a língua no canto da boca que parecia querer sangrar.

O que seguiu depois disso não vale a pena descrever. Vamos resumir falando que Adolfo apanhou até quase perder a consciência enquanto sua namorada chorava de desespero. Nesse momento Ted está sentado no meio fio chupando clicletes e olhando para seu adversário, derrotado sob as lagrimas da namorada que deveria proteger.
_Você é patético, não consegue defender nem a si mesmo, quanto mais sua namorada. - ele fala tão calmamente que até eu fico assustado - Sabe, eu vi quando seus olhos brilhavam de empolgação, mostrando o braço para moça. Acha que isso que é ser homem? Acha que isso que é evolução? Não... Você não acha nada, na verdade se te perguntasse você nem saberia dizer o motivo pelo qual você tem que tentar agrada-la, afinal nem gosta dela.
Adolfo, mesmo com a boca cheia de sangue, conseguiu balbuciar alguma coisa, talvez um "isso é mentira, eu a amo", ou talvez outra frase que teria o mesmo efeito.
_O que? Você disse que a ama? Faça me o favor. Então é com músculos novos que você presenteia quem você ama. É assim que são os namoros de hoje? Blá. Blá. Blá... Estamos fugindo do assunto. O fato e que você está no chão, humilhado por não ter conseguido proteger sua namorada. Eu poderia fazer o que quiser com ela agora, é bonita, deve ter coisas bonitas por baixo dessa roupa.
_Não se atreva! - gritou Débora entre os soluços.
_Claro que não me atreveria, não costumo fazer aquilo que as pessoas não querem.
_Então por que bateu nele?
_Por que ele quis, você viu que ele pedia por um desafio, ele pedia por uma oportunidade para demonstrar o quanto é homem para você. O problema é que não foi homem o suficiente...

As pessoas hoje acham que são carros, luxo ou beleza que satisfazem umas as outras. - ele fala pausadamente como se estivesse degustando as palavras, não demonstra nenhum nervosismo quando um grupo de pessoas se aproxima com certa euforia, como se voltassem de uma festa. "o que aconteceu?" "há, ele apanhou um pouco, não se preocupem, estamos esperando uma ambulância" "esses malditos sempre demoram, já deve ter morrido muitas pessoas só de esperar" "certamente, mas esse daqui é forte, não vai morrer não". Sorriso pra cá, sorriso pra lá, e se foram.
_Como eu estava dizendo, não são coisas que constroem felicidade, são ações. E ao contrário do que querem lhes fazer pensar, que estamos todos seguros pela tecnologia, por exemplo, isso não passa de mais uma ilusão. O que ainda vigora, e o que para sempre irá vigorar nesse mundo é a lei do mais forte, você tem que conseguir se proteger e conseguir proteger quem você ama, caso contrário você merece morrer. Esse foi seu teste Adolfo, em um mês vou voltar, se você não conseguir se defender então você morrerá antes da ambulância chegar. E você Débora, você deveria se empenhar mais em disfarçar esse sorriso artificial de afeição, pois nem o idiota do Adolfo acredita na sua capacidade de dar carinho. Namoro por conveniência é como uma tentativa frustrada de suicídio, todos os dias você convive com o fracasso em dar fim a própria vida.
Até a próxima.
Ele pega sua jacketa, cospe o chiclete e desaparece.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 8:00 PM

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Segunda-feira, Dezembro 12, 2005


Muitas coisas pra dizer e pouca vontade

Se você for no meu quarto vai achar um cartãozinho jogado pelo chão, no verso desse cartão está escrito umas cinco palavras, deixe-me ver se lembro: justiça, tecnologia... das outras não lembro, mas deve ser umas cinco. Esse cartãozinho com essas palavras existe por que tenho um sério problema de memória, as vezes tenho uma boa idéia que poderia ser assunto de post mas acabo me esquecendo completamente dela, então escrevo em algum lugar e quando tenho vontade/oportunidade escrevo sobre o assunto proposto.
Foi o Darwin que me pediu um post sobre justiça, mas até agora não tive ânimo/inspiração para escrever. O esquema da tecnologia veio por uma frase senssacional do Dênnis que trabalha comigo "As pessoas pensam que tecnologia é sinônimo de qualidade de vida", fico com inveja quando as pessoas me falam frases tão geniais, eu é que deveria ter dito isso!
Então aqui poderia estar um post sobre tecnologia e qualidade de vida, ou um post sobre a justiça (ou das outras 3 palavras que esqueci). No entanto não estou muito animado para escrever nenhum dos dois, na verdade eu gostaria mesmo é de falar sobre o amor.

Três possiveis amigos que converso hoje tem o mesmo problema - amam quem não os quer. Essas duas moças e o rapaz fazem parte da grande maioria de seres humanos que dançam e cantam fingindo alegria. Felizmente eles acreditam que o amor é a fonte da improvável felicidade e por isso eu, irresponsávelmente, os coloco à frente de todo o resto, os que não são felizes, dizem que são e não dão valor ao amor.
Deixe-me falar sobre a caminhada rumo a felicidade. Lembro-me de uma Thaís me dizendo que dá até um medinho quando se está feliz demais, coisa também dita por Gabi em outra palavras 'se tudo tiver dando certo, pode esperar que já vem merda'.
Mas como acredito que se existir felicidade plena ela é momentânea, espero por esses escaços óasis dentro de nosso inferno diário. Claro que é necessário que tudo esteja dando certo para que existam esses momentos. Da perfeição só podemos esperar um pequeno momento, já dizia Tyler, após ter criado a possibilidade da mão perfeita de um gigante.

