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"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)

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Quinta-feira, Julho 13, 2006


Projeto de Complementação Humana*

Um dos principais aspectos a se levar em conta no estudo da auto-consciência é que em nós coexistem muitos personagens. Um deles é aquilo que chamamos de "eu", a parte que nossa consciência pensa que é. Os outros são aqueles formados pelas outras pessoas, a visão que cada uma delas tem de nós, cada uma nos vendo como uma pessoa diferente.
Certamente não vamos cair no erro de pensar que esse ou aquele personagem é o mais próximo da realidade, todos os personagens são verdadeiros, pois todos são possíveis. Aquele que consideremos como "eu" é resultado da relação de nossa consciência com nossa auto-imagem, ou talvez simplesmente a síntese do ID e Super-ego. Todos os outros são a relação das outras pessoas com o "eu" que aprensentamos aos outros.
Toda nova relação seja com um novo "eu" (numa natural mudança de comportamento ou improvável mudança de natureza) ou com uma nova pessoa é a base da criação de uma nova máscara a ser colocada sobre nosso rosto numa esquizofrenia natural de caráter ilimitado (pensamos que nos relacionamos com pessoas quando na verdade nos relacionamos com personagens criado por nós mesmos).

Para ficar mais claro vamos pensar na relação que eu (Rafael) tenho com você, meu leitor. Cada texto aqui é uma entidade independente criada por mim, cada um deles te trará uma nova visão com mais possibilidades, criando assim uma nova visão de quem é o Rafael. A medida que escrevo e penso nessas possibilidades, ao mesmo tempo me entendo, tento entender você (e suas infinitas possibilidades) e assim vou criando novas visões de mim mesmo e novos personagens-leitores sem rosto.
Esse texto que é entidade criada por mim causa transformação direta tanto em você quanto em mim, mas é um mediador com identidade própria, logo eu não causo transformação em você diretamente, você se transforma a medida que tenta decodificar o texto e me achar dentro dele.

Vivendo sem me relacionar vou conhecer muito pouco de mim mesmo, pois é nos olhos das outras pessoas que começo a me ver melhor. Só haveria uma maneira de congelar nosso "eu", e é depois de passar por todas as situações imagináveis, como isso é virtualmente impossível, o que podemos saber de nós mesmos são apenas pequenos fragmentos de um imenso quebra-cabeça.
O conhecimento dessa impossibilidade de prender o "eu" a uma descrição determinista (e prende-lo nesse caso seria o decreto da morte do eu [pois afinal, morre tudo aquilo que ousamos nomear]) nos abre os olhos a um mundo de incerteza, onde somente no espaço de um instante posso perceber um "eu", um "você" e um "nós".

*um elemento de Neon Genesis Evangelion


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:26 PM

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