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"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)

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Poesia
Vou-me embora pra Passárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Passárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada

Vou-me embora pra Passárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Passárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Passárgada
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Quinta-feira, Setembro 14, 2006


Aquele de Castanha

A timidez que antes parecia pequena e depois tomou conta de todos os meus sentidos certamente me surpreendeu, o pequeno chocolate que repousava no bolso de minha camisa se tornou o simbolo de um sentimento bom e ao mesmo tempo agonizante.
Vermelho como uma vermelha rosa, e agora simbolo de uma paixão, ele simplesmente teve que esperar colado no meu coração, como se o representasse.
Na angustia de uma aparente covardia eu pretendia come-lo mesmo sabendo que o destino de uma paixão não poderia ser meu próprio corpo, se eu sucumbisse seria um reflexo de anteriores fracassos, eu simplesmente me alimentaria de uma utopia que deveria ser compartilhada.
O pequeno gesto, que feito com o mínimo de intensão possivel tirou de mim a angustia de ruminar algo que não mais pertencia a mim. Presentea-la com meu coração em forma de chocolate me fez lembrar a Colombina digerindo o coração de Arlequin e tornando ela mesma a dona de seus poderes.
Tudo é simbolo e agora que perdi meus poderes, o poder de mudar minha vida, e a ela o presenteei sou nada mais que uma criança perplexa pela magia, aquela que só é efetivamente real àquele que nela acredita.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:07 PM

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