"Somos castigados por nossas renúncias. Cada impulso que tentamos aniquilar germina em nossa mente e nos envenena. Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é um meio de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de um prazer ou a volúpia de um remorso. O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, as nossas almas ficarão doentes, desejando coisas que se proibiram a si mesmas, e, além disso, sentirão desejo por aquilo que umas leis monstruosas fizeram monstruoso e ilegal." (Oscar Wilde)
Esse é um momento em que eu deveria estar tenso, numa sala abaixo de mim meu futuro está sendo escolhido. Claro que não estão citando meu nome ou fazendo projeções sobre minhas proximas ações, na verdade nem sabem meu nome, mas decidem meu futuro.
Ontem foi uma noite linda, não tinha lua nem estrelas, chovia, mas foi uma noite linda. Pensei que essa história da gente criar nosso futuro com uma facilidade maior do que podemos supor é tremendamente real. Ontem eu quase achei o quarto secreto, o paraíso dentro do paraíso.
Acabei de ler alguns textos antigos (nem tão antigos) desse blog e mesmo sabendo que esse foi o caminho que escolhi, temo pelo desenrrolar dessa história. Você se lembra desse post? Pois leia-o novamente pois é é primordial para decifrares o que quero dizer.
Temos responsabilidades demais nessa vida, se isentar disso nos faz culpados pelos ferimentos que infringimos. Tentei buscar o máximo de liberdade que poderia para descobrir que a liberdade vem exatamente da dependência. Precisamos das outras pessoas para sermos livres.
Nesse momento não estou tenso, possivelmente terei uma linda noite pela frente (mesmo sem estrelas, mesmo com chuva) e ainda não acreditarei que meu presente está tão interessante, mergulharei no espelho negro que me reflete em sorriso, descanso com um calor que não é meu, sonho com minha antiga vida e acordo dentro do meu antigo sonho.