Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Preguiça
De acordo com um dos cabulosos personagens de Waking Life, existem duas coisas predominantes que impedem o ser humano de evoluir individualmente: O Medo e A Preguiça. Sempre que você deixa de buscar conhecimento, correr atrás de seus sonhos e estagna numa rotina preta e branca pode ter certeza que é um dos dois pecados.
Durante a maior parte de minha vida eu vivi com medo. Era o baixinho que apanhava na escolha, que vivia na sombra dos outros, que não dava nenhum passo em falso. Não arriscava em nada. Depois de determinado livro que li aos 13 anos comecei a mudar isso. Quando eu voltei a fazer Tae Kwon Do passei a ir em campeonatos e lutar de verdade. Acabei tomando gosto pela coisa, lutar foi o primeiro grande passo para posteriormente acabar com todos os meus medos.
Mas logo que controlei o primeiro pecado, o segundo me atacou fortemente. A preguiça é meu principal problema hoje. Não consigo acordar cedo, não consigo ler nada que tenha mais de uma lauda, não tenho vontade de sair e me falta paciência com as pessoas.
Mas esse é um quadro que está prestes a mudar. Há uma presença caótica em minha vida. Estou sendo levado por uma correnteza de sensações. E tenho agido como Jim Carrey no filme YESMAN.
Ainda que a questão da preguiça esteja diretamente ligada aos níveis de serotonina, se torna um ciclo vicioso, ou de alegrias, ou de tristezas.