"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)
Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada
Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada
Stats
Quinta-feira, Agosto 31, 2006
Doce Clarividência
- Naquela época eu simplesmente estava com baixa auto-estima, e a única coisa que eu pensava e que gastava todo meu potencial criativo era em como arrumar uma namorada, com quem eu pudesse dividir minha vida nesse curto período em que estaria nessa cidade. E é claro, devido minha insensata exigência, deveria ser uma moça perfeita. Mas não pense que ela seria apenas um instrumento que eu utilizaria para me tornar uma pessoa mais satisfeita, era também um desafio e uma necessidade gritante. Até então eu nunca tivera nenhum relacionamento que durasse mais de um mês e era isso que mais me incomodava.
Ela não se moveu, não tinha a mínima intenção de se libertar daqueles braços, deu um tempo para que as palavras dele esfriassem como se isso já fosse um ritual entre os dois, pois seus diálogos sempre continham essas pausas pontuadas que irritavam, ou angustiavam qualquer observador.
- No dia em que você finalmente veio conversar comigo eu quase nunca pensava na vida. Na verdade, eu vivia como em um piloto automático. Desde o começo sua altivez me incomodava, mas não como arrogância, era como pequenas alfinetadas um tipo de chacoalhão na minha vida inerte. Seus discursos, ora brincalhões ora instigantes, me levavam a pensar, e rever a vida de uma forma mais lúcida. Mas foi só depois daquele poema que eu realmente comecei a ver um mundo mais real, afastei suavemente algumas ilusões que já nem sabia por que criara. Pensei até em escrever quando me veio uma imensa vontade de explicar como minha vida funciona... mesmo que para mim mesma. É... mesmo naquela época você causou um rebuliço em minha vida - e então ela se moveu entre os braços dele ficando de frente - e não se vanglorie pensando que eu já estava apaixonada, não era isso nem nada parecido, foi só um tipo de... acalme-se, não sou tão boa com as palavras como você - ele sorriu - foi como um pequeno terremoto em uma pequena cidade, algo novo que causa medo inicial mas logo que passa se torna uma agradável experiência que muda toda uma geração, e no meu caso, mudou toda uma geração de pensamentos.
Ele digeria as palavras dela como um raro e delicioso prato. Moveu os braços com intenção de dar mais conforto a ela enquanto preparava as palavras.
- O desafio se transformou em derrota e com ela veio o desespero, minha vida não era tão controlável como eu pensei que poderia torná-la e a angustia que veio em seguida foi o combustível para minha nova jornada pelos caminhos da busca por conhecimento. Eu já tinha desistido de você e preparava outros alvos para direcionar a felicidade com que eu queria te presentear. A maior parte desses pequenos episódios você tem conhecimento, o único que não sabes é aquele que cheguei mais perto de ter sucesso, mas nesse, apesar de ter conseguido dissipar minha pesada angustia, não consegui revesti-la com o mesmo manto de musa que te presenteei ao conhecê-la. E foi o maior dos mestres, o tempo, que me fez enxergar onde estava o erro na estrutura de meu ultimo... fracasso. Minha defesa foi voltar ao conhecido mundo da busca por conhecimento, o que me manteve calmo por um tempo mas não dissipou minha vontade de ser completo com outra pessoa. Foi ai que entendi o motivo inicial novamente, e foi quando você atravessou meu caminho de novo, estremecendo minha nova estrada recém criada e tomando retomando minha atenção com desmedida elegância. - ela sorriu - E por sorte minha, já que antevendo minha derrota tive que repensar minhas intenções. Antes eu só pensava na felicidade que você poderia me trazer estando comigo (e agora tenho certeza dela), mas não imaginava no quanto eu poderia investir na sua felicidade.
O sorriso refletido nos olhos de ambos era o suficiente para que essa pausa não durasse tanto tempo quanto as outras.
- Para mim foi uma sorte dupla entrar novamente em seu caminho, pois antes eu sequer fazia idéia do bem que você poderia me trazer, e rapidamente o medo que me impediu de te conhecer no começo da história se dissipou, dando abertura a um sentimento que eu não cogitava existir. O que posso dizer é que seu plano renovado deu certo e que agora sinto perfeitamente a liberdade que você professava e a felicidade com que você queria me presentear.
E como toda boa conversa, essa foi pontuada com um longo beijo, que nesse caso, era confeitado de puro amor.
A sociedade das abelhas é perfeita, por isso elas não evoluem
Na sociedade das abelhas elas são divididas em 3 castas, a Rainha - responsável pela procriação, os Zangões - que se acasalam com a Rainha e as Opérarias que desempenham várias funções durante a vida, desde limpar a colmeia a protegê-la.
Numa sociedade humana perfeita seríamos como as abelhas, mais precisamente seríamos como é mostrado no excelente Admirável Mundo Novo.
A sociedade humana nunca esteve perfeita (e, espero eu, nunca será) mas como a tecnologia se tornou o novo Deus da humanidade, nós estamos calmos como vacas na Índia, se você tem seu computador ligado a internet você não precisa mais de revolução, você estagna num ponto de ilusão de poder, pensa que está fazendo alguma diferença em toda a esfera da informação quando na verdade está inerte no mundo real.
Todos esses pequenos centros de revolução que pululam a internet são como os pequenos erros de duplicação de DNA, que podem causar evolução ou câncer. As celulas repressoras não atuam como antigamente, mas podemos usar algo muito mais eficiente para esse problema: o alcance, ou melhor, a falta de alcance.
Um blog pequeno como esse, apesar de estar revolto de uma energia revolucionária em latência, nunca se transformará numa grande mutação por que não tem alcance. Alguns outros conseguem ter mais alcance do que seus donos esperariam como aquele que está Saindo da Matrix.
Mas ainda sim é pouco, digamos que existam 5 mil visitantes, qual a grande diferença que isso fará no mundo? Agora coloque fogo num ônibus e verá a força de alcance que você tem. Todos vão querer ouvir o que você tem a dizer.
Uma das coisas que hoje tenho claro em minha mente é o poder da comunicação de massa. Se não conseguimos despertar o interesse da mídia não saímos do lugar, e como a mídia hoje tem o mesmo papel que a enzima que corrige os erros de duplicação de DNA, fazendo de tudo para manter o status quo, as possibilidades de utiliza-la para fins revolucionários é quase nula, na verdade é negativa, pois qualquer tipo de tentativa será mostrada como ato de vandalismo. Assim como ocorreu com os atentados do PCC.
Estamos no limiar de uma grande revolução, a guerra por enquanto é travada pelo marginais (no sentido de marginalizados) contra o governo, de um lado vemos uma nova ideologia, coerente e de cunho humanitário, de outro a manutenção do poder e dos valores capitalistas. As armas do PCC são letais, as armas do governo são a diversão e o medo.
Numa luta que deveria ser de classes percebemos que os proletariados estão defendendo interesses burgueses, tem medo da revolução. A nociva esperança que os faz agarrar ao pouco que tem, os mantém letárgicos e incapazes de ver as grades que os mantém separados da realidade.
Uma luta é o que precisamos, e essa luta já começou. A revolução é iminente, e espero que ela não seja abafada com novelas e futebol.