"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)
Foi num belo dia de verão ao entardecer
Que lindos olhos um sorriso me recusaram
Meu coração começou logo a entristecer
Pelas máguas que ali mesmo começaram
A dor sentida foi tão forte
Que sem forças p'rali fiquei
Sofrendo impune duma lenta morte
Mas com o olvidio um bálsamo apliquei
Em silêncio esperei um ano inteiro
Crescendo em mim uma triste paixão
Fruto verde deste amor primeiro
Que poderia ter-me levado ao caixão
Foi então que esse sorriso veio
Suave e lento como uma folha caída
Meu coração quedou-se num doce enleio
Vivendo nesse minuto toda uma vida comprimida
Foi um enlace tão terno e deminuto
Culminado por sorriso tão singelo
Foi uma vida inteira num minuto
Vivida tão intensamente e em sigilo
Sim! com o olvidio um bálsamo apliquei
Durante três longos anos de sobrevivência
Nessa luta mais homem assim fiquei
Foi um sorriso que aconteceu na adolescência.
Stats
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Depois de muito tempo sem escrever alguma coisa, ou mesmo ter animo para visitar outros blog, acho que voltei à minha busca por respostas (ou perguntas). Pelo jeito minha ilusão abaixo era apenas ilusão, mas agora não pretendo mais ficar apenas sonhando, vou viver um pouquinho por que a vida acaba e o sonho pode ser eterno.
Vida e Consciência (1/3) - A fragilidade da vida humana Uma das sensações que sempre atacaram com voracidade todos aqueles que resolvem estudar um pouco de filosofia é a inutilidade da existência humana. Lembro-me que imerso em minhas infindas crises existênciais, o peso que me impedia de ter uma vida mais comum era sempre ligado à fragilidade dessa vida.
Foi quando li "Vampiro a Máscara", que finalmente consegui palavras e situações para entender a angustia que percegue todos os pensadores: o ser humano morre, e na maioria das vezes da maneira mais improvável possivel. Um jovem que assaltado por um inesperiente pivete, uma bonita moça de carona com um colega embriagado, uma dona de casa que toma um escorregão no banheiro.
"Vampiro" nos mostra como a simplicidade extingue algo tão grandioso. Assim como temos nossos rebanhos que não servem mais do que alimento, os humanos seriam o rebanho dos seres da noite, um simples encontro com esse ser sobrenatural poderia ser o fim de nossa existência. Somos apenas seu alimento, não é nada pessoal.
Mas em nosso mundo "real" não existem tais predadores, aqui é o irônico destino que se alimenta de todas as vidas. Vejo um brilhante futuro em meu caminho, mas posso morrer atravessando a rua. Talvez o cientista que poderia descobrir a cura do cancêr moreram de ataque cardíaco fuminante num dia ensolarado.
Ainda que não tenhamos os predadores sobrenaturais que nos tratam como simples rebanho, a própria natureza se encarrega de extinguir vidas inúteis ou brilhantes com a mesma tempestade. E no final, as pessoas resumem tudo na pavra sorte.
Sorte, a grande piadista, a que dá e toma de forma impetuosa e inesperada, a que impediu que pessoas viajassem em aviões que posteriormente cairiam, e que depois as matou com uma bala perdida, ou atropelados por um taxi. A prima do caos, o deus que criou a inteligência humana e que vai, inexoravelmente, destruí-la.
Eu estava preparando uma série de três textos que explicam resumidamente minha visão de mundo. O primeiro dessa série já está pronto há um mês e eu ainda não tive ânimo de publicar, ele fala sobre a fragilidade da vida humana, e creio que será o próximo post.
Mas antes desse resolvi publicar uma pequena, mas influente, ilusão que tive há aproximadamente 24 horas atrás. Como se fosse um real acontecimento, fui informado de uma possível separação, e um interesse, dessa que romperia o namoro, sobre minha humilde pessoa.
E como não piso nesse chão terrestre, símbolo de amarga realidade, há algum tempo, me deixei divagar sobre as amplas possibilidades de estar junto do alvo de minha paixão. A situação descrita nesse post abaixo (Doce Clarividência) me veio como uma inevitável e doce realidade.
Navegando entre palavras e carinhos me senti imerso nos braços aconchegantes dessa que vocês, apressadamente, vão taxar de um passageiro amor platônico. A ilusão criada sobre o alicerce de uma informação inexistente me fez novamente sonhar com um mundo em que finais felizes são realmente possíveis.
Felizmente depois de cair de cabeça na realidade novamente, a dor que latejava pelo meu corpo não me trouxe aquele manjado desejo de auto destruição, ao contrário, me encheu novamente de uma esperança que eu mais não acreditava existir.
Ainda que não haja nenhuma possibilidade de realizar esse meu ¿pequeno¿ sonho, a ilusão que foi criada para simular a realidade que eu almejo conseguiu espantar a angustia que já havia se instalado confortavelmente em meu coração.
Ainda que eu seja um Inquisitor de Ilusões, ainda que eu milite contra o mal causado pela vil esperança, certamente o desejo de que minha mente pudesse efetivamente moldar a realidade me trouxe volta a um mundo menos agressivo, um mundo com possibilidades infinitas, que se forma a partir da minha visão, que se torna real a partir de meus passos.
Certamente foi um sonho desses que na maioria das vezes eu chamaria de nocivo, mas dessa vez gostei de experimentar um pouco de um mundo onde essa esperança não nos deixa inertes, mas molda a realidade a partir de nossa vontade.