Propósito
Entender o propósito da minha existência e aceitá-lo
Camaras de Teste
Círculo de Blogs
Boas Pessoas
Eu

"Sou o proprietário da minha potência e sou-o quando me sei Único. No Único, o possuidor regressa ao Nada criador de que saiu. Todo o Ser superior a Mim, quer seja Deus quer seja o Homem, enfraquece diante do sentimento da minha unicidade e empalidece ao sol desta consciência." (Max Stirner)

E-Mail: trunkael yahoo
MSN:trunkael hotmail ICQ:96643492
Orkut

Grupos
Poesia
Sorriso

Afonso Almondino da Silva

Foi num belo dia de verão ao entardecer
Que lindos olhos um sorriso me recusaram
Meu coração começou logo a entristecer
Pelas máguas que ali mesmo começaram

A dor sentida foi tão forte
Que sem forças p'rali fiquei
Sofrendo impune duma lenta morte
Mas com o olvidio um bálsamo apliquei

Em silêncio esperei um ano inteiro
Crescendo em mim uma triste paixão
Fruto verde deste amor primeiro
Que poderia ter-me levado ao caixão

Foi então que esse sorriso veio
Suave e lento como uma folha caída
Meu coração quedou-se num doce enleio
Vivendo nesse minuto toda uma vida comprimida

Foi um enlace tão terno e deminuto
Culminado por sorriso tão singelo
Foi uma vida inteira num minuto
Vivida tão intensamente e em sigilo

Sim! com o olvidio um bálsamo apliquei
Durante três longos anos de sobrevivência
Nessa luta mais homem assim fiquei
Foi um sorriso que aconteceu na adolescência.
Stats
eXTReMe Tracker

Terça-feira, Outubro 30, 2007


Dito por ela

"Agora quando saio de casa o céu está sempre azul e o sol a brilhar, as pessoas respiram coraçõezinhos, os cachorrinhos dorminhocos tem zezinhos saindo da cabeça e toda noite é noite de lua cheia acompanhada de estrelas."


posted by TRUNKAEL H MAIRS 11:47 AM

Divague ( ) ou |


Sexta-feira, Outubro 26, 2007


Minha própria Terabítia

Ontem assisti "Pergunte ao Pó" e uma das frases que me chamou a atenção na carta-resposta para Arturo Bandini dizia que os escritores tem problemas em ter experiências diversas pois estão gastando grande parte do seu tempo escrevendo.
Talvez seja por isso que meu blog tem mais textos quando não estou tendo nenhuma experiência de vida. Busco mil teorias impraticáveis e aplico em situações imaginárias. Tudo como forma de explicar algum sentimento, argumentando algum ponto de vista que só é possivel em uma vida teórica.
E vocês (na verdade posso dizer 'você', pois só o b.m. lê isso aqui, como antigamente) perceberam que faz um bom tempo que deixei as teorias de lado para falar da vida. A experiência se tornou minha principal meta. Por isso fui ao Parque Estadual do Rio Doce, por isso ivensti em amores e mudei meu modo de me relacionar com as pessoas.

Creio que desde 2005 que não dou tanta importância às buscas filosóficas, possivelmente desde que conheci o empirismo, a filosofia da prática e o amor. Foi quando a questão das pequenas histórias começou a aflorar. A partir de uma discussão com b.m. escrevi o post "Pequenas coisas da vida", que seria uma defesa aos momentos singulares. As experiências pareciam o grau máximo de realização humana.
Uma vida cheia de histórias para contar seria melhor que um livro publicado ou uma carreira promissora. E durante esse cenário de buscar os pequenos momentos, valorizar situações singulares, uma Leslie aparece em minha vida.

Não vou dizer que me entreguei ao mundo imaginário dela de imediato. Na verdade fui mais resistente que o Jesse. Claro que o motivo de minha resistência era totalmente diferente do Jesse. Ele era introvertido pois vivia cercado de problemas que afligem qualquer pré-adolescente. Minha resitência (ao contrário do normal) vinha de experiências passadas. Momentos extremamente bons seguido de bruscas decepções.