Dia desses esperimentei essa perfeição, essa felicidade momentânea, e logo me lembrei das frase citadas. Como se fosse profecia veio logo a decepção (mas não se preocupe, é dessas pequenas de quando falam um verdade dolorosa sem querer). E não paro de pensar nas infinitas possibilidades e mais uma vez a proximidade da perfeição me assusta, mas dessa vez vou tratá-la com mais carinho para que ela não se vá tão rápido novamente.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:39 PM

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Terça-feira, Dezembro 06, 2005


Auto-Napalm

Daqui eu vejo uma pessoa que passa despercebida pela multidão. Sua falta de presença impede que as outras pessoas sintam-se interessadas por ele. Apesar de seu carisma ser elevado, a sua intimidação acaba encobrindo essa 'qualidade'. Ele olha procurando primeiramente a beleza, quando percebe que a beleza não o procura, vira as costas e procura a inteligência, como se por vingança gritasse ao mundo que a beleza e a inteligência nunca andam no mesmo barco.
Dá pouca atenção a quem fala alto, a quem menciona muito a palavra 'eu', a quem fala sobre televisão, a quem fala muito a palavra 'meu' (principalmente quando falam eloquentemente 'mas isso é ótimo para meu nome'), dá demasiada atenção a quem o percebe. Se fosse conversar com uma pessoa qualquer nessa festa procuraria não por pessoas, mas por assuntos, não gosta de se arriscar muito no começo, por isso procuraria quem falasse sobre as coisas que domina.
Essa pessoa que eu vejo também precisa beber para se aproximar de outras pessoas do sexo oposto. Na verdade eu acho impressionante sua falta de coragem quanto a esse aspecto, se eu fosse um pouco mais evolucionista eu o chamaria de fracassado sem nenhum arrependimento.
Olhando assim, de longe, enquanto ele observa, analisa, calcula e pesa cada pessoa da festa, eu diria que ele tem a capacidade de ser uma pessoa interessante. Se eu conversasse com ele eu perceberia que ele ignora as pessoas pelo que foi dito no segundo parágrafo justamente por que carrega essas manias como um estigma, nós não gostamos dos iguais e sim dos diferentes.
Mas isso é coisa de gente que tem muita percepção, pois após quebrada a barreira ele se mostra alguém muito agradável, se torna amigo leal, é bom ouvinte, e seu problema com mulheres se agrava quando elas o adotam como melhor amigo. Se tiver bastante tempo e paciência talvez perceba sua ânsia pelo auto aperfeiçoamento. Eu já considero isso um defeito, ficar se lapidando para parecer mais agradável às pessoas me parece não mais que uma subserviência ao sistema (alias, coisa que ele odeia).
Não sei muito bem como defini-lo, talvez seu maior defeito seja a extrema racionalidade, ou talvez (ironicamente) seja sua intensidade. Até hoje não vi pessoa que o entendesse, e como sua vontade de ser imprevisível é maior do que a vontade de ser aceito, creio que dificilmente alguém o entenderá. Mas se quiser uma dica de como se aproximar dele não se preocupe, ele, apesar de tudo, é um ser humano comum e dá atenção a quem lhe dá atenção.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:45 PM

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O centro de calmaria ao redor do qual o mundo gira
ou A inutilidade da teoria perante a prática

Lembro-me nos velhos tempos de ficar calculando váriaveis comportamentais para saber como tratar as pessoas. Pegava cada opinião, gosto e reação e criava uma fórmula perfeita de conquistar a todos. Mas nenhuma de minha fórmulas perfeitas dava certo. Era coisa totalmente obscura, parecia que eu era alvo de magia vudu. A fórmula, apesar de perfeita, nunca dava certo.
Com o tempo fui percebendo que existe um tipo de padrão que apesar de ser seguido por praticamente todo mundo, ninguém nunca menciona. Nesses padrões se encontram os desejos vulgares, o instinto o sadismo. Percebi que a moral criptografava os desejos e me levava para um caminho confuso.
Depois que finalmente me dei conta que as fórmulas perfeitas nunca funcionariam, fui tentar seguir as palavras de Hume e resolvi que eu deveria entender as pessoas através do empirismo. O grande problema agora é me aproximar das pessoas.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:41 PM

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Segunda-feira, Dezembro 05, 2005


"All we need is love"

O cara que falou isso ai tem toda razão.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:44 PM

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Sexta-feira, Dezembro 02, 2005


The first cut is the deepest

Ando assim meio relapso, meio no ar. Vejo que alguma coisa está se movendo, voltando de um lugar obscuro onde o escondi no passado. Lembro-me de um velho que no discurso que fez em seu próprio velório disse que a única coisa que ele queria nessa vida ele não conseguiu - amar alguém. Deve ser bastante triste viver sem amar e ser amado, coisa que só não digo que equivale à morte por que ainda não morri para ter parâmetro de comparação.
Mas não era exatamente isso que eu queria falar, eu queria demonstrar em palavras a minha atual angustia, a ansiedade que me corroi. Possivelmente todos vocês entendem isso, pelo que parece as únicas pessoas que lêem blogs melancolicos também são melancolicas.
Mas vamos falar sobre essa luz que esteve apagada desde a ultima vez que queimou de repente. Vamos falar que essa luz que foi ignorada por quatro meses está tentando ressucitar novamente. Você vê essa coisinha brilhante aqui nos meu olhos? Pessoas a viram hoje de manhã. Espero que chegue logo a noite para que eu tenha certeza que essa luz não se queimou para sempre.

But I'll try to love again


posted by TRUNKAEL H MAIRS 6:03 PM

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