"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)
Foi num belo dia de verão ao entardecer
Que lindos olhos um sorriso me recusaram
Meu coração começou logo a entristecer
Pelas máguas que ali mesmo começaram
A dor sentida foi tão forte
Que sem forças p'rali fiquei
Sofrendo impune duma lenta morte
Mas com o olvidio um bálsamo apliquei
Em silêncio esperei um ano inteiro
Crescendo em mim uma triste paixão
Fruto verde deste amor primeiro
Que poderia ter-me levado ao caixão
Foi então que esse sorriso veio
Suave e lento como uma folha caída
Meu coração quedou-se num doce enleio
Vivendo nesse minuto toda uma vida comprimida
Foi um enlace tão terno e deminuto
Culminado por sorriso tão singelo
Foi uma vida inteira num minuto
Vivida tão intensamente e em sigilo
Sim! com o olvidio um bálsamo apliquei
Durante três longos anos de sobrevivência
Nessa luta mais homem assim fiquei
Foi um sorriso que aconteceu na adolescência.
Stats
Terça-feira, Junho 26, 2007
“Match Point” e outras coisas mais
Cada um formula suas metáforas baseado naquilo que conhece. Na primeira cena do filme uma bola de tênis bate na rede, e congelada no meio exato do campo, pode cair de um lado ou do outro. A essa força que ninguém pode controlar, chamamos de sorte.
Não sou um tenista, por tanto não é uma metáfora que usaria se eu fosse falar de sorte. E deslizando por esse pensamento percebo que sempre deixei a sorte de lado. Não usaria metáforas para falar de sorte, pois a bani da minha vida, como se fosse coisa mística, persona non grata no vocabulário de um cético.
Minhas metáforas são sobre relacionamentos, decisões e variáveis. Se você leva um fora, ou se perde um cliente, não é uma questão de sorte, foram inúmeras variáveis que criaram as situações até chegar a esse resultado.
Mas se uma aliança se transforma numa prova que consuma um fato (ainda que não seja o fato real), podemos chamar de sorte? Tanto quanto se a bola pendesse para o outro lado?
Creio que sim. Woody Allen me persuadiu, ainda que eu pudesse dizer que foi o ato do ‘bandido’ achar a aliança e não a sorte, certamente o marginal não o fez pensando em salvar a pele de nosso protagonista, antes de morrer.
Então meus pensamentos perante as inúmeras variáveis muda. Se não temos como manipular uma ação alheia, e outra pessoa a cria inconscientemente de estar fazendo bem a outrem, então podemos dizer que é sorte, e de repente a coisa mística, filha do caos com a entropia, se torna parte da equação.
E o mais interessante é que desde a época em que comecei a estudar o “Mago: A Ascenção” eu gostei bastante da esfera da entropia, mas parece que só agora percebo o que realmente o ‘controle’ da sorte e do azar podem ocasionar a nossa vida.
Apesar de admitir há muito tempo a incapacidade do ser humano em ser feliz (obviamente refletindo a minha incapacidade a tal fato) eu não estava preparado para essa possibilidade. Como qualquer outro ser humano eu deveria dizer coisas como: "a felicidade é utópica", "o ser humano é incompleto", "o entretenimento nos deixa inertes para evolução" mas sem acreditar muito nelas.
"Ouvi dizer que Tim Leary, quando estava morrendo, disse que olhava para seu corpo que estava morto, mas seu cérebro estava vivo. Aqueles 6 a 12 minutos de atividade cerebral depois que tudo se apaga. Um segundo nos sonhos é infinitamente mais longo do que na vida desperta. Entende?
Claro. Tipo, eu acordo às 10:12h. Então, eu volto a dormir e tenho sonhos longos, complexos, que parecem durar horas. Aí eu acordo e... são 10:13h.
Exato. Então aqueles 6 a 12 minutos de atividade cerebral podem ser a sua vida inteira."
Tenho passado muito tempo pensando nos momentos especiais da vida. Aqueles segundos que podem ser sua vida inteira. Não necessariamente em sonhos (embora eu esteja viciado neles), mas em algumas situações em nossa realidade, que dá significado a toda nossa existência. Pode ser uma noite especial, ou a visão de uma criança correndo na rua. No sonho, você pode viver o que quiser.
"O personagem principal é o que chamo de 'a mente'. Sua mestria, sua capacidade de representação. Historicamente, muito se tentou conter experiências que ocorrem à beira do limite nas quais a mente está vulnerável. Mas creio que estamos em um momento muito significativo da História. Esses momentos, que poderíamos chamar de limítrofes, fronteiriços experiências de Zona X, hoje, tornam-se a norma.
Essas multiplicidades e distinções transmitem diferenças, gerando grande dificuldade à velha mente. E, entrando através de sua essência mesma saboreando e sentindo a sua singularidade pode-se avançar na direção daquela coisa comum que os mantém unidos. Então o personagem principal é para essa nova mente maior, uma mente maior.Uma mente que ainda virá a ser. E quando entra-se neste registro pode-se ver uma subjetividade radical. Afinação radical à individualidade, à singularidade, à mente."
A eterna busca por Deus, descrito acima e descrito aqui de maneira similar. Deus seria a salvação, mas não de um desnecessário pecado original. Nos salvaria de nossa própria individualidade.
Não há nenhum problema no mundo que não tenha surgido no ego. Toda a maldade, corrupção e descaso provêm de nosso egoísmo.
Mas a vida não é tão ruim dessa maneira, afinal ela nos dá desafios. Sem uma consciência individual não teríamos mais o que conhecer, ou quem conhecer. A quebra de um campo A.T. é um novo Big Bang se expandindo e fervilhando de infinitas novas variáveis.
"Quase todo comportamento e atividade humana são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo ao nível do super-chimpanzé.
Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano. O reino do verdadeiro espírito o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado.
Por que tão poucos?
Por que a História e a evolução não são histórias de progresso mas uma interminável e fútil adição de zeros?
Nenhum valor maior se desenvolveu. Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje. Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial?
A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é: qual é a característica humana mais universal?
O MEDO...
Ou a PREGUIÇA?"
Em qual das duas você se encaixa?
Há 2 anos eu lia até 3 livros por semana, escrevia aqui pelo menos de 3 em 3 dias. Navegava pela internet com sede de conhecimento.
O que foi que drenou minha força de vontade e injetou essa imensa dose de preguiça em mim?
Com o medo pelo menos eu não tenho muito problema (a não ser o medo que essa preguiça se mantenha). Mas a preguiça tem me deixado inerte. Estou parado no caminho que eu escolhi, que gosto, que me atrai. Mas por que não consigo dar mais nenhum passo?
[Certamente seu pensamento se concentra em algo que você perdeu na estrada]
"Não espero pelo futuro ansiando pela salvação, absolvição ou mesmo pela iluminação. Acredito que esta perfeição falha é suficiente e completa em cada momento inefável e singular."
Talvez, para acalmar minha mente, eu me defenda com Tyler Durden "é preciso chegar ao fundo do poço..." Mas o quão fundo é esse poço? Pois ao mesmo tempo em que me sinto completamente exaurido de todas as vontades e necessidades, quando não almejo nada (budismo ou depressão?) eu sinto que estou no fundo desse poço, mas que na verdade ele pode ser tão fundo quanto nós quisermos.
"Um único ego é um ponto de vista absurdamente estreito para se abordar esta experiência."
Mas as ultimas conversas também não estão adiantando muito. Acho melhor parar de buscar respostas no mundo externo e escutar meu pequeno demônio.
"Ele é pura ação, sem teoria. Nós somos pura teoria, sem ação."