Mas resolvi pagar pra ver, e me defendo usando um diálogo de "Pequena Miss Sunshine":
"Enfim, ele [Proust] chegou ao fim de sua vida olhou pro passado e se deu conta que todos aqueles ano em que sofreu foram os melhores da vida dele, pois mostraram à ele quem ele era."

Não vejo essa frase como uma ode ao sofrimento, mas um desafio a viver, a correr os riscos da vida. A maioria de nossas decisões são tomadas sem contemplação e mediadas pelo medo. Temos medo de um relacionamento por algum erro do passado, ou até por se imaginar preso a uma pessoa. Mas não há como saber o que vai acontecer se não tentarmos.
Nós não conhecemos as pessoas num primeiro encontro, não há como julga-las por sua aparência ou pelas idéias que ela apresenta numa mesa de bar. Se queremos conhecer pessoas temos que dar chance a elas, temos que quebrar essa barreira e tocar sua alma.
Hoje me parece absurdo alguma pessoa que não se arrisca a conhecer as outras, fechadas em seu mundinho particular ter o destino tocado, ou tocar o destino de alguém. Se haverá sofrimento não importa, procure pelos momentos singulares e inefáveis que certamente virão, caso esteja de alma aberta para isso.

Foi nesse cenário que um mundo foi criado, minha vida no mundo real parece a mesma, mas se tornou mais leve pelo simples fato de existir um mundo parelelo em outra pessoa, algo que poderá me dar ótimos momentos, assim como Terabítia. Esse mundo imaginário não foi criado naquele lugar específico, mas nas pessoas que o imaginaram.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:40 PM

Divague ( ) ou |



Ponte para Terabítia
Eu sempre gosto de assistir um filme sem nenhuma expectativa. Não fazia idéia do que seria “Ponte para Terabítia”, pelo trailler me lembrei de “Crônicas de Nárnia”, mas é um filme totalmente diferente. É um filme infantil certamente, mas a emoção descarregada em certos momentos poderia ter me feito chorar.

Jesse, o protagonista, usava sua arte para fugir da realidade opressiva que vivia tanto em casa quanto na escola. A corrida era tanto uma válvula de escape, quanto uma tentativa de ser um pouco mais respeitado entre colegas tiranos. Quando ganharia uma corrida, possivelmente a representação de sua vontade de potência, acaba perdendo para a novata Leslie.

Leslie chega na escola sem se deixar reprimir. Liberta de todo e qualquer paradigma daquele lugar, escolhe seu próximo melhor amigo em vez de se sujeitar à tirania da casta opressora. Filha de escritores e com habilidade de visitar lugar desconhecidos, cria junto com Jesse o mundo que seria só deles: Terabítia.

Em outro blog foi escrito que Terabítia era uma representação direta da realidade de Jesse e Leslie, como argumento existe a menina opressora representada pelo Troll e o pai ausente como senhor das sombras. Uma idéia válida, claro, mas que discordo.

O mundo imaginário foi desenhado com elementos da realidade, mas a história era completamente diferente, uma brincadeira de criança, uma fuga, uma construção de uma realidade mais divertida onde os dois poderiam descarregar uma certa frustração.

A imaginação busca na realidade sua matéria prima, mas cria um mundo completamente novo, onde, nesse caso, o alicerce era a amizade.

A primeira hipótese que pensei em argumentar enquanto assistia o filme era no poder argumentativo da Leslie, em como as mulheres podem mudar a mente de uma homem para se aproximarem. No começo, ainda meio arredio, Jesse não conseguia ver o que Leslie narrava, quando resolveu que queria ser amigo da moça é que Terabítia começa a tomar formas.

A história não se trata de uma familia problemática ou opressão no ambiente escolar, ela narra o desabrochar de uma amizade que ultrapassa o limite da realidade.

Depois da amizade já consolidada, e em meio a uma comunhão mais firme de ideais, o amor se torna no protagonista da história, e deixa de importar o lugar fantástico, para que a presença de um com o outro se torne o foco principal da “brincadeira”.

Uma outra questão que foi discutida com b.m. era sobre o significado desse novo mundo. Eles embelezavam o mundo ou falsificaria seu mundo? Segundo ele o filme argumenta em deixar a fantasia de lado para enfrentar a realidade. Mas creio que isso seria simplificar demais uma possível mensagem que o filme carrega.

Eu não sou capaz de dizer que o filme passa a idéia de uma liberdade dentro da imaginação, ou simples fuga da realidade. Prefiro ficar com o puro sentimento, a descoberta da amizade. O mundo leve que eles criaram ajudava a enfrentar o mundo real, não o recriava, era apenas um universo paralelo onde eram principe e pricesa, donos de sua própria história.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:38 PM

Divague ( ) ou |


Terça-feira, Outubro 02, 2007


Pequenas coisas da vida

Era um dia preguiçoso e sobre minha cama fingiámos fazer um trabalho qualquer, quando na verdade estávamos apenas apreciando a presença um do outro. Não foi surpresa nenhuma sentir que era uma dos melhores dias de minha vida. Não havia toque nem intenção, era só a proximidade, a anulação do campo A.T. e sorrisos naturais.
Durante a vida temos alguns momentos completamente felizes, como Tyler Durden em seus poucos segundos de perfeição sentado nas mãos de um gigante. Há quem diga que é preferível uma vida repleta desses momentos. Mas seu excesso sem dúvida tiraria seu significado.
Eu, pessoa triste que sou, um lobo solitário, não tenho mais que alguns momentos especiais para lembrar. Enquanto algumas pessoas nos embriagam de várias histórias divertidas, eu tímido guardo as minhas como um pequeno tesouro, as defendendo de um público que nunca saberá exatamente qual é o significado real de certos momentos.

Em outra ocasião, descrito no post abaixo, eu num estado completamente diverso, viajando em situações simples, em um deslumbre estético causando alta liberação de felicidade, parecia um simulacro do paraíso. Passar a vida inteira nessa situação seria como a mais agradável das loucuras. Se por toda a vida buscamos por esse tipo de felicidade, ficar louco dessa maneira seria um tipo de benção.

Mas obviamente uma felicidade sintética não pode substituir dias divertidos no shopping, onde o que menos importava era o lugar. A tímidez de dois que pareciam adolescentes, era tão simples e doce como deveria ser a leve vida de um casal num vilarejo remoto.
A expectativa de novo encontro, a alma transbordando o corpo à procura de qualquer emoção efemera para acalmar-se. Tudo que era necessário, era estar próximo em todos os momentos possíveis. Tudo que eu fazia era ficar de prontidão à espera de aconchego.
Não posso me esquecer também do folego que faltava na iminencia do calor, o mundo caindo aos pedações diante de um sorriso sem graça. O silêncio constrangedor entre uma música e outra, o eterno vácuo criado em certo canto de meu ego.

Num dia menos compromissado, perambulando em um vilarejo com sua calma roubada por uma festa popular, o encontro suave com lábios inocentes, uma cumplicidade diluida no efeito calmante do alcool, a lua, o rio e o cheiro da mata. Creio que o grande héroi nesse e em outros casos foi a falta de expectativa. Assim como Niezstche descontrói a esperança transformando-a em vilã da humanidade, eu pego como minha inimiga as expectativas, pois a falta dela me deu as melhores vitórias, e o seu excesso as piores decepções.

Por essa linha pego como melhor exemplo meus cinco meses dentro da mata atlântica, uma fuga que se tornou estado pleno de liberdade. A aura de satisfação em torno de uma vida simples e adminsitrável se torna talvez a melhor de minhas pequenas histórias. A lua cheia refletida em uma imensa lagoa já seria suficiente para se tornar um marco em minha existência, mas o calor a meu lado era um bônus que se tornou o prêmio principal.
Possivelmente foi minha real experiencia do cinismo filosófico, dava valor apenas às minhas necessidades básicas e assim vivia plenamente satisfeito até o momento de voltar à conturbada vida urbana.

Nem tão simples e nem tão pequeno assim seria minha nova empreitada a um mundo mais duro, me forçando a uma amadurecimento mais consciente, mas que não me deixará esquecer das pequenas coisas que me tornaram alguém um pouco mais satisfeito com um mundo tão confuso.
Ainda não existe uma ideologia certa e intocável a seguir, e creio que não haverá enquanto as coisas simples puderem me emocionar. A própria grandiloquência se torna nada diante da beleza de alguns momentos, pois as vitórias comuns são facilmente esquecidas, os momentos singulares é que ficam para sempre.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:45 PM

Divague ( ) ou |



Um Furo

Um relacionamento rápido e doloroso entre uma agulha e um dedo. Segundo ele era necessário pois não haveria magia se não fosse feito com o próprio sangue. Assim foi desenhado algo parecido com um “A” num boneco de papel. Obviamente não parecia fazer nenhum sentido, mas para quem está em desespero qualquer coisa que não faça sentido pode facilmente se tornar acreditável.
Esse boneco deveria ser colocado na mochila ou bolsa da pessoa amada. Segundo ele, o efeito seria tão forte que imediatamente a paixão se irradiaria de uma forma assustadora. Uma bobagem claro, mas todo mundo tem alguma bobagem em que acreditar.
Pensando mais claramente sobre como colocar uma coisa na mochila de outrem, o furo parecia a parte mais fácil. Mal sabia ela que nunca chegaria a concretizar esse simples plano.
Clara chegou mais cedo na escola, para estudar melhor sua “vítima”, mas quem encontrou assim que entrou na sala foi o desajeitado “mago” que lhe pedia ofegante o boneco devolta.
Sim claro, você não vê o que poderia acontecer! Por favor me devolva. Claro que não, é tudo aquilo que mais quero nessa vida. Mas você não está entendendo, isso tem um poder muito forte, e quando esse poder for desencadeado a energia será retirada de algum lugar. E é bem possível que seja de sua vida. Não tem problema, que eu viva menos, mas que eu consiga meu amor.
E saiu rápido para não sucumbir aos argumentos de Arthur. Um trombo em um transeunde semi-invisível pos tudo a perder. Não haveria mais nenhuma maneira de continuar com o plano. Sentada no chão, em estado de choque, de pernas semi-abertas com a calcinha aparecendo sob a saia ela viu um anjo.
A linda moça que havia trombado nela pediu mil desculpas e ajudou a se levantar, não que ela acreditava em magia, mas disse que pequenas situações podem ter um significado maior do que se imagina. Clara enquanto estava se levantando não suncumbiu em dar um desesperado beijo na moça, esqueceu de seu amado e desacreditou na magia. Não lembrava quem era ou onde estava, o mundo era apenas aquele beijo doce. A menina meio desajeitada se afastou um pouco, mas não por desaprovação, disse baixinho que ali não era lugar daquilo, falou que encontrariam na quadra depois da aula.
Clara percebeu que no céu o tempo realmente se torna uma eternidade. Durante os vários anos que durou cada horário, ela percebe em sua mochila um pequeno boneco de papel borrado de sangue. Sem nenhuma idéia do por que, ela imediatamente o come se enchendo ainda mais do amor recém adiquirido.
A aula acabou mais cedo e ela saiu correndo aliviada, sem escutar que o motivo era a morte de uma aluna.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 4:45 PM

Divague ( ) ou |