Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
Instinto, Racionalismo e Empirismo
Como se influenciado pelas fases da lua, de tempos em tempos faço uma pequena mudança na minha visão de mundo. É bastante interessante experimentar outros ângulos de problemas que nunca terão uma solução absoluta.
Nesse momento passo por uma experiência que não é inédita e que a principio não se tornaria foco uma extensa discussão filosófica, mesmo por que já foi foco durante vários momentos de minha vida: novamente estou só.
Pode ser por diversão, experimento ou puro e simples masoquismo. Mas já se tornou comum caminhar pelo caminho da solidão, pelo fato de não me encontrar em nenhuma pessoa, mas com desculpa de me encontrar em mim mesmo.
Em dias de mau humor (o que é de costume nesse caminho), procuro argumento para ter escolhido essa maneira triste de passar meus dias. Não há surpresa quando percebo que nenhum argumento é realmente válido.
O racionalismo se dissipa em assuntos de sentimentos, minhas ações vêm puramente do instinto, mesmo sabendo dos resultados que já foram vivenciados.
A presença de uma mulher na minha vida sempre me deixa mais feliz, seja suprimindo carências afetivas e necessidades físicas, ou me divertindo nesse jogo que é um relacionamento.
As experiências passadas só comprovam minha debilidade enquanto ser solitário. Mesmo as decepções amorosas de outrora me ensinavam e divertiam pelo tempo que durou.
Nessas sombrias noites me imagino como o fantasma de coração de pedra, que nunca amou nem deixou ser amado. Mas essa é só minha vontade de ser vilão, coisa para qual vou descobrindo que tenho pouca vocação.
Eu poderia parecer sádico quando racionalizo um sentimento alheio e acabo o diminuindo. Mas a pinta de anti-herói dura pouco, pois prefiro que as pessoas sintam bem, mesmo quando isso significa a incapacidade de evoluir ao mesmo tempo.
A semente da evolução germina no caos, e esse é inimigo de uma mente conformista. As pessoas preferem o conforto à evolução.
Se eu fosse usar o instinto para argumentar contra minha solidão, também não acharia motivos para a mesma. O ideal seria esquecer as teorias e vestir de uma vez uma personagem estável e hipócrita nesse grande teatro cotidiano. Mas meu pecado é a sinceridade.
Ainda que os três elementos do título consigam ganhar a discussão contra a solidão, é minha intuição que predomina. Depois de um segundo encontro já se sabe se a pessoa é ideal ou não. É possível insistir, aproveitar um pouco os momentos bons de um primeiro mês. Mas a incompatibilidade vence o conforto em uma mente caótica.
A conclusão inevitável é que a liberdade me prende à solidão. Alimento minhas angustia numa eterna busca do inefável e me transformo num expectador da felicidade alheia, assim como a lua que só pode observar de longe as juras de amor de um casal enamorado.
A água salgada molhava os pés inconseqüentes da dor que estava por vir. Tudo que aquela mente racionalista conseguia sentir era euforia. A absoluta felicidade inibia qualquer dor, anseio ou teoria. Era o nascer de um novo ano, esse sem esperanças, mas com certezas.
Esperar se torna desnecessário quando há força de vontade para correr atrás de seus sonhos. Só se deve desistir da paciência, pois os impetuosos sempre tem maiores chances de chegar na frente, independente dos riscos de qualquer empreitada.
A expectativa também deve ser anulada, pois assim cada novo sucesso terá sabor singular nesse mar de possibilidades.