Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quinta-feira, Março 19, 2009
Kadmon
O que seria ser um desperto?
Segundo Mago: A Ascenção
"O Despertar raramente acontece na infância. Os pais satisfazem abundantemente as necessidades da maior parte das crianças, deixando-as tão confortáveis com o status quo que não existe ímpeto necessário ao processo. Ele é similarmente improvável na velhice. As pessoas idosas, diferentes da maior parte da sociedade mais jovem, geralmente descobriram algo para concentrar sua atenção na vida. Seja construir uma carreira, erigir uma família ou embriagar-se todos os dias, existe algo no cotidiano que os fazem sentirem-se completos, e os prende eternamente à confortável realidade estática no processo. Mesmo aqueles sem esse senso de propósito , descobrem um nicho familiar e confortável que os impede de explorar algo mais."
O Budismo trás diversas teorias sobre o despertar:
"Se alguém possui treinamento da mente, tudo isso -- doenças físicas e sofrimento mental -- são meios hábeis através dos quais os mestres e as Três Jóias conferem suas bençãos e realizações. Então, você deve transformar todas as circunstâncias em fatores que conduzem para o treinamento em despertar a mente".
“A prática que aumenta a nossa capacidade de beneficiar é a mesma que traz o despertar.”
Essa iluminação budista passa por várias virtudes, sendo a principal delas o desapego as coisas matérias.
Segundo Nietzsche:
O Desperto é o que Nietzsche chamou um dia de Além-Homem (também traduzido como: Sobre-Humano ou Super-Homem).
Um ser Desperto é aquele que desfaz todas as amarras que lhe prendem à essa pseudo-realidade. Mas não julgue isso com um tom ficcional, essas "amarras", ou "vendas", que lhe impedem de ver um mundo livre (sem conhecer um mundo livre, você não teria como procurar esse mundo livre, ele não existe se você não o viu) são as estruturas dogmáticas que tem acesso às "massas": Televisão (e demais meios de comunicação em menor escala), o Governo (através, principalmente, da Educação), a Família (e a comunidade local) e, principalmente, a Religião.
O Desperto é a pessoa que domina os meios, e não o contrário, é aquele que se adapta, mas não se deixa manipular, é uma pessoa que se arrisca a ter uma opinião própria, e não fica apenas citando frases que viu na TV, ou o sermão de seu pastor (ou linhas da bíblia).
Essa é mais uma interpretação que tenho do Ubermech de Nietzsche do que uma citação dele.
E então?
A reincidência sobre o despertar nesse blog não é atoa, essa sempre foi minha busca, e é essa busca que me deu tanto agonia durante esses anos.
Mas agora que me tornei uma pessoa à margem dos pensamentos massificados, não sei o que fazer com isso. Gosto muito da pessoa que me tornei, mas será que me tornei aquilo que sou? (“Torna-te quem tu és”)
Me tornei desapegados das coisas materiais, me desapeguei das pessoas, ignoro sentimentos, mas ainda sim me sinto longe da iluminação, pois perdi uma parte importante da filosofia do despertar:
“Saiba que se você não tiver contentamento com as coisas, irá se tornar um escravo do desejo!”
Essa é a verdade, não estou contente com as coisas, me sinto uma alma solitária no mundo das banalidades. Impossível voltar a ser uma alienado (e nem quero), o behaviorismo e empirismo são minhas religiões. Minha busca é por pessoas que consigam me entender. Mas se não as encontro, deveria eu desistir?
Não há como desistir nesse ponto do caminho (e nem quero), mas não acho motivo para me contentar com a vida que levo, preciso de uma dica, uma trilha nova para percorrer, um objetivo que me leve novamente à sede de conhecimento.
O meu maior erro foi pensar que estamos perto de uma revolução mundial. Não estamos perto, a revolução já acontece todos os dias, só que ao contrário de outras épocas, as culturas não vão se anular, mas sim como Terence Mckenna comenta em seu vídeo. Todas as culturas existentes e por vir vão coexistir nesse mesmo mundinho de sempre.
Não veremos o fim da teocracia, pudor ou moral. Os hippies não vencerão e os “alienados” não deixarão de existir. A evolução da humanidade nesse ponto reflete a evolução humana, e principalmente a evolução tecnológica.
A idéia de globalização criou a internet e a internet globalizou a informações. Hoje temos acesso a qualquer cultura ou contra-cultura existente no mundo. Já vimos o caso das japonesas, que por se acharem muito iguais resolveram mudar o visual completamente, virar loiras bronzeadas. Até que essa “contra-cultura” se tornou parte da cultura japonesa.
A internet nos tornou mais sociáveis, não precisamos nos moldar para estar em determinado grupo de pessoas. Há um grupo de pessoas para cada tipo de pessoa. A internet facilita essa aproximação, e esses novos grupos criam as micro-revoluções paralelamente a dezenas de outros.
Então é possível que existe um “mundo perfeito” aos olhos de Tyler Durden? Sim. Mas ninguém vai destruir prédios ou criar um colapso do sistema capitalista para criar esse mundo. Simplesmente cria-se uma comunidade hippie no meio das montanhas e passam a viver sem contato com o resto do mundo.
Tyler Durden's World?
Já existem várias micro-comunidades com a do filme "A Praia"
Essa revolução no modo de vida já está entre nós há algum tempo, só estamos percebendo que não terá volta. O reagrupamento humano causado pela tecnologia e a vontade de fugir do sistema está moldando uma nova era (sem misticismo, por favor). Não seremos mais como nossos pais, a não ser que essa seja nossa escolha.
Os movimentos dessa revolução silenciosa são vistos o tempo todo, mas parecem tão absurdos que assistimos como se fossem um filme de ficção passando em nossas TVs. As gals japoneses existem de verdade, os hippies estão por toda parte, esse aumento de eventos com pessoas nuas é real.
Tive contato com um evento desses chamado Universo Paralelo, uma rave de 7 dias numa praia deserta com 10 mil pessoas que realmente parecem viver fora desse mundo “normal”. Não que eles sejam hippies em sua maioria, mas com certeza estão conectados a um tipo de contra-cultura.
Universo Paralelo
Meu palpite é que essa é a forma que a evolução (como entidade em si própria) encontrou para resolver o paradoxo do post anterior. Pois assim teremos a possibilidade real de uma evolução individual, sem atrapalhar a evolução social ou tecnológica. O câncer coexistirá com as células saudáveis da sociedade, não haverá uma macro-transformação da sociedade, mas sim infinitas micro-transformações.
posted by TRUNKAEL H MAIRS
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Domingo, Março 01, 2009
Evolução Social X Evolução Invividual
Ontem eu estava na república vizinha trocando idéia com um amigo meu que faz psicologia, falávamos sobre evolução individual X evolução social, ignorância X pensar.
O interessante é que eu não fiz nenhum discurso "religioso" sobre esse novo mundo de Tyler. Fui colocando as idéias com muita calma, e escutando o cara. O resultado de nossa discussão foi mais abrangente do que eu imaginava.
A minha premissa principal era exatamente o que foi questionado em waking life, por que a sociedade evolui como um todo, mas individualmente não evoluímos nada desde, sei lá, Sócrates?
A premissa que ele sustentou foi que a evolução social parte principalmente da limitação dos seus componentes. Isso acontece desde que existe uma sociedade organizada, e é exemplificada tanto pela escravidão egípcia, pelas ditaduras políticas e recentemente pelo capitalismo.
Para a sociedade evoluir o ser humano teve que se anular perante uma religião, governo ou sistema econômico.
Dentro dessa limitação, os mais aptos subiam para cargos de dominadores, e efetivamente "ajudavam" na evolução social. Pegando um exemplo bacana, vivemos em sociedade assim como vive a espécie dos Morlocks, a mais "evoluida" no filme "A Máquina do Tempo".
Morlock: "Como ousa questionar 800 mil anos de evolução?"
Para quem não se lembra, existia esse sujeito branco ae, que controlava mentalmente todos os Morlocks, que eram criaturas teoricamente humanas, mas sem inteligência ou vontade. Eles se alimentavam da outra raça humana (os Eloi), que vivia numa sociedade de poder descentralizado (comunista ou socialista).
Exatamente dessa maneira a nossa sociedade evoluiu sobre as outras. Nós dizimamos todas as micro-sociedades, vistas como menos evoluídas, e impomos nossa cultura e modo de viver.
Ok, ok, disso estamos cientes. Mas vamos voltar a questão: é impossível hoje evoluirmos individualmente?
Não é necessário uma destruição da sociedade como prega Tyler Durden. Justamente pelos argumentos bem colocados de Duanne (no circulo de blogs): seria um retrocesso. Vivendo num mundo como imaginado por Tyler, e como viviam as tribos que não trilharam o caminho da evolução tecnológica, estaríamos limitados em nossa evolução individual. Portanto, a Humanidade, como se fosse ela mesma um ser em si, defende a limitação intelectual da maioria em prol da evolução de si mesma a partir das poucas "anomalias" em suas sistema.
E Darwin concordaria com tudo isso. A humanidade quer apenas sobreviver nesse planeta, mas as mutações genéticas (sendo cada individuo uma célula no corpo da sociedade), ou seja as pessoas que se voltam contra esse imenso corpo social é que mantêm a contínua evolução da mesma.
Algo extremamente parecido com a evolução genética mesmo, inclusive percebemos que a "Idade das Trevas" Cristã foi a mutação genética que deu errado, se tornando um câncer maligno no cérebro da Humanidade.
Mas depois disso tudo ainda não temos uma resposta definitiva dessa pergunta que dura (pelo que sabemos) 3 milênios: O que seria a boa vida?
Será que é a felicidade que precisamos, e ela só pode ser vivida com a ignorância?
Só conseguiremos viver sem as angustias de um pensador ignorando o ato de pensar?
Nos deveríamos nos contentar em ser apenas uma célula perfeita nesse grande ser que é a sociedade moderna?
Ou poderíamos ser parte dessa mutação genética que evolui esse grande ser?
Mesmo que para isso tenhamos que lutar contra essas outras células, nos deformar e no final até morrer por isso?
Creio que o fato de existir essa discussão já nos torna uma mutação. A diferença é que talvez tenhamos uma escolha, ou voltar à normalidade, funcionando como uma célula perfeita e angustiada por saber que existe uma outra vida possível. Ou realmente se desenvolver como um câncer, que poderá morrer sob as células vizinhas, ou infectá-las também, em prol de uma nova mutação, e talvez evolução no corpo da Humanidade.