"Somos castigados por nossas renúncias. Cada impulso que tentamos aniquilar germina em nossa mente e nos envenena. Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é um meio de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, as nossas almas ficarão doentes, desejando coisas que se proibiram a si mesmas, e, além disso, sentirão desejo por aquilo que umas leis monstruosas fizeram monstruoso e ilegal." (Oscar Wilde)
Esse deve ter sido o maior ano da minha vida. No começo se mostrava um ano qualquer, eu permaneceria o mesmo bobo de sempre, andando sem fazer barulho, cultivando amores platônicos que nunca seriam correspondidos, fingindo que o que importa em minha vida era o conhecimento.
Mas estranhamente houve uma mudança brusca.
Arrumei um emprego de verdade e trabalho com aquilo que gosto (design e programação pra internet, sempre digo que me divirto com isso aqui, e é verdade).
Conheci melhor uma moça que se tornou uma de minhas melhores amigas.
Aproximei de pessoas interessantes, me afastei de pessoas que não fazem a mínima diferença na minha vida.
Percebi que para amigos da verdade não importa a distância.
Hoje dou muito mais valor às pessoas e pouco valor as coisas materiais.
As minhas relações familiares nunca estiveram tão bem.
Organizei uma manifestação na faculdade (isso sim foi bem legal ^_^).
Se ano passado foi o ano que mais acumulei conhecimento teórico, esse foi o ano que mais acumulei conhecimento empírico. Antes eu lia no mínimo um livro por semana, agora quase não leio um por mês, mas converso mais, saio mais, conheço mais pessoas.
Me apaixonei e minha vida se transformou numa grande novela mexicana (que finalmente teve fim). Era divertido no começo, mas as coisas seguiram por caminhos tortuosos até um precipício. Apesar do final não ter sido feliz, foi uma ótima experiência. Amei e sofri por amor. Possivelmente foi a coisa mais interessante que aconteceu em toda minha vida, mas agora já cansei.
Percebi na prática que não importa o quanto podemos ser convincentes, por que do outro lado pode vir uma resposta tão vaga quanto "é por aquelas coisas que a gente não controla mesmo".
Foi o maior ano da minha vida, mas com certeza não foi o melhor.