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"Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina." (Nietzsche)

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Não Sei Quantas Almas Tenho
Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quinta-feira, Junho 12, 2008


Olá Senhor Valentino

Quando assisti novamente “A Viagem de Chihiro” me ative a um detalhe que me comoveu, o amor entre a Chihiro e Raco. Logo tive aquele sentimento de êxtase e pensei em várias coisas que eu poderia escrever sobre isso, inclusive voltando à minha infância para lembrar de como era bom ter uma namorada na escolinha, alguém que você dava a mão na hora do recreio.
Antes de existir em nossa mente infante toda essa história de beijos e carinhos, bastava você gostar e dar a mão. Também não existia a palavra “namorada” até então, são os adultos que nomeiam a situação, o que acaba levando a um repúdio imediato em alguns casos.
O amor da infância é o mais puro pois não há ímpeto sexual, não há interesses racionalizados, não exige nenhuma responsabilidade. Você gosta de lanchar ao lado da mocinha e isso parece-lhe a coisa mais saborosa do mundo.

Mas então esqueço todo o sentimento que o filme me trouxe quando lembro que hoje é dia dos namorados e estou sozinho novamente. Acho que só um ano em minha vida que estava namorando nesse dia.
Todos os membros de minha república namoram, todos os meus sócios namoram, eu novamente namoro a solidão e bebo com ela a noite inteira para celebrar mais um ano juntos. Apesar de acostumado com essa sina ainda tento mais uma vez e tomo um fora de alguém que eu gostaria de viver o resto de minha vida.
É engraçado como eu consigo desistir facilmente das pessoas, e logo no outro dia acordo cheio de esperanças. Era mais fácil esquecer logo tudo isso e levar minha vida como se eu fosse um marciano assexuado.

Mas não sou, e descubro que ser humano se resume em ser fraco para os desejos e sentimentos. Se quero não deveria ter que justificar, mas se justifico não é o suficiente. Se acho alguém que se parece comigo, o jogo de sedução se torna um jogo mesmo, como se fosse uma disputa acirrada pela razão.
Mas seguindo conselhos da guru do amor resolvo que não quero mais ter razão, e quando acho que esse era o ponto final, a afirmativa se torna parte do jogo. Definitivamente a racionalidade tem grandes defeitos. Por que não resolver logo isso tudo e ver no que dá?

Não pontuarei mais as possíveis razões, pois ao contrário do que pareceu no post anterior eu não sou vidente, inclusive não tenho agenda.
Quando falo coisas complicadas eu erro, pareço prepotente, quando falo de coisas simples também estou errado, pois parece parte de algum plano elaboradíssimo, que não faço a menor idéia de como funcionaria. Quando falo que desisto também me perco, pois desistir de algo se torna só um chamariz, que inclusive é ineficaz.
Se eu sou o problema, então devo desistir de ser eu mesmo, e mergulharei na corrente de idéias óbvias, pois se não encontrar mulher interessante, pelo menos encontro uma bonitinha pra me dar a mão na hora do recreio.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:19 PM

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