Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Sexta-feira, Julho 03, 2009
Das coisas que nos rodeiam
Não são as coisas que nos perturbam, e sim a nossa interpretação das coisas.
Schoppenhauer
Falar sobre as formas subjetivas de como nossa vaidade molda nosso discurso não é algo simples, ainda menos simples é entender essa relação a partir da percepção de outra pessoa. Contra um comportamento defensivo que não se baseia em lógica, mas sim em sentimento, não há nenhum argumento que possa elucidar qualquer tipo de questão existencial. É necessário mais que uma admiração, mas uma confiança na sabedoria alheia para nos permitirmos entender certos vícios em nosso comportamento.
Um estudo superficial do budismo me fez criar um policiamento quanto a atuação de meu narcisismo em meus discursos e quanto mais eu policio o meu discurso, naturalmente policio o discurso das pessoas que me rodeiam. A percepção da arrogância e prepotência alheia nada mais é que o reflexo do modo como eu agia desde sempre com todos.
Para fugir de imposições forçadas devo começar a traçar argumentos usando a pura lógica, e baseado nessa idéia imaginei como seria a raiz lógica de um problema vigente: o desrespeito.
A primeira premissa que eu defendo é que é impossível uma pessoa atingir diretamente o seu self, assim como é impossível uma pessoa sobrepor uma crença sua sem seu consentimento. Existe uma área inatingível em nossa consciência, essa parte não chega nenhum desrespeito, ofensa ou mágoa a não ser que permitamos.
O sentimento ruim que temos perante uma cortada atinge o ego, e o ego define se aquilo se torna ou não uma falta de respeito, de acordo com o nível de prepotência que o ego tem sobre o ofensor.
Ainda que o ofensor queira te magoar deliberadamente, você sempre terá a escolha de aceitar ou não a ofensa. Claro que essa “escolha” acontece muito rapidamente no nível do inconsciente, apenas uma mente muito bem condicionada poderia se desviar diretamente dessa questão e ignorar a ação que o ego move para transformar qualquer ataque a si em um crime.
Portanto, antes de exigirmos respeito dos outros, devemos lembrar do que Schoppenhauer disse “Não são as coisas que nos perturbam, e sim a nossa interpretação das coisas.” Portanto cuidado com as interpretações.