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"Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina." (Nietzsche)

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Não Sei Quantas Almas Tenho
Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Segunda-feira, Abril 07, 2008


“Se saio de casa, quando volto estou ainda mais triste”

Depois de mais um fim de semana de muita farra, desisto de continuar a festa no domingo. A onda de desanimo poderia ser apenas ressaca, mas assisto Clube da Luta novamente e percebo que não. O desanimo é pela inutilidade de minhas ações mesmo. Costumo me divertir bastante, beber bastante, como qualquer adolescente/adulto. Mas parece que nunca é o suficiente.

Ainda no domingo, depois que a galera volta da festa me encontro com os bêbados de olhos pequenos. É bem estranho quando se está são na ala dos bêbados. Seria mais fácil se eu estive com a consciência alterada também, assim poderia rir de qualquer besteira sem ficar pensando o quanto é inútil viver aquele estilo de vida.

Alguém fala sobre o cigarro, o grande companheiro das esperas. Comento que o cigarro só acalma um pouco nossa aflição, como se estivéssemos tentando preencher nosso vazio interior com aquela fumaça. No final percebemos que tudo que fazemos é para distrair o peso de nossa existência.

E junto àquele grupo cambaleante continuo filosofando, estamos ali por que não encontramos o amor, estamos ali por que não temos paciência para tolerar os defeitos alheios, estamos ali por que ali ninguém espera de nós mais que nossa companhia e boas risadas.

O grupo parece se desanimar, mas continuo. A amizade é importante, mas também nos mantém inertes na nossa busca, um bando de seres carentes que se encontram pra beber só podem estar escondendo algo. Seja o medo de ficar só, ou o medo de amar.

Será que é mesmo o amor a resposta para nossa vida?

Deveríamos procurá-lo, ou simplesmente esperá-lo?

A espera parece muito longa, enquanto bebo até cair pareço só um personagem de um conto de Luiz Vilela, que conversando com seu cachorro, admite que não sabe por que está indo beber, pois quando volta está mais triste do que quando saiu.

No final dos devaneios não há muitos comentários, o ar só fica pesado como se os pensamentos de todos o tivesse deixado mais denso. Uma verdade, todos concordam, mas uma conversa que não dará muitos frutos, pois afinal ninguém ali sabe ao certo como preencher o vazio.

Para mim parece que é com amor, mas o amor sempre passa longe, ele foge como seu eu fosse um psicopata querendo estrangulá-lo. Decido então que não mais o caçarei, mesmo que caia ainda mais fundo nesse poço, admito que desisto de procurar alguém que queira me entender.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 11:26 PM

